Quibi morreu: streaming dedicado a celulares durou pouco mais de 6 meses

Por Claudio Yuge | 21 de Outubro de 2020 às 21h00
Quibi

A proposta de uma “Netflix” para conteúdo produzido especificamente para ser consumido em celulares até chegou a seduzir muitos fãs e investidores do Quibi. Contudo, a plataforma parece não ter conseguido se posicionar em um mercado que já possui concorrentes audiovisuais de peso no cenário mobile, como YouTube e TikTok. O resultado, segundo o The Wall Street Journal, é que o Quibi, com pouco mais de seis meses de operação, está fechando as portas.

Entre as razões dessa “morte precoce” seria não somente a rivalidade com YouTube e TikTok, mas também um mau momento para o lançamento, justamente quando os usuários passaram a ficar mais tempo em casa, por conta do distanciamento social causado pela pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Como a proposta é de um streaming mobile, o apelo comercial do Quibi caiu em relevância.

Além disso, faltaram atrações que realmente agregassem um valor inovador à plataforma. Ou seja, por que você usaria um serviço de streaming pago dedicado aos celulares, sendo que o conteúdo não traz assim grandes diferenças ou títulos exclusivos de grande apelo? Pois é, essa é uma das perguntas que ficaram ecoando nos últimos meses à frente do Quibi no mercado.

Imagem: Reprodução/Quibi

Não está claro o que acontecerá com a programação da empresa para os programas originais e curtas-metragens e repletos de estrelas que vinham cogitados. Mas os indícios de que a plataforma vinha caindo já apareciam ultimamente: segundo informações de bastidores, o cofundador Jeffrey Katzenberg ofereceu o Quibi para Apple, Facebook e WarnerMedia, sem sucesso. Em uma segunda negociação, ele teria tentado vender o conteúdo do Quibi para a NBCUniversal e para o Facebook, mas isso também não teria dado certo.

Trajetória curta

O Quibi foi lançado em 6 de abril de 2020, há pouco mais de seis meses, com dois planos: com anúncios, a US$ 4,99 (R$ 28 na conversão direta); ou sem publicidade, a US$ 7,99 (R$ 44,80). A empresa procurou se posicionar exclusivamente no streaming para dispositivos móveis, com um sistema inovador de produção: cada programa foi gravado e editado tanto no formato retrato como paisagem, permitindo a sua visualização em qualquer orientação num smartphone.

Sem opção gratuita, os consumidores só podiam conhecer a plataforma via um período de degustação com pagamento posterior. Até recentemente, o Quibi também não tinha um app compatível com Apple TV, Android TV ou Fire TV. Apesar dos 1,75 bilhão de dólares que Katzenberg e a cofundadora e CEO Meg Whitman levantaram, o Quibi chegou a ter certo prestígio, após vencer dois prêmios Emmy com suas atrações originais em setembro.

As atrações exclusivas do Quibi até conquistaram bastante fãs (Imagem: Reprodução/Quibi)

Mas um relatório da empresa de rastreamento de aplicativos Sensor Tower em julho afirmou que o Quibi perdeu mais de 90% de seus assinantes após o término do teste inicial de três meses. Apenas 72 mil dos cerca de 910 mil usuários que haviam se registrado no lançamento permaneceram como assinantes — embora o Quibi conteste esses números.

O Quibi, então, embora premiado e com uma premissa interessante, está morto — pelo menos por enquanto. A companhia ainda não emitiu um comunicado oficial.

Fonte: The Wall Street Journal  

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