Trailer, teaser, sneak peek... Afinal, qual a diferença?

Por Laísa Trojaike | Editado por Jones Oliveira | 15 de Maio de 2021 às 15h00
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“A propaganda é alma do negócio”, diz o popular ditado. E, em alguma medida, faz todo sentido. Basta pensarmos na divulgação que têm os principais filmes da Warner Bros, da Netflix ou da Disney, por exemplo. Para quem gosta de acompanhar filmes e séries desde o anúncio até a divulgação do trailer final e dos comerciais para TV, há toda uma gama de produtos publicitários que parecem e não parecem a mesma coisa.

Os principais blockbusters são os títulos que costumam ter uma maior cobertura publicitária. Além disso, eles contam com a ajuda dos fãs e do jornalismo especializado, que cobre cada detalhe das produções, desde o anúncio até o lançamento do filme, passando pela divulgação de anúncio de elenco, teasers, trailers, featurettes, comerciais, pôsteres e muito mais.

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Nesse caminho, da pré-produção ao lançamento, tudo pode ser publicidade, até aquele rumor polêmico que deixou a internet em polvorosa. Falsos vazamentos, falsas iscas e até mesmo propagandas enganosas fazem parte desse grande espetáculo. A publicidade, inclusive, pode ser o céu e o inferno de uma produção, vide o prejuízo causado com a suspensão do lançamento de Sem Tempo Para Morrer por causa da pandemia da COVID-19.

Imagem: Reproução/twenty20photos/Envato

Para os espectadores, os termos podem parecer confusos, sobretudo para quem quer evitar ver grandes spoilers ou para quem acha que ver imagens dos bastidores acaba com “a magia do cinema”. Para melhor controlar nossa própria experiência enquanto espectadores, é interessante saber como as distribuidoras divulgam seus produtos artísticos. Entender o que é cada peça publicitária também nos ajuda a desenvolver um olhar mais atento, que poderá evitar decepções, como quando alguém se sente enganado pelo trailer.

Antes de entendermos as diferenças entre trailer, teaser e outros tipos de peças publicitárias de cinema, uma dica para evitar decepções: propaganda de cinema existe para nos atrair como consumidores, não para revelar o que realmente vamos encontrar em uma obra. Em outras palavras, a publicidade de cinema está muito mais interessada em nos empolgar do que entregar o que veremos de fato. "O golpe tá aí, cai quem quer".

Anúncio, Teaser e Teaser Trailer

Nos tempos em que víamos filmes nos cinemas e séries nas TVs, esse tipo de classificação da publicidade cinematográfica era mais fácil, mais útil e fazia mais sentido. Hoje, os limites entre uma coisa e outra começam a se confundir ou a se expandir, sobretudo pelas publicidades alternativas que surgem em redes sociais e plataformas de streaming.

O teaser é, literalmente, uma prévia e uma provocação. É um vídeo curto, geralmente com no máximo um minuto, em que nos é mostrado apenas alguma coisa muito breve, que atice nossa curiosidade pelo filme. Essa é a parte mais enigmática da divulgação, com os estúdios liberando pouquíssimas informações e deixando nossa imaginação agitadíssima com especulações sobre o que acabamos de ver: pode ser uma logo, uma imagem borrada, uma montagem de imagens que mostram muito, mas não dizem nada... A criatividade é o limite.

Recentemente, a Netflix lançou um teaser da nova série dos criadores de Dark. O selo Netflix e a referência à série alemã já são grandes chamarizes de audiência, mas não custa nada atiçar a curiosidade dos espectadores com um teaser que nos entrega terror, angústia, medo e desespero com um simples zoom in em alto-mar:

Às vezes, já sabemos tudo o que há para saber sobre algum título, mas, mesmo assim, o teaser empolga simplesmente porque nós, fãs, estamos no hype. Isso acontece com frequência, mesmo em teasers bem simples, como o de Homem-Aranha: No Aranhaverso 2, que anunciava o ano de lançamento do filme:

Se ninguém sabe sobre o projeto e ele é revelado através do primeiro teaser, podemos chamar essa peça de “anúncio”, como fez a Netflix ao lançar o primeiro teaser de Arcane:

Trailer e Red-Band Trailer

O trailer é o vídeo mais tradicional, aquele que víamos no início das fitas VHS e nos cinemas. Sua diferença com relação ao teaser vai além de questões técnicas de tempo, mas a duração nos ajuda a definir. Enquanto os teasers vão até mais ou menos um minuto de duração, os trailers podem chegar a três minutos e, quando alguma distribuidora acredita que o filme tem ainda mais a mostrar, eles podem ganhar alguns segundos a mais. As séries, por terem o material de toda uma temporada em mãos, tendem a lançar trailers maiores que os de cinema.

O trailer é como se fosse a peça "mais" oficial de divulgação do filme e, por isso, é importante que todos os principais nomes estejam creditados, sendo essa a principal diferença com relação ao teaser, que pode se dar ao luxo de nem sequer colocar a logo da produtora. No trailer, conhecemos personagens, gênero do filme e algumas indicações sobre a trama. Esses vídeos também aproveitam para ostentar grandes nomes, premiações e críticas positivas, qualquer coisa que possa instigar os espectadores em potencial.

