Bases de DNA e RNA "que faltavam" são achadas em amostras de meteoritos

Bases de DNA e RNA "que faltavam" são achadas em amostras de meteoritos

Por Danielle Cassita | Editado por Rafael Rigues | 26 de Abril de 2022 às 18h30
Reprodução/CoolVid-Shows/Pixabay

Duas das cinco bases nitrogenadas presentes no DNA e RNA de todas as formas de vida de nosso planeta foram recentemente encontradas em amostras de meteoritos. A descoberta foi realizada por uma equipe de cientistas liderada por Yasuhiro Oba, professor associado da Hokkaido University. Além de mostrar que as substâncias estão presentes nas rochas espaciais, o estudo sugere que elas podem até ter ajudado na formulação das moléculas instrucionais na Terra primordial.

Tanto o DNA quanto o RNA são compostos por bases nitrogenadas. Há cinco delas, que podem ser divididas na classe das purinas (que inclui a adenina e a guanina) e a classe das pirimídicas (a da citosina, timina e uracila). Até agora, somente três delas haviam sido encontradas em amostras de materiais do espaço, mas a equipe de Oba acaba de encontrar as outras duas que faltavam.

Representação de meteoroides levando bases nitrogenadas para a Terra (Imagem: Reprodução/NASA Goddard/CI Lab/Dan Gallagher)

Eles encontraram a citosina e a timina, que até então estavam “escondidas” de análises anteriores, provavelmente pelas características de sua estrutura: como são mais delicadas, elas podem ter sido degradadas quando os cientistas extraíram amostras para outros estudos — tanto que a equipe ficou surpresa por encontrá-las nas amostras, e sugere dois fatores que podem ter contribuído para a descoberta.

Um deles é o método de extração: antes, eles mergulharam grãos das amostras de meteoritos em uma solução quente, que permitiu que as moléculas fossem extraídas e analisadas posteriormente. Desta vez, eles experimentaram usar água fria para extrair os compostos, o que pode ter evitado a destruição das moléculas. Além disso, eles trabalharam com análises de maior sensibilidade, que podem ter permitido a detecção de quantidades menores das moléculas.

A presença das moléculas não indica, de forma definitiva, que a vida surgiu na Terra graças à ajuda das rochas espaciais, ou que foi formada em uma sopa prebiótica durante a “infância” do nosso planeta. Por outro lado, a citosina e a timina completam o conjunto das cinco bases nitrogenadas que formam a vida. E junto de outras moléculas, podem ajudar os cientistas a trabalharem com mais compostos para entender o surgimento da vida por aqui.

A técnica do estudo pode ser efetiva para análises futuras, como aquelas das amostras do asteroide Bennu (Imagem: Reprodução/NASA/Goddard/University of Arizona)

O coautor Jason Dworkin comenta que as moléculas mostram que os meteoritos não têm somente açúcares, mas também bases nitrogenadas. “É empolgante ver o progresso na formação das moléculas fundamentais da biologia [vindas] do espaço”, disse. Além de a análise ajudar a modelar a formação da vida na Terra, ela traz também uma técnica mais efetiva que poderá ajudar na extração de informações de asteroides no futuro.

Já Oba, autor principal do estudo, observou que as bases purinas e pirimidinas podem ser sintetizadas em ambientes extraterrestres, como foi demonstrado no estudo. O esperado era encontrar uma grande diversidade destas moléculas nos meteoritos; entretanto, não é isso que se observa. “Agora, temos evidências de que o conjunto completo de bases nitrogenadas que dão origem à vida hoje podiam já estar disponíveis na Terra quando a vida surgiu”, finalizou Danny Glavin, coautor.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Fonte: Nature Communications; Via: NASA

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