China e Rússia assinam acordo para construir estação de pesquisa na Lua

China e Rússia assinam acordo para construir estação de pesquisa na Lua

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 09 de Março de 2021 às 18h30
Reprodução/Andrew Jones/Twitter

Nesta terça-feira (9), as agências espaciais CNSA e Roscosmos, da China e Rússia, respectivamente, confirmaram que as duas nações assinaram um memorando de entendimento para construir e trabalhar na futura estação de pesquisa International Scientific Lunar Station (ILRS), que ficará na superfície ou na órbita da Lua. A China e a Rússia já tinham expressado o desejo de assinar o documento em fevereiro, mas ainda não havia datas para a finalização do termo.

A assinatura do acordo foi feita virtualmente por Zhang Kejian, diretor da CNSA, e Dmitry Rogozin, diretor da Roscosmos, e é um marco de enorme importância deste que é o mais novo desdobramento dos esforços da China para explorar a Lua sem o envolvimento de rivais, como a NASA — a agência espacial norte-americana é proibida de trabalhar com a China desde 2011 devido a uma lei aprovada pelo Congresso.

A assinatura do documento, feita pela China e Rússia (Imagem: Reprodução/Roscosmos)

Os sinais de que essa colaboração aconteceria não são recentes. Embora a Rússia seja parceira de longa data da NASA para o programa da Estação Espacial Internacional, o país não mostrou interesse em expandir a aliança com os Estados Unidos para os objetivos envolvendo a Lua. Quando a NASA criou os Acordos Artemis, uma iniciativa que apresenta princípios que devem ser seguidos para a exploração lunar para as nações participantes do programa Artemis, nove países assinaram o termo — exceto a Rússia.

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Posteriormente, a NASA fechou parcerias com a Agência Espacial Europeia, o Japão e o Canadá para trabalhar na futura estação Gateway, que também irá orbitar a Lua. A agência espacial estadunidense perguntou à Rússia se havia interesse em integrar os trabalhos de construção da estação, mas o país alegou que a participação sugerida pelos parceiros estadunidenses seria impraticável. Assim, eles se voltaram aos planos da China e, da mesma forma como os Estados Unidos vêm fazendo, este país também está em busca de parceiros para conseguir atingir seus objetivos de estabelecer infraestrutura na Lua.

Representação artística da ILRS na Lua (Imagem: Reprodução/CNSA/CLEP)

De acordo com a CNSA, este novo acordo é um sinal favorável ao desenvolvimento em conjunto da estação espacial lunar entre os dois países, que exigirá planejamento, demonstração, desenvolvimento e implementação, além da operação de projetos de pesquisas científicas. A ideia é que a ILRS seja um complexo de instalações voltadas a pesquisas experimentais, abrigando diversos experimentos científicos. Além disso, a estação poderá ser operada a longo prazo sem a necessidade de tripulações a bordo.

As duas agências espaciais esclarecem que o projeto será aberto a todos os parceiros internacionais e outros parceiros interessados. Os comunicados publicados também explicam que ambos os países vão aplicar a expertise que possuem na ciência espacial, pesquisa e desenvolvimento, além do uso das tecnologias espaciais, para criar o caminho da construção da estação. Por fim, a ILRS representa uma etapa expandida da exploração lunar chinesa: o país já lançou dois orbitadores, rovers e landers, além da missão Chang'e 5, que coletou amostras da Lua e as trouxe para a Terra. Posteriormente, as missões Chang'e 6, 7 e 8 irão ajudar a formar a base robótica para a ILRS. De qualquer forma, o início do trabalho será feito, principalmente, pela China e Rússia, com contribuições mais discretas de outros parceiros.

Fonte: The Verge, Spacenews

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