Amazon escolhe foguete Atlas V para lançar sua rede de satélites de internet

Amazon escolhe foguete Atlas V para lançar sua rede de satélites de internet

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 20 de Abril de 2021 às 10h20
Reprodução/ULA/Amazon

A Amazon comunicou ter fechado contrato com a United Launch Alliance (ULA) para lançar os satélites do Projeto Kuiper, que será uma constelação de satélites capaz de fornecer internet para todo o mundo, tal qual os projetos Starlink e OneWeb. Para levar os 3.236 satélites à órbita, inicialmente a empresa vai contar com nove voos do foguete Atlas V. Depois, outros parceiros que ainda não foram anunciados irão ajudar a completar a constelação.

O Atlas V é um foguete veterano da indústria espacial e tem um histórico de 85 missões de sucesso. Esse foguete foi o escolhido para lançar o rover Perseverance, da NASA, além da sonda OSIRIS-REx, que coletou amostras do asteroide Bennu no ano passado. Embora a Amazon e a ULA tenham detalhado o veículo e o total de lançamentos cobertos pelo contrato, não foram liberadas informações sobre datas do início dos lançamentos e nem sobre quantos satélites serão transportados por vez.

O foguete Atlas V sendo transportado para lançar satélites de comunicação (Imagem: Reprodução/ULA)

A ideia é que a rede do Projeto Kuiper tenha 3.236 satélites, que serão capazes de fornecer internet para regiões rurais e remotas, onde há de pouca a nenhuma conectividade. Além disso, o projeto também será um impulso para o Amazon Web Services, o serviço de computação na nuvem da Amazon. Embora a Federal Communications Commission, entidade reguladora de telecomunicações nos Estados Unidos, tenha aprovado no ano passado o lançamento da rede, os demais detalhes ainda são escassos.

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Aliás, se este projeto soa familiar, é porque ele não é o único do tipo: além desta empreitada, há também a rede de satélites Starlink, da SpaceX, que já levou para a órbita mais de 1.300 satélites, sendo que o total almejado é de 12 mil. O jogo conta também com a OneWeb, que lançou recentemente mais 36 satélites para sua megaconstelação — a empresa espera realizar mais três lançamentos no programa atual, que já serão suficientes para usuários das regiões norte do planeta conseguirem aproveitar a conexão.

Além de não estar sozinha no objetivo de levar internet para todo o mundo com satélites, a Amazon ainda está no início de seu projeto — algo que Elon Musk ressaltou ao trocar algumas farpas com Jeff Bezos devido aos satélites de suas respectivas empresas. Dave Limp, vice-presidente sênior da empresa em dispositivos e satélites, comentou durante uma entrevista no ano passado que a Amazon ainda passava pela metade da etapa de design dos satélites do projeto.

(Imagem: Reprodução/SpaceX)

Isso sugere que ainda há trabalho pela frente até que eles sejam produzidos em massa, de modo que ainda faltaria algum tempo até o lançamento propriamente dito. Limp também pontuou que a empresa tem pressa para conseguir a licença necessária para operar sua constelação, de modo que querem já ter metade das espaçonaves lançadas em apenas seis anos para atender a solicitação do FCC. Isso implica um cronograma agressivo, mas que pode ser atendido pelas missões do Atlas V e, por quê não, por missões fechadas com contratos com outras empresas.

Quando estiverem em operação, os satélites Kuiper vão orbitar nosso planeta em altitudes entre 590 km a 630 km. De acordo com a Amazon, eles podem fornecer conexão de até 400 Mbps, e a performance da rede será melhorada gradualmente. No ano passado, a empresa revelou como serão as antenas que os usuários vão precisar para acessar a rede, que também podem ser usadas para a conexão com outros satélites em órbitas geoestacionárias.

Esses satélites, assim como os das outras empresas que oferecem o serviço de conexão, vão ficar na órbita baixa da Terra. Trata-se de uma camada orbital mais rasa, que deverá ficar bastante ocupada conforme a SpaceX avança com seus lançamentos — tanto que, no início do mês, foi por pouco que os satélites da OneWeb e da SpaceX não colidiram. Além disso, os satélites preocupam a comunidade científica, já que podem prejudicar observações astronômicas.

Fonte: TechCrunch, The Verge

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