O Red-Band Trailer se diferencia do trailer normal apenas por uma questão de classificação indicativa. Filmes +18 ganham trailers que não mostram essas partes +18, deixando o vídeo seguro para todos os públicos. Um trailer com restrições permite uma divulgação mais ampla do material, sobretudo nos cinemas, que não ficam limitados a divulgar o trailer somente em sessões de filmes +18 — até mesmo porque raramente temos algum +18 em cartaz.

Para indicar que o trailer é restrito, uma tela vermelha (com as inscrições necessárias) é inserida antes do trailer, um alerta de que o conteúdo a seguir é pesado. Os Red Band trailers também podem ser limitados pelas plataformas de divulgação online, como o YouTube, que alerta o usuário de que o conteúdo do vídeo de Deadpool pode ser impróprio para alguns usuários:

TV Spot ou Comercial para TV

Como o nome em português indica, o spot é um comercial que será exibido nas janelas de 30 segundos disponibilizados pelas emissoras. Quanto maior a divulgação, mais cara ela é, o que indica que os filmes divulgados nos horários mais caros da TV são também as maiores apostas das produtoras. Nem todos os comerciais têm 30 segundos, claro, mas não esqueçamos que, quanto maior o comercial, mais janelas de 30 segundos serão necessárias e, portanto, maior o valor pago.

Quando um spot aparece em um horário comercial disputadíssimo, como o do Super Bowl nos EUA, podemos ter certeza que aquele título almeja ser um grande blockbuster e que a distribuidora está apostando tudo naquele título. No último Super Bowl, por exemplo, tivemos a divulgação de alguns trailers de filmes que ainda não foram lançados no Brasil e títulos aguardadíssimos como Velozes & Furiosos 9 e o já lançado Falcão e o Soldado Invernal (com o maior de todos os trailers).

Featurette, Making-of e Bastidores

Originalmente, o featurette não é necessariamente uma peça publicitária, mas sim um filme de média-metragem. Algumas fontes apontam que o featurette deve ter entre 24 e 40 minutos (menor que um longa e maior que um curta), mas a internet já tratou de bagunçar bastante isso e, hoje, os featurettes são pequenos docs com bastidores dos filmes, como este de Cruella, com pouco mais de um minuto:

Antigamente, os featurettes eram versões menores e mais comerciais dos making-ofs, que são os documentários oficiais das produções, responsáveis por registrar o processo de feitura de um filme ou se uma série. Hoje, os featurettes são pequenos vídeos documentais, geralmente voltados para a promoção do filme (o que significa que este não é um bom material para procurar por problemas significativos ou tretas de bastidores).

Os featurettes são os vídeos perfeitos para quem gosta de ver curiosidades de bastidores, entender melhor os personagens ou acompanhar as declarações da equipe. Infelizmente, poucos featurettes são traduzidos para o português, mas esse movimento tem mudado um pouco nos últimos tempos, sobretudo com os extras divulgados pela Netflix e pelo Disney+.

Sneak peek

Sneak peek equivale a algo como "provinha", "espiadinha" ou "aperitivo", para quem procura um termo que não esteja no diminutivo. Isso significa que teremos acesso a uma prévia da obra, prévia esta que pode ser completa ou incompleta.

Quando uma sessão é feita antes do lançamento oficial, ela pode ser chamada de sneak preview e, em alguns casos, pode ser utilizado também o termo "sneak peek". No contexto de divulgação internacional de um filme (que é o nosso caso), não podemos imaginar que as distribuidoras liberariam o filme todo no YouTube, por exemplo. Sendo assim, os sneak peeks se tornaram amostras de trechos da obra que possam empolgar e fisgar potenciais espectadores.

O sneak peek não tem limitação de tempo, como o spot ou o teaser, nem as responsabilidades com os créditos, como tem o trailer. Atualmente, eles soam mais como uma forma de lançar vídeos promocionais curtos, com imagens do filme e sem ter que “perder” tempo com créditos que não poderão ser lidos em pequenas telas, sobretudo quando publicados em feeds como o do Instagram.

Clip ou Clipe

Por fim, o clipe. Não confundir com os videoclipes de música (que também são peças de divulgação, sobretudo de filmes musicais). O clipe é a divulgação de uma sequência ou cena de uma obra, sem haver novos cortes: o que vemos no clipe poderá ser visto, sem alteração, no próprio filme. Essas divulgações costumam surgir somente após o lançamento do filme e geralmente indicam o reconhecimento daquele momento como um dos mais icônicos da obra.

Nos casos em que os clipes são divulgados antes do lançamento, a ideia é a mesma das outras publicidades: nos deixar curiosos com o que está por vir. Tudo isso, no entanto, não é uma classificação imutável. A cada dia, esses materiais têm seus formatos modificados e, para entender com clareza o que está acontecendo, é preciso acompanhar de perto os movimentos do cinema não apenas como arte, mas como a indústria que também é.

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