5 tecnologias criadas pela NASA para chegar à Lua que mudaram a vida na Terra

Por Daniele Cavalcante | 09 de Outubro de 2019 às 08h40
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A chegada do Homem à Lua através da missão Apollo 11, que completou 50 anos em julho, trouxe mais impactos para a humanidade do que imaginamos. Embora até hoje muitos duvidem que os astronautas da NASA realmente pisaram em solo lunar, ou questionem a utilidade de tais missões, fato é que nos beneficiamos desse sucesso até hoje, todos os dias.

Quando Neil Armstrong disse que aquele era um grande passo para a humanidade, nem mesmo ele imaginava que esse momento resultaria um salto gigantesco em inovações. Para mostrar que essa revolução não foi pouca coisa, a NASA decidiu publicar uma lista com cinco exemplos de tecnologias desenvolvidas para o programa Apollo e que hoje usamos no mundo inteiro.

1. Normas de segurança alimentar

Logo no planejamento das missões tripuladas para o espaço, a NASA se deparou com o problema da alimentação. Afinal, como garantir que a comida estivesse segura, no espaço, a centenas de milhares de quilômetros de casa? Para resolver o problema, a agência espacial fez uma parceria com a Pillsbury Company, que logo percebeu uma falta dos métodos de controle de qualidade. Não havia como ter certeza de que os alimentos estariam livres de bactérias e toxinas, sem antes realizar testes extensivos que destruíram a amostra. Era a Corrida Espacial contra os soviéticos, e não havia muito tempo.

Então, a Pillsbury renovou todo o seu processo de segurança alimentar, criando o que se tornou o sistema “Hazard Analysis and Critical Control Point” (HACCP), ou Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle. É uma técnica que permitia avaliar detalhadamente cada etapa da fabricação dos alimentos e identificar o que poderia dar errado. Depois, esses pontos identificados teriam que ser controlados preventivamente. Além de manter os alimentos dos astronautas em segurança, o HACCP acabou sendo adotado em todo o mundo — inclusive no Brasil, a partir da década de 1990.

2. Controles digitais para naves e aviões

Buzz Aldrin na Lua, durante a missão Apollo 11 (Foto: NASA)

As naves do programa Apollo foram os primeiros veículos a serem controlados digitalmente por um computador. Além de ser fisicamente mais leve e meno complicados, a mudança para um sistema de controle digital permitiu armazenar grandes quantidades de dados e manobras programadas através de um software bastante robusto — para a época, claro.

Antes das Apollo, também não havia computadores digitais para controlar aviões. Trabalhando em conjunto com a Marinha e o Laboratório Draper, a NASA adaptou o computador de voo digital do programa Apollo para trabalhar em aviões. Hoje, qualquer que seja a companhia aérea pela qual você embarque, o piloto está controlando-a digitalmente, com base na tecnologia desenvolvida para levar o Homem à Lua.

3. Amortecedores para terremotos

Os amortecedores e computadores das Apollo deram origem a verdadeiros salva-vidas capazes de estabilizar edifícios durante terremotos. Os foguetes Saturn V, que levaram as missões Apollo para fora da atmosfera, tiveram que permanecer conectados aos tubos de combustível na base de lançamento até o último segundo. O desafio aqui era tirar esses tubos do caminho com segurança no momento da decolagem. Considerando a velocidade com que eles se moviam, o risco de colisão com o veículo era alto.

A NASA contratou a a Taylor Devices Inc. para desenvolver equipamentos para amortecer o choque. Pouco tempo depois, a agência espacial voltou à empresa para obter um computador de alta velocidade com base em hidráulica. Para esse desafio, a empresa criou amortecedores cheios de fluido compressível, que funcionavam ainda melhor que os anteriores. Mais tarde, a NASA usou essa mesma tecnologia para os lançamentos de seus ônibus espaciais.

Desde então, a empresa adaptou esses amortecedores com fluidos compressíveis em edifícios e pontes para ajudá-los a resistir a terremotos. Hoje, essas estruturas estão protegidas com sucesso em algumas das áreas mais propensas a terremotos do mundo, como Tóquio, São Francisco e Taiwan.

4. Isolamento térmico

Apollo 15 (Foto: NASA)

Após uma maratona, corredores são envoltos em mantas térmicas prateadas para evitar que o corpo mude de temperatura bruscamente. Esse material, chamado barreira radiante de isolamento, foi, na verdade, criado para o espaço. É que a temperatura fora da atmosfera da Terra pode variar bastante, de centenas de graus abaixo de zero a centenas acima. Para proteger os astronautas durante o programa Apollo, a NASA criou um tipo de isolamento leve e eficaz.

Hoje, o material ainda é usado para proteger astronautas e eletrônicos sensíveis em quase todas as missões espaciais, mas também passou a ser utilizado em muitos lugares, aqui na Terra — desde as mantas para atletas até isolamento em edifícios para economia de energia. Também protege os componentes das máquinas de ressonância magnética usadas na medicina, e muito mais.

5. Monitores de saúde

Pacientes em hospitais estão conectados a sensores que enviam dados importantes de saúde aos médicos e enfermeiros de plantão. Assim, quando um alarme dispara, alguém aparecerá para ajudar. Essa tecnologia salva vidas todos os dias, mas ela, na verdade, foi criada para enviar dados de saúde do espaço à Terra.

Quando os astronautas da Apollo seguiram rumo em direção à Lua, eles permaneceram conectados a um sistema de sensores que enviavam informações em tempo real sobre pressão sanguínea, temperatura corporal, frequência cardíaca e muito mais, a uma equipe na Terra. O sistema foi desenvolvido para a NASA pela Spacelabs Healthcare, que rapidamente o adaptou para o monitoramento hospitalar, o que acabou sendo adotado em quase todos os hospitais do mundo, e continua se expandindo para que médicos possam acompanhar a saúde de seus pacientes mesmo fora do hospital.

Se os benefícios do programa Apollo trouxeram avanços para todo o mundo, e é bem provável que o programa Artemis, que levará astronautas novamente à Lua em 2024, também faça o mesmo, já que serão necessárias tecnologias cada vez mais avançadas para chegar — e permanecer — por lá. Claro, ainda vai demorar um pouco até que essas inovações sejam parte do nosso cotidiano, mas podemos esperar que elas transformarão o mundo das próximas gerações.

Fonte: NASA

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