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Algumas das grandes luas de Urano podem ter oceanos

Por| Editado por Patricia Gnipper | 05 de Maio de 2023 às 11h52

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NASA/Johns Hopkins APL/Mike Yakovlev
NASA/Johns Hopkins APL/Mike Yakovlev

Ariel, Titânia, Umbriel e Oberon, algumas das maiores luas de Urano, podem ter oceanos entre os núcleos e crostas congeladas. A descoberta foi feita por cientistas da NASA, que realizaram uma nova análise dos dados obtidos pela sonda Voyager 2 para analisar como é a composição interna e estrutura dos maiores satélites naturais do planeta.

Urano conta com mais de 20 luas; entre elas, estão Ariel e Titânia, com 1.160 km e 1.580 km de diâmetro, respectivamente. Junto de Umbriel e Oberon, elas formam um grupo de luas com possíveis oceanos em seu interior.

Os cientistas acreditam que, devido ao tamanho, Titânia poderia reter calor interno vindo do decaimento de elementos radioativos; outras, como Miranda, parecem ser pequenas demais para se manterem quentes o suficiente e evitar que possíveis oceanos por lá congelem.

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Julie Castillo-Rogez, autora principal do novo estudo, explica que os cientistas planetários já encontraram evidências de oceanos em lugares improváveis, como o planeta-anão Ceres e Mimas, uma lua de Saturno. “Há mecanismos em jogo que não entendemos totalmente, e este artigo investiga quais podem ser eles e como são relevantes para os corpos do Sistema Solar que podem ser ricos em água, mas que têm calor interno limitado”, disse.

Para isso, eles analisaram observações em solo e as descobertas da sonda Voyager 2, que fez sobrevoos por Urano durante a década de 1980. Depois, através de modelos computacionais com dados de outras missões, eles incluíram informações da composição química e características geológicas de outros corpos congelados com tamanho parecido com os das luas de Urano.

O modelo ajudou os pesquisadores a determinarem a porosidade da superfície das luas do planeta, e descobriram que algumas parecem ter isolamento suficiente para manter o calor interno, necessário para os oceanos. As luas parecem ter ainda uma possível fonte de calor em seus mantos: esta fonte libera líquido aquecido, que contribui para os oceanos manterem ambientes com temperaturas mais altas.

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Tal fonte pode existir principalmente em Titânia e Oberon — e, se houver oceanos por lá, talvez tenham condições para desenvolvimento da vida como conhecemos. Já a lua Miranda, a quinta maior na órbita de Urano, tem características em sua superfície que sugerem que já tenha retido calor suficiente para ter oceanos. Contudo, o modelo mostrou que, como a lua perde calor rapidamente, os oceanos devem estar congelados.

O estudo mostrou que o calor interno não é o único a contribuir para a formação dos oceanos. Os resultados sugerem que eles têm cloretos e amônia, compostos conhecidos por atuar contra o congelamento; portanto, se estiverem na água, eles podem ajudar na manutenção dos oceanos. Mas, para os cientistas saberem se estes compostos realmente estão por lá, são necessários mais estudos.

O artigo que descreve as descobertas foi publicado na revista Journal of Geophysical Research.

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Fonte: Journal of Geophysical Research; Via: NASA