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O que é super sentai?

Por| Editado por Jones Oliveira | 19 de Abril de 2023 às 11h00

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Toei Company
Toei Company

Independente da sua idade, você certamente já deve ter visto algum grupo de super-heróis em lycra colorida pilotando um robô gigante. Os super sentais se tornaram algo tão icônico na cultura pop que é impossível não saber quem eles são. Basta ver como, no Brasil, Power Rangers se tornou um fenômeno cultural que ultrapassa gerações. Contudo, a série ocidental é apenas uma pequena parte de um universo muito maior de guerreiros de collant e robôs gigantes.

Criados no Japão, os super sentais são séries tão populares quanto longevas. Criados ainda na década de 1970, eles se tornaram tão famosos em seu país de origem que não demorou para serem exportados para outros cantos do planeta — primeiro com as produções originais e, depois, reproduzindo a fórmula em novos derivados.

E a maior prova do quanto a coisa se tornou grande ao longo das décadas é como a franquia se tornou gênero. A série fez tanto sucesso e ganhou tantas variações a cada temporada que não demorou para que os heróis coloridos virassem um estilo que chegou a ser importado.

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Um começo colorido

A franquia Super Sentai foi criada pela Toei em 1975 como uma forma de variar as produções da época. Nesse período, os tokusatsus — os seriados de heróis contra monstros gigantes — ainda seguiam uma fórmula bem inspirada em Ultraman e até Kamen Rider, com um herói solitário tendo que salvar o mundo dessas criaturas. Foi então que a ideia dos esquadrões veio à tona.

A ideia era justamente esta: trazer uma equipe de heróis bem diferentes e coloridos para fazer aquilo que apenas um único personagem fazia. Era uma forma de criar algo diferente, visualmente impactante para atrair as crianças e com muito potencial para gerar diferentes brinquedos.

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Além disso, a cada nova temporada, a franquia Super Sentai ganha uma nova versão — e todos eles seguindo a mesma estrutura: um grupo de heróis com poderes especiais, uniformes coloridos, uma unidade temática costurando esses personagens e robôs gigantes. É quase como se fosse uma nova série, mas ainda ambientada no mesmo universo. Não por acaso, de tempos em tempos há algum especial reunindo todos eles.

E essa ideia de equipe é algo que está na essência dos sentais. Afinal, é justamente isso o que significa o termo: em japonês, a palavra é usada para descrever unidades militares, como uma força-tarefa ou um esquadrão.

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Tanto que as primeiras séries da franquia estavam bem mais ligadas a essa lógica. O conceito surgiu primeiramente em Himitsu Sentai Goranger, que pode ser traduzido como Esquadrão Secreto Goranger, que nada mais era do que uma unidade especial militar internacional para lidar com uma grande organização terrorista.

O curioso é que, naquela época, os grupos eram conhecidos apenas como Sentai. O Super passou a ser incorporado na terceira geração de heróis, com Battle Fever J, quando os robôs gigantes foram incorporados à fórmula.

Em Goranger e JAKQ Dengeki, seu sucessor, a ideia era apenas a desse grupo de operações especiais com trajes especiais e coloridos indo para a ação. Ainda assim, alguns elementos icônicos já estavam estabelecidos desde o início, como o padrão colorido e a unidade temática.

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Aliás, já nessas primeiras temporadas é que nasce outra grande tradição dos Sentais: toda equipe é sempre liderada pelo membro com o uniforme vermelho. E a razão para isso é mais do que simples: essa é a cor-símbolo do Japão e nada mais natural do que colocá-la à frente de todas as outras.

Super de verdade

É a partir de Battle Fever J, em 1979, que os Super Sentai começam de verdade. Com a introdução do Battle Fever Robo — um robô gigante com um visual samurai —, a fórmula da série se consolida de uma vez por todas e passa a ser replicada por mais de 40 anos com apenas algumas atualizações aqui e ali.

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Aliás, o seriado também já deixava claro o interesse da Toei de exportar o formato. Ele foi desenvolvido em parceria com a Marvel e já trazia uma trama com uma pitada mais internacional. Tanto que cada um dos heróis representava um país: Japão (Vermelho), França (Azul), Quênia (Preto), União Soviética (Amarelo) e Estados Unidos (Rosa).

