China avalia duas missões em Júpiter para pousar naves nas luas Calisto e Io

Por Danielle Cassita | 14 de Janeiro de 2021 às 11h05
NASA / JPL / Ted Stryk

A China iniciou o ano trazendo as primeiras amostras lunares que recebemos desde 1976 — as últimas foram obtidas pela missão soviética Luna 24 naquele ano. Além disso, a CNSA, a agência espacial do país, também tem planos para lançar uma nave com destino a Júpiter que, talvez, possa incluir um lander para estudar a lua Calisto. Agora, os cientistas chineses estão solidificando dois conceitos de missões espaciais que possam revelar os mistérios das origens e funcionamento do gigante gasoso com uma nave principal e outros veículos menores.

Na verdade, essa ideia começou a ser desenhada em 2016, quando foi publicado um estudo apontando que o país conduziria estudos e pesquisas para trazer amostras de Marte, explorar asteroides, estudar o sistema joviano e realizar sobrevoos no planeta. Agora que o plano está mais maduro, restaram dois diferentes conceitos de missões para estudos de Júpiter — embora seja provável que apenas um deles possa avançar —, com lançamento estimado para 2029.

Idealizadas para estudos sobre as luas jovianas, as missões foram construídas com base nas missões Chang'e e Tianwen-1 (Imagem: Reprodução/JPL-CALTECH/NASA, DLR)

Um deles é a missão Jupiter Callisto Orbiter (JCO), que poderia voar por alguns satélites irregulares (ou seja, objetos capturados pelo planeta) de Júpiter antes de iniciar uma órbita polar em torno da lua Calisto, a mais externa das quatro principais e com menos calor interior em relação às demais. Calisto pode ter se formado a partir dos materiais que restaram da formação do gigante gasoso e esteve “tranquila” deste então: sua superfície vem sofrendo apenas impactos de asteroides, e a estrutura pode guardar informações sobre os momentos iniciais do sistema joviano além do nosso próprio Sistema Solar, o que seria um excelente foco de estudos para um lander. Além disso, Calisto tem uma fina atmosfera com pequenas quantidades de oxigênio o que lhe confere grande valor científico — além de ser mais fácil de pousar por exigir menos combustível e estar fora do campo radioativo do planeta.

Já a outra candidata é a Jupiter System Observer (JSO), que poderia trocar um possível pouso em Calisto para focar na lua vulcânica Io. Nesse caso, a nave iria realizar alguns sobrevoos para estudar como a gravidade do planeta afeta a atividade vulcânica da lua, além de estudar também a massa, densidade, dinâmica e outros aspectos dos satélites irregulares. Após terminar o “passeio”, a JSO poderia ser enviada para orbitar o ponto L1 de Júpiter-Sol para aproveitar o equilíbrio entre a gravidade do planeta e da nossa estrela, ficando por lá por longos períodos. Essa visão privilegiada poderia permitir que a missão monitorasse a atuação do vento solar fora do campo magnético de Júpiter, por exemplo.

As duas missões seriam lançadas em 2029. Elas fariam um sobrevoo em Vênus e dois na Terra para chegarem ao destino em 2035. É possível, também, que levem cargas úteis para estudos de pontos do campo magnético de Júpiter e complementem a ciência feita pelas missões Europa Clipper e Lucy. Entretanto, ambas são bastante ambiciosas e exigem avanços consideráveis na propulsão elétrica, energia solar e comunicação entre as naves e equipes na Terra. Assim, instituições como a Chinese Academy of Sciences deverão realizar reuniões para discutir os objetivos científicos e possíveis parcerias com outros países.

Fonte: Planetary

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