Sinais de vida alienígena podem ser detectados em 10 anos, segundo estudo

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 19 de Abril de 2021 às 15h55
Reprodução/NASA/W. Stenzel

Um estudo realizado pela graduanda Caprice Phllips, da The Ohio State University, mostrou que o telescópio espacial James Webb poderá ser um grande aliado na busca por possíveis assinaturas deixadas por formas de vida em outros planetas. Segundo o estudo, o telescópio pode levar menos de 60 horas para identificar estes sinais em outros mundos, caso existam.

Existem diversas classificações para os mundos que orbitam outras estrelas que não são o Sol, mas fiquemos com as superterras e os mini-Netunos. A primeira se refere aos exoplanetas rochosos, com massa equivalente a algumas vezes a da Terra. Já os mini-Netunos são planetas gasosos, mas menores que Netuno. Em contraste a eles, há também planetas anões gasosos, que podem reter uma atmosfera dominada por hidrogênio.

Em seu estudo, Phillips trabalhou com a possibilidade de existir vida nestes planetas. Contudo, como nenhum dos três existe no Sistema Solar, os cientistas têm dificuldade para investigar a atmosfera destes mundos distantes para buscar amônia ou outros compostos que, talvez, sinalizem que há processos biológicos acontecendo por lá.

O telescópio james Webb será capaz de detectar a luz das primeiras galáxias formadas após o Big Bang (Imagem: Reprodução/ESA, NASA, S. Beckwith, Northrop Grumman)

É aqui que entra o telescópio espacial James Webb: o novo instrumento permitirá estudos sem precedentes sobre a composição atmosférica de planetas anões gasosos por meio da espectroscopia de emissão e transmissão. Phillips e os demais autores do estudo modelaram como o telescópio pode responder aos diferentes tipos de nuvens e condições atmosféricas presentes nestes mundos e, depois, produziram uma lista de onde o telescópio deveria procurar vida.

Assim, eles estimam que a detecção da amônia (uma possível bioassinatura) em seis planetas anões gasosos não deverá exigir mais que algumas órbitas do telescópio. A autora ficou espantada com a descoberta: “o que realmente me surpreendeu foi que, realisticamente, podemos encontrar sinais de vida em outros planetas entre os próximos 5 e 10 anos”, disse ela. Então, se os planetas anões gasosos forem considerados como potenciais lugares para a ocorrência de vida, cerca de 10 órbitas do telescópio já seriam suficientes para a investigação.

A pesquisa feita por Phillips também sugere que, pela primeira vez, teremos o conhecimento científico e os recursos tecnológicos necessários para começar a procurar as respostas de perguntas antigas, que questionam se estamos sozinhos ou até se a vida, caso exista em outros planetas, seria parecida conosco. Se tudo correr bem, o telescópio espacial James Webb será lançado em outubro.

As descobertas preliminares do estudo foram apresentadas durante o evento 2021 APS April Meeting.

Fonte: APS

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