Açúcares encontrados em meteoritos podem ser pista sobre origem da vida na Terra

Por Felipe Junqueira | 19 de Novembro de 2019 às 17h35
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Cientistas encontraram mais pistas para tentar desvendar a origem da vida na Terra. Pesquisadores encontraram sinais de açúcares em meteoritos, sendo que esses açúcares seriam essenciais para o desenvolvimento biológico. A teoria é que um bombardeio desses meteoritos com açúcares pode ter contribuído para o desenvolvimento da vida em nosso planeta.

“Outros componentes importantes para a vida já foram encontrados em meteoritos antes, incluindo aminoácidos e bases nitrogenadas, mas açúcares eram uma peça que faltava entre os principais blocos de construção da vida”, disse o autor do estudo, Yoshihiro Furukawa. A descoberta foi publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Entre os açúcares descobertos estão a ribose, arabinose e a xilose, vistos em dois meteoritos ricos em carbono: o NWA 801 (de tipo CR2) e o Murshison (tipo CM2). Caso você não se lembre das aulas de biologia, a ribose é um componente crucial do RNA, uma das macromoléculas essenciais para a vida.

RNA é uma das bases da vida terrestre

Representação de uma molécula de RNA (Foto: Yoshihiro Furokawa)

O ácido ribonucleico é responsável pela codificação genética e a decodificação durante a síntese de proteínas. Uma espécie de mensageiro do código genético de um ser vivo. A ribose, no entanto, é uma molécula muito frágil, e o co-autor do estudo, Jason Dworkin, espantou-se em encontrá-la em “um material tão antigo”.

“Esses resultados vão ajudar a guiar nossas análises de amostras intocadas dos asteroides primitivos Ryugu e Bennu”, explicou. A sonda Hayabusa2, da JAXA, e a OSIRIS-REx, da NASA, vão trazer amostras desses dois asteroides de volta à Terra para análises mais aprofundadas.

“O açúcar do DNA (2-desoxirribose) não foi detectado em nenhum dos meteoritos analisados no estudo”, apontou Danny Glavin, outro coautor do artigo. “Isso é importante, já que pode ter havido um viés de entrega de ribose extraterrestre para a Terra, o que é consistente com a hipótese de que o RNA evoluiu primeiro”.

Para os cientistas, a notícia não é ruim. O RNA carrega em sua estrutura informações não contidas no DNA, além de conseguir fazer cópias de si mesmo sem a ajuda de outras moléculas e funcionar como catalizador em reações químicas que precisam de um "empurrão". A descoberta corrobora com a possibilidade, portanto, de o RNA ter coordenado toda a origem da vida, para, posteriormente, ter cedido lugar ao DNA.

Os cientistas afastaram a possibilidade de os meteoritos terem sido contaminados pela vida terrestre e planejam analisar mais amostras de outros meteoritos para tentar fortalecer ou refutar o estudo.

Fonte: NASA

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