China vai lançar sua própria megaconstelação de satélites de internet

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 26 de Maio de 2021 às 14h10
CASC

O crescente mercado de megaconstelações de satélites na órbita da Terra, que oferecem internet banda larga para qualquer lugar do planeta, em breve terá mais uma empresa em cena. Em 29 de abril deste ano, a Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais (SASAC, sigla em inglês), da China, divulgou um comunicado oficial anunciando a criação da China Satellite Network Group Co. Ltd., destina à criação e operação de uma constelação de satélites de banda larga com cerca de 13.000 unidades.

Segundo os arquivos apresentados pela China, em setembro do ano passado, à União Internacional de Telecomunicações (UIT, sigla em inglês), que é a agência da Organização das Nações Unidas (ONU, sigla em inglês) destinada a padronizar e regular as ondas de rádio e telecomunicações internacionais, o país tem planos de construir duas constelações de satélites de órbita terrestre baixa (LEO, sigla em ingês) — inicialmente, com um número de 12.992 desses objetos em órbita —, denominadas “GW”. Atualmente, fazem parte da UIT os 193 países membros da ONU, além das mais de 700 entidades do setor privado e acadêmico.

Representação artística da cobertura global de satélites de telecomunicação (Imagem: Reprodução/ESA/Science Office)

Apesar de poucos detalhes terem sido divulgados até então, os relatórios indicam planos de que a GW estabelecera duas constelações entre 500 a 1.145 km de altitude, todas operando em uma variedade de bandas de frequência. A China Satellite Network Group, aparentemente, atuará de forma independente na construção e gerenciamento dessas redes de comunicação — o que pode indicar a participação de outras empresas estatais e privadas —, mas também paralelamente podem estar envolvidas as principais empresas do setor, como a China Aerospace Science and Technology Corp. (CASC) e a China Aerospace Science and Industry Corporation (CASIC).

Recentemente, a CASC e a CASIC enviaram para a órbita terrestre alguns satélites como um teste de verificação de tecnologia de suas constelação Hongyan e Hongyun, respectivamente — também planejadas para a elaboração de centenas de satélites. No entanto, informações como o cronograma e os usuários finais da rede de satélites da China Satellite Network Group ainda não foram anunciadas, mas o país asiático pretende fornecer comunicação para os países da Europa, Ásia e África que fazem parte da Iniciativa do Cinturão e Rota, incluindo áreas rurais.

Rede de satélites da CASC, a qual se encontra em fase de testes de tecnologia (Imagem: Reprodução/CASC)

A sede da China Satellite Network Group será estabelecida em Xiong’an, uma nova área estadual na região de Baoding, em Hebei, criada em 2017. Em nota oficial, a Administração de Ciência, Tecnologia e Indústria para Defesa Nacional (SASTIND, sigla em inglês) forneceu algumas orientações para empresas comerciais e este pode ser um passo para a criação de regulamentos que fiscalizem essas atividades em crescimento no país.

Vale destacar a questão do lixo espacial, cada vez mais recorrente em todo o mundo. Então, além de promover o setor, a SASTIND também revelou que será necessário apresentar os planos de mitigação de detritos espaciais junto aos pedidos de licenciamento.

Fonte: SpaceNews

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