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O que é tokusatsu?

Por| Editado por Jones Oliveira | 20 de Abril de 2023 às 15h00

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Toei Company
Toei Company

Se você tem mais de 30 anos, certamente é familiar a nomes de heróis como Kamen Rider, Winspector e Ultraman — isso sem falar, é claro, do lendário Jaspion. São personagens que marcaram a TV brasileira em meados da décadas dos anos 1980, período marcado pela invasão das séries japonesas por aqui. Contudo, esses personagens são parte de um fenômeno muito maior da cultura pop nipônica: os tokusatsus.

Tanto que é bem provável que você já tenha ouvido o termo em algum momento. E embora ele seja usado para se referir a essas produções de super-heróis de armadura contra monstros gigantes de borracha, a verdade é que esse gênero tão peculiar é bem mais abrangente do que isso.

A maior prova disso está na própria origem do termo. Tokusatsu é uma abreviação para a expressão tokushu kouka satsuei, que nada mais é do que “filme de efeitos especiais”. E, se no contexto atual isso significa literalmente qualquer coisa, ela tinha uma conotação bem diferente quando surgiu a partir dos anos 1950.

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O boneco de borracha no centro do entretenimento

Hoje, a gente pode considerar o tokusatsu como toda série de herói com essa pegada de ficção científica produzida no Japão. E, por isso mesmo, ele é um termo guarda-chuva que vai incluir desde os Super Sentais ao estilo Power Rangers aos Metal Heroes e ao clássico Ultraman. Só que o nascimento desse gênero está ligado a outro ícone japonês: o Godzilla.

A ideia de criar cidades em miniatura para um ator em roupa de borracha destruir tudo era um feito incrível para o cinema da época. E mais do que dar forma ao horror atômico no imaginário pós-Segunda Guerra, os filmes do lagarto radioativo inovaram ao trazer uma série de efeitos visuais que abriram as portas para outras criaturas parecidas.

Tanto que esse primeiro momento do cinema tokusatsu ficou conhecido justamente pelas histórias de kaijus, os famosos monstros gigantes que marcam a cultura pop japonesa. Além de Godzilla, outras criaturas passaram a invadir as telas, como Gamera, Mothra, Rodan e Gidorah.

E se existem monstros destruindo tudo, é preciso alguém para resolver o problema. Em 1957, três anos depois do surgimento de Godzilla, foi lançado o filme Super Giant, que trazia uma estética medonha, mas soube usar muito bem as técnicas que o réptil gigante apresentou e fez o público japonês se empolgar também com super-heróis.

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A partir disso, os tokusatsus passaram a girar em torno dessa relação do herói contra a grande ameaça. Um dos mais lembrados dessa época, por exemplo, é o emblemático National Kid (1960), que personifica muito bem o clima de ficção científica que sempre esteve muito presente nos tokusatsus com o clima de baixo orçamento que marcam as produções da época.

Uma Ultra novidade

Mas parte daquilo que a gente conhece de tokusatsu vai nascer só em 1966 com o surgimento de Ultraman. A série da Tsuburaya Productions não era nada muito diferente daquilo que as séries da época apresentavam até então, com a diferença de que o herói não era apenas um mascarado normal, mas alