50 anos da Apollo 13: conheça a história da "falha bem sucedida" da NASA

Por Daniele Cavalcante | 11 de Abril de 2020 às 10h00
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No dia 11 de abril, a NASA comemora o 50º aniversário da Apollo 13, a missão lunar que quase terminou em tragédia. Embora a missão tenha entrado para a história como um fracasso no objetivo de chegar à Lua, a data também é um memorial do sucesso em salvar a vida da tripulação quando um dos tanques de oxigênio da nave explodiu.

Essa missão também ficou famosa pela frase "Houston, we have a problem" ("Houston, nós temos um problema"). Felizmente, a nave e seus tripulantes — Jim Lovell, John Swigert e Fred Haise — conseguiram retornar à Terra após 6 dias no espaço, graças a estoques sobressalentes de água, oxigênio, entre outros itens vitais presentes no módulo de comando e serviço Odyssey.

Lançado do Centro Espacial John F. Kennedy por um foguete Saturn V, este foi o sétimo voo tripulado do Programa Apollo, que teve um total de 17 missões. Seu comandante foi Lovell, que já havia passado mais tempo no espaço do que qualquer pessoa no mundo com mais de 700 horas no espaço registradas.

Diagrama da Apollo 13

Enquanto estava a caminho da Lua em 13 de abril, dois dias após o lançamento, um tanque de oxigênio no módulo de serviço se rompeu. O pouso lunar e as caminhadas na Lua foram cancelados e o objetivo passou a ser trazer a nave de volta com segurança. Toda a equipe de controladores de voo e especialistas em engenharia no Centro de Controle de Missões da Apollo dedicaram seus esforços no desenvolvimento de um plano para proteger a tripulação no módulo de pouso lunar, que serviu como um "bote salva-vidas".

Ali, no módulo lunar chamado Aquarius, eles mantiveram recursos vitais suficientes para o tempo que levaria para voltar à Terra. Não foi simples. O módulo tinha sido projetado para manter duas pessoas durante dois dias na superfície da Lua, e o Controle de Missão precisou improvisar procedimentos para que a nave acomodasse três astronautas por quatro dias. Para economizar energia, apenas os sistemas mais essenciais continuaram ligados.

Felizmente, tudo correu bem na viagem de volta à Terra. Ela caiu no Oceano Pacífico às 13h07 do dia 17 de abril, após um voo que durou cinco dias, 22 horas e 54 minutos. Uma comissão de investigação descobriu uma falha nos testes de pré-voo do tanque do oxigênio e no uso de teflon dentro do tanque. Assim, mudanças para as próximas missões foram recomendadas. A história da Apollo 13 foi dramatizada em várias obras, em especial no filme Apollo 13 de Ron Howard (1995).

O emblema da missão da Apollo 13 mostra Apolo, o deus grego do Sol, com três cavalos puxando sua carruagem sobre a Lua, com a Terra à distância. O lema da missão, Ex luna, scientia, foi criado por Lovell e significa "Da Lua, ciência" (Imagem: NASA)

"Nosso objetivo, há 50 anos, era salvar nossa valente tripulação depois de enviá-la pela Lua e trazê-la com segurança à Terra", disse o administrador da NASA, Jim Bridenstine. Agora, o objetivo é retornar à Lua para permanecer por lá. “Estamos trabalhando duro para garantir que não precisamos responder a esse tipo de emergência na Artemis, mas estar prontos para responder a quaisquer problemas que não previmos”, completou.

Devido à pandemia de COVID-19 e as medidas de distanciamento social, a NASA não pode realizar nenhuma atividade presencial para celebrar o aniversário da Apollo 13. No entanto, a agência espacial disponibilizou uma variedade de novos conteúdos, documentos históricos, imagens e vídeos, incluindo conversas inéditas entre a equipe da Apollo 13 e o centro de controle da missão. Você pode acessar esse conteúdo aqui, incluindo ouvir o áudio original em que a frase "Houston, we have a problem" foi dita.

Você também pode assistir a um vídeo em 4K que mostra a Lua exatamente como os astronautas da Apollo 13 a viram:

Um astronauta premiado

As coisas também não foram muito fáceis para Jim Lovell antes da Apollo 13. Ele havia sido selecionado como um potencial candidato a astronauta pelo Projeto Mercury, mas foi recusado por causa do excesso temporário de uma proteína chamada bilirrubina no sangue, o que poderia ser um indicativo de um problema no fígado.

Mas ele teve uma segunda chance quando a NASA começou a recrutar astronautas para os programas Gemini e Apollo, e foi selecionado em 1962. Lovell serviu como reserva para o Gemini 4, antes de ser designado como um dos dois tripulantes do Gemini 7, e lançado em 4 de dezembro de 1965. Depois de 209 órbitas ao redor da Terra, a nave voltou à Terra, em 18 de dezembro de 1965.

Haise, Lovell e Swigert são resgatados pelo USS Iwo Jima (Foto: NASA)

Ele também voou na Apollo 8, a segunda missão tripulada do programa, que teve como objetivo completar uma volta ao redor da Lua. Ele relatou à Chicago Magazine em uma entrevista de 2019 um pouco da sensação. "Vimos a Terra aparecendo a 386.000 km de distância. Eu podia colocar meu polegar na janela e tudo o que conhecia estava por trás dela. Bilhões de pessoas. Oceanos. Montanhas. Desertos".

Lovell se aposentou da NASA e da Marinha em 1973 e foi trabalhar para a Bay-Houston Towing Company, empresa da qual se tornou presidente e CEO em 1975. Ainda ocupou cargos executivos de várias outras empresas antes de se aposentar em 1991. Lovell recebeu muitos prêmios e honrarias, incluindo os troféus Collier, Harmon (três vezes) e o Goddard, além da Medalha Presidencial da Liberdade, a Medalha de Serviço Distinto da NASA e, mais recentemente, a Medalha de Honra do Espaço no Congresso.

Aos 92 anos, Lovell ainda fornece entrevistas e participa de programas de divulgação espacial.

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