A humanidade vai durar tempo suficiente para o primeiro contato com alienígenas?

A humanidade vai durar tempo suficiente para o primeiro contato com alienígenas?

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 12 de Agosto de 2021 às 11h50
Stefan Keller/Pixabay

De acordo com um novo estudo, pode ser que a humanidade tenha que esperar pelo menos 3 mil anos antes de obter um sinal de rádio transmitido por uma civilização alienígena tecnológica. Essa é a parte mais otimista, já que, em cenários mais prováveis, as civilizações não durem tempo o suficiente para o tão aguardado contato interestelar.

Um dos autores deste estudo é o professor Abraham "Avi" Loeb, protagonista de um debate controverso sobre o objeto interestelar ‘Oumuamua — estudos apontam que o corpo detectado em 2019 é um pedaço de gelo de nitrogênio molecular arrancado de um protoplaneta distante, mas Loeb especula que seja um veleiro espacial alienígena.

Curiosamente, o novo estudo é bem mais realista que as alegações (sem nenhuma evidência, diga-se de passagem) sobre o ‘Oumuamua ser algum tipo objeto artificial. Amir Siraj assina a coautoria do artigo que trabalha com o princípio de Copérnico: a declaração de que a Terra não está em uma posição especialmente favorecida, ou central, e tampouco vivemos em uma época privilegiada.

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Importante frisar que os autores trabalham com um cenário bem específico, ou melhor, com parâmetros que restringem o escopo de uma possível troca de mensagens entre a humanidade e uma espécie alienígena. Um desses parâmetros é a própria tecnologia necessária para a humanidade estabelecer esse tipo de comunicação, já que a maneira mais rápida de trocar mensagens é o rádio, cujas ondas viajam no espaço à velocidade da luz.

(Imagem: Reprodução/ELG21/Pixabay)

De todas as tecnoassinaturas (traços criados por uma civilização tecnológica) que foram consideradas até agora para tentar um contato com extraterrestres, as mais prováveis ​​e mais amplamente procuradas por institutos sérios, como o SETI (do qual Carl Sagan fazia parte) ainda são as transmissões de rádio. É que a humanidade realizou a primeira transmissão por ondas de rádio em 1901 — uma revolução em nossos meios de comunicação — e, segundo o princípio de Copérnico, devemos supor que outras civilizações também já descobriram essa tecnologia.

Assim, é razoável deduzir que, em algum lugar do universo, alienígenas também usam sinais de rádio para tentar encontrar outras espécies no universo. O problema é que tais civilizações podem estar em mundos tão distantes que as transmissões podem demorar milhares de anos para chegar a um receptor atento. Por outro lado, elas podem estar perto o suficiente para receberem agora sinais de cem anos atrás. Em outras palavras, podem habitar um mundo a 100 anos-luz de distância.

O que essa espécie fará ao receber nossos sinais? Pode ser que apenas decidam investigar nosso planeta para saber o que estão detectando. Infelizmente, uma nave jamais poderia atingir a velocidade da luz — nem mesmo uma fração considerável dela. Portanto, se os alienígenas enviarem uma sonda para investigar sinais que emitimos 100 anos atrás, ela demoraria centenas de milhares de anos para chegar. Isso considerando que estejam apenas a 100 anos-luz de distância, o que é uma vizinhança bem próxima.

Há outros parâmetros a se considerar. Por exemplo, quais planetas da Via Láctea poderiam abrigar civilizações tecnológicas capazes de ouvir e enviar sinais de rádio? É aqui onde entre o jogo probabilístico. O princípio copernicano nos leva a pensar que “a probabilidade de outro planeta habitável esteja passando agora por uma época semelhante ao nosso início de século XX, está abaixo de uma parte em dez milhões”, disse Loeb. Isso significa que só podemos contar com uma resposta se considerarmos mundos em mais de dez milhões de estrelas.

(Imagem: Reprodução/Thomas Budach/Pixabay)

Em outras palavras, isso significa que é muito improvável que nossos primeiros interlocutores interestelares estejam nos planetas na órbita da estrela Proxima Centauri, a apenas 4,2 anos-luz de distância da Terra. Teremos que considerar 1 bilhão de anos-luz cúbicos, ou mil anos-luz em todas as direções. Se nossos colegas estiverem em um planeta a mil anos-luz de distância, significa que nossos sinais de rádio levarão mil anos para chegar lá, e vice-versa. No total, mais de dois mil anos para estabelecer um contato.

Nesse ponto, chegamos ao aspecto mais relevante do estudo, de acordo com Siraj. É que as civilizações costumam ter um “prazo de validade”, incluindo a nossa e a dos alienígenas que supostamente receberão nossos sinais de rádio. Ou seja, se alguém em algum momento enviar uma resposta, só receberemos no século 4.000, no mínimo. “A grande lição aqui”, disse Siraj, “é que é melhor nos organizarmos e descobrir como sobreviver a longo prazo se quisermos participar de uma conversa cósmica!”

Isso não anula as chances de descobrirmos a existência de vidas alienígenas em um prazo bem menor. Na verdade, durante a existência da nossa civilização, podemos encontrar evidências de vários outros povos que existiram na Via Láctea — embora seja muito provável que, se as encontrarmos, já estarão extintas.

Fonte: Universe Today

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