Amostras lunares coletadas pela missão Chang'e 5 contêm água

Amostras lunares coletadas pela missão Chang'e 5 contêm água

Por Wyllian Torres | Editado por Rafael Rigues | 14 de Junho de 2022 às 18h45
CNSA/CLEP

Pesquisadores chineses encontraram água nas amostras lunares coletadas pela missão chinesa Chang'e 5, embora não tanto quanto se esperava. O estudo, liderado pela Academia Chinesa de Ciências (CAS), confirmou que tal concentração está de acordo com as previsões feitas por telescópios terrestres.

A sonda Chang'e 5 pousou na Lua em 1º de dezembro de 2020 para coletar amostras do solo e rochas lunares. Dois dias após sua chegada, o estágio de ascensão decolou para trazer este material para a Terra, chegando ao planeta cerca de duas semanas depois.

Conceito artístico do estágio de ascensão da Chang'e 5 decolando para a Terra (Imagem: Reprodução/CNSA)

A equipe da missão analisou estas amostras e encontrou sinais de água em minerais presentes nelas. A própria sonda já havia apontado a presença de água na Lua, mas apenas um estudo aprofundado na Terra poderia estabelecer o verdadeiro teor de água.

Os pesquisadores descobriram que as amostras continham níveis de água de 28,5 partes por milhão (ppm) — considerado seco até para os padrões lunares. Por outro lado, pedaços do mineral apatita nas amostras apresentavam teores de água de 13 ppm a 179 ppm.

A cientista planetária Parvathy Prem, da Universidade Johns Hopkins, que não participou da pesquisa, apresentou algumas possíveis explicações que poderiam justificar o baixo teor de água. Entre elas é possível que a sonda tenha coletado as amostras em uma hora particularmente quente do dia lunar.

Além disso, a sonda pode ter pousado em uma área da Lua protegida dos ventos solares pelo campo magnético da Terra. Segundo Prem, os ventos solares contém átomos de hidrogênio que podem formar água ao encontrar moléculas de oxigênio na superfície lunar.

Parte das amostras lunares trazidas pela missão Chang'e 5 (Imagem: Reprodução/CNSA/GRAS/NAOC)

Ao todo, a missão chinesa coletou três tipos de dados da mesma área: amostras de solo e rocha, dados locais do módulo de pouso e dados coletados pelo orbitador da missão. A comparação destas informações poderá revelar uma nova peça deste quebra-cabeça.

Prem acrescentou que, em termos de quantidade, mesmo os solos lunares mais úmidos ainda são mais secos do que o solo dos mais quentes desertos da Terra. Então, por menor que seja o teor de água nas amostras, fora do nosso planeta este recurso é valioso.

A análise das amostras lunares foi apresentada na revista Nature Communications.

Fonte: Nature Communications, Via New Scientist

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