Luas do Sistema Solar: conheça as 10 luas mais estranhas da nossa vizinhança

Luas do Sistema Solar: conheça as 10 luas mais estranhas da nossa vizinhança

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 13 de Outubro de 2021 às 21h30
The Planetary Society

Grande parte dos planetas do Sistema solar tem satélites naturais — a Terra, por exemplo, tem a Lua, um satélite com a superfície coberta por marcas das erupções de vulcões no passado, além de crateras abertas por impactos das mais diversas rochas espaciais. Embora a Lua seja o satélite natural mais familiar para nós, existem outros que orbitam os demais planetas da nossa vizinhança — e são tão interessantes quanto o nosso, ou até mais. 

Enquanto Marte tem uma dupla de luas curiosas, cada um dos planetas gigantes do Sistema Solar externo tem um variado grupo de satélites naturais, sendo que grande parte deles se formou junto desses mundos, a partir do mesmo material, e guardam características que os tornam mundos misteriosos e intrigantes. Mimas, por exemplo, é uma lua de Saturno que esteve congelada por muito tempo e tem marcas dos objetos que a atingiram; já Nereida, lua de Netuno, mostra os resultados das interações gravitacionais com objetos vizinhos.

Conheça algumas das luas mais estranhas do Sistema Solar e saiba mais sobre elas:

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Fobos e Deimos, luas de Marte

(Imagem: Reprodução/NASA)

À primeira vista, as luas Fobos e Deimos, de Marte, podem não parecer tão interessantes, mas saiba que elas são de grande valor para os cientistas. Perceba que o foamrto delas lembra muito mais de um asteroide do que de luas propriamente ditas — e, apesar de preencherem vários requisitos que permitem considerá-las como asteroides capturados pela gravidade de Marte, há algo importante faltando para isso: ambas orbitam o equador do planeta em uma órbita circular.

Isso sugere que elas sejam o que restou de detritos que orbitaram o Planeta Vermelho no passado, portanto. Embora os cientistas ainda não saibam exatamente de onde essas luas vieram, já podemos especular para onde elas vão: Fobos está viajando lentamente em direção a Marte, chegando 1,8 m mais perto a cada século. Então, em cerca de 50 milhões de anos, ela se chocará contra o planeta ou se romperá.

Jápeto, lua de Saturno

A sonda Cassini foi lançada em 1997 e, durante sua missão, nos proporcionou várias descobertas incríveis sobre Saturno e algumas de suas luas. Além disso, a sonda ajudou também a revelar algumas das características mais estranhas e peculiares de Jápeto, uma das luas do gigante gasoso. Por exemplo, enquanto todas as principais luas saturnianas orbitam o planeta acompanhando o plano de seus anéis, Jápeto é “do contra” e tem inclinação diferente da de suas vizinhas. 

Além disso, sua superfície também chama a atenção. É que, quando Jápeto foi descoberta em 1671, ela se mostrou uma lua muito mais escura quando observada de um lado de sua órbita do que do outro, porque um hemisfério tem cor marrom escura, enquanto o outro é cinza claro. Ainda não se sabe com certeza os motivos por trás dessas diferenças, mas elas podem ser causadas pela poeira de pequenos meteoritos ou pela sublimação do gelo na superfície.

Hipérion, lua de Saturno

(Imagem: Domínio público)

Esta é a maior lua de forma não esférica que conhecemos no Sistema Solar, e pode até ter sido um satélite mais esférico e irregular no passado, que ficou com esse formato após o impacto de um grande objeto. Hipérion (ou Hiperião) tem formato que lembra uma batata e conta com três eixos, sempre interagindo gravitacionalmente com a lua Titã, que a impede de viajar em órbita circular. Assim, ela leva 13 dias para completar uma volta em torno de si própria em sua órbita, que leva 21 dias.

A textura da superfície dessa lua sinaliza os vários impactos que ocorreram, que foram mais profundos e não parecem ter ejetado material. Esse histórico, somado à baixa densidade da lua e sua superfície porosa podem, talvez, ajudar a explicar o porquê de sua aparência ser tão singular.

Tritão, lua de Netuno

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL)

Tritão, a maior lua de Netuno, tem diâmetro de aproximadamente 2.700 km, mas viaja em torno do planeta em uma órbita circular, em direção oposta àquela de Netuno. Isso mostra que a lua não se formou perto do planeta, de modo que, talvez, ela seja simplesmente um objeto que foi capturado pela gravidade dele e ficou por lá.

Para tornar tudo ainda mais curioso, Tritão tem gêiseres ativos em sua superfície, que liberam materiais gasosos a baixas temperaturas que, aparentemente, são compostor por nitrogênio e poeira. Além disso, a superfície desta lua aparenta ser feita de materiais frios vindos de seu interior. E não acabou: há quem compare a superfície de Tritão, com suas depressões e fissuras de origem desconhecida, àquela da casca de um melão. 