E embora a diferença étnica não fosse tão clara aqui, ela se tornou marcante quando o conceito das super-equipes chegou ao Ocidente. Basta lembrar como a primeira temporada Power Rangers reproduziu essa mesma lógica ao escalar seus heróis.

A partir daí, os Super Sentais passaram apenas a aprimorar seus conceitos. Em Denshi Sentai Denjiman (1980), os trajes foram uniformizados e, em Taiyou Sentai Sun Vulcan (1981), o robô gigante passou a se dividir em outras unidades menores e individuais para cada membro do time.

Aliás, a parceria com a Marvel durou três temporada e tinha ninguém menos do que Stan Lee como um dos grande entusiastas do formato. Tanto que, já em 1982, ele queria trazer os Super Sentais para o Ocidente, mas sem sucesso.

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Chegada ao Brasil

Apesar de serem fenômenos no Japão e em alguns países do mundo, os Super Sentais nunca tinham chegado ao Brasil até então. Isso só foi acontecer em 1988 com a estreia de Esquadrão Relâmpago Changeman na saudosa TV Manchete. A história dos heróis coloridos fez tanto sucesso que ficou no ar anos, passando por emissoras como Record e Gazeta e abriu as portas para a vinda de outras produções, como Comando Estelar Flashman e Gigantes Guerreiros Goggle V.

O curioso é que a estreia dos esquadrões de lycra cromática em terras tupiniquins veio mesmo à moda brasileira: completamente fora de ordem e com uma lógica difícil de entender até hoje.

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Isso porque Changeman era a nona iteração da franquia Super Sentai e chegou aqui à frente de algumas de suas predecessoras originais. Os heróis com poderes mitológicos apareceram no Japão em 1985, bem depois de Goggle V, que é de 1982, mas só estreou na Rede Bandeirantes em 1990.

O fato de as séries funcionarem de forma isolada ajudou a tornar essa salada cronológica menos confusa. E, a bem da verdade, isso também fez pouca diferença: a vinda dos heróis e dos robôs coloridos ao Brasil deu início a uma febre que marcou a década de 1980.

E, nesse sentido, Changeman foi o grande divisor de águas. A ideia de misturar a fórmula do sentai com uma temática mitológica deu muito certo e ajudou a consolidar o conceito no imaginário do público.

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Power Rangers e os sentais ocidentais

Heróis coloridos, robôs gigantes, inimigos alienígenas e uniformes temáticos. Você deve estar se perguntando onde os Power Rangers se encaixam nessa história toda, já que os personagens que marcaram a infância de gerações se encaixam perfeitamente nessa definição.

E você está certo, já que a série americana nada mais é do que um Super Sentai japonês que foi adaptado para chegar ao Ocidente com uma estética mais próxima daquela que as séries americanas já faziam.

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Quando a Saban adquiriu os direitos da Toei, em 1993, a ideia não era apenas licenciar o conteúdo e transmitir o seriado japonês nesse canto do globo. O que o estúdio fez foi pegar todo o conceito e até mesmo parte do conteúdo da série Zyuranger, lançada no Japão um ano antes, e dar uma nova roupagem.

A ideia era deixar a coisa o menos japonesa possível. Assim, todas as cenas que eram protagonizadas pelos personagens em seus trajes humanos foram retiradas e substituídas por outras com os personagens da nova versão. Foi assim que Jason (Austin St. John), Billy (David Yost) e os demais heróis da primeira geração surgiram, a temática medieval é abandonada por uma trama escolar e os Zyurangers se transformaram nos Power Rangers.

Há até uma curiosidade bem peculiar sobre essa adaptação improvisada da Saban. No Super Sentai original, o ranger amarelo que pilotava o robô do Tigre Dentes-de-Sabre era um homem, enquanto o seriado americano trazia uma mulher no papel. Assim, quando Power Rangers trazia a Ranger Amarela em destaque, dava para notar um certo volume no uniforme que não fazia sentido para a personagem.

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E essa parceria tão peculiar seguiu por um bom tempo a ponto de Power Rangers se tornar uma franquia tal qual Super Sentai era no Japão — e ela continuava adaptando os heróis coloridos da Toei e fazendo as mudanças necessárias para o paladar ocidental.