Com desgaste da ISS, Rússia pensa em construir sua própria estação orbital

Por Danielle Cassita | 27 de Novembro de 2020 às 21h00
Reprodução/NASA

Um relatório recente da RSC Energia, empresa que gerencia os módulos russos da estação, alerta que elementos da Estação Espacial Internacional (ISS) têm chances altas de começar a apresentar uma avalanche de problemas depois de 2025, e os danos na estação estão tão sérios que vai ser caro demais consertá-los. Então, eles propõem a construção de uma estação orbital russa.

Assim, Vladimir Alekseevich Soloviev, vice-diretor geral da Energia, sugeriu, durante uma reunião da Russian Academy of Sciences, que o país deveria focar na implementação do programa uma estação orbital nacional. “A Rússia tem compromisso com a Estação Espacial Internacional até 2025. Já existe uma quantidade de elementos que estão seriamente afetados e estão encerrando suas funções, e muitos deles não são substituíveis”, disse.

A estação russa Mir ficou em órbita por 179 dias (Imagem: Reprodução/NASA)

A Energia estima que as despesas para consertar os componentes e manter a ISS sejam de 10 a 15 bilhões de rúpias — valor que equivale de U$ 130 a U$ 198 milhões por ano. Então, Soloviev propôs ser preciso avaliar os termos da participação russa futura no programa e focar na implementação da Russian Orbital Service Station (ROSS), uma nova estação que seria composta por três a sete módulos, que podem tanto ser operados automaticamente ou por uma tripulação de duas a quatro pessoas para a redução de custos. Além disso, esses módulos poderiam ser substituídos, de modo que essa estação teria tempo de vida ilimitado. A ROSS segue sendo desenvolvida pela Energia, e tem lançamento estimado para depois de 2024.

Os comentários feitos por Soloviev circularam pela mídia russa como uma sugestão indireta de que a Rússia queria encerrar a participação dos parceiros no programa da ISS, ou de que a estação encerraria as atividades. Depois, ele explicou que não havia discussões em andamento sobre a ISS interromper o trabalho depois de 2025: “naturalmente, o relatório da reunião foi teórico, não uma proposta de desenvolvimento posterior da ISS, e foi mal interpretado”, disse no canal da Roscosmos no Telegram.

Vale ressaltar que, de fato, a ISS já vem apresentando sinais de fadiga há algum tempo: há um vazamento de ar ocorrendo no laboratório desde 2019, e investigações em busca da origem do problema mostraram que iso ocorria no módulo russo Zvezda. Já em outubro, foi detectado um problema no suprimento de oxigênio também no módulo russo — e, embora nenhum destes inconvenientes ofereça riscos à tripulação, eles sinalizam a aproximação do fim da vida útil dos equipamentos russos, que deveriam ser usados apenas por 15 anos, mas chegam às duas décadas de uso.

Fonte: SputnikNews, TASS

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