Encélado, lua de Saturno

(Imagem: Reprodução/NASA)

Encélado, uma lua com 504 km de diâmetro, deveria ser uma "bola" totalmente congelada, como várias de suas vizinhas no sistema de Saturno. Só que não é exatamente isso que observamos por lá: graças às forças de maré causadas por interações gravitacionais entre Saturno e a lua Dione, que travam um “cabo de guerra”, o interior de Encélado é quente e ativo, o que a torna um ótimo lugar para a busca de vida sob sua crosta congelada. 

Assim, esta lua é uma das mais intensamente estudadas — e o interesse científico nela ficou ainda mais intensa após a descoberta de plumas de água de gelo liberadas ao espaço, expelidas através de fissuras em seu hemisfério sul, já que isso indica haver água líquida sob a camada de gelo que envolve sua superfície. 

Io, lua de Júpiter

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL/University of Arizona)

Io é uma lua que pode facilmente ser considerada uma das mais interessantes do Sistema Solar por uma série de motivos. Além de sua superfície estar sempre mudando de aparência, Io tem mais de 100 vulcões ativos, sendo que alguns deles está sempre expelindo compostos. Nas regiões mais frias, o enxofre liberado é solidificado e fica com cor amarelo-esverdeada, enquanto as regiões esbranquiçadas contêm dióxido de enxofre sólido. 

Todo esse calor e erupções constantes são o resultado do decaimento radioativo de materiais, causado pela gravidade de Júpiter e da lua Europa. Essas interações fazem com que Io se contraia e expanda, criando calor suficiente para liberar 100 trilhões de watts de energia.  

Atlas, lua de Saturno

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute)

Já imaginou uma lua que não tem a típica forma esférica, mas sim a de algo que lembra muito mais um disco voador? Pois é, é esta a forma da lua Atlas, um satélite natural de Saturno com raio de 15 km. Esta lua é uma das mais internas do gigante gasoso, e sua estrutura, digamos, “alienígena”, se deve a uma estrutura geológica que se estende por seu equador. 

Ainda não se sabe exatamente como essa estrutura se formou, mas é possível que tenha relação com o diâmetro da lua e com os anéis de Saturno. Como Atlas e outras luas são bem maiores que os objetos que formam o anel, elas podem agregar materiais em seu equador conforme viajam através de partículas.

Nereida, lua de Netuno

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL)

Nereida foi a segunda lua descoberta na órbita de Netuno, e este é um satélite natural de extremos. Sua distância em relação ao planeta varia entre 1,4 milhão e 9,7 milhões de quilômetros, uma característica típica de satélites capturados pela imensa gravidade do planeta. Mas, na verdade, a história de Nereida pode ser ainda mais interessante.

Embora os dados da sonda Voyager 2 indiquem que a lua Tritão foi capturada da Cinturão de Kuiper e, como consequência, tenha “expulsado” várias das luas originais de Netuno, é possível que Nereida seja uma delas, que tenha escapado da ação gravitacional de sua vizinha por estar “presa” ao alcance gravitacional de Netuno, e ficou com sua órbita perturbada por Tritão. 

Miranda, lua de Urano

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL)

Há quem considere esta lua como uma das mais estranhas do Sistema Solar, e não é sem motivos: as imagens das sondas Voyager mostraram que esta lua é uma espécie de “colcha de retalhos”, porque une terrenos variados de forma aleatória (pelo menos, aparentemente). Ainda, essa lua tem um padrão de estruturas ovais em sua superfície, que lembram circuitos de corrida. 

Esta é uma lua que orbita Urano em uma trajetória quase circular, mas teve ressonância orbital com a lua Umbriel no passado. Com isso, ambas se alinharam com frequência, o que fez com que Miranda acabasse em uma órbita elíptica e alongada, que recebia o efeito de forças de maré extremas. Com isso, a superfície da lua se fragmentou e se recompôs antes que as luas se movessem novamente e Miranda tivesse diminuição de suas atividades.

Mimas, lua de Saturno

(Imagem: Reprodução/NASA, JPL-Caltech, Space Science Institute, Cassini)

Na década de 1980, os cientistas e o público ficaram chocados com o que as primeiras imagens da lua Mimas, de Saturno, mostravam: a lua tinha uma grande semelhança com a Estrela da Morte, da franquia Star Wars, graças a uma grande cratera em um de seus hemisférios, que tem quase o tamanho e forma da antena destruidora de planetas na ficção. Mas, claro, Mimas tem características intrigantes que vão além dessa coincidência.

Apesar de medir apenas 396 km de diâmetro, esta é a lua substancial mais interna de Saturno, o que a torna o menor objeto do Sistema Solar conhecido por ter formato esférico devido à sua própria gravidade. O motivo mais provável para isso é a densidade baixa de Mimas, que é apenas 15% maior que a da água.

Fonte: Starts with a Bang, NY Times, Space.com (1, 2, 3), Astronomy, News Scientist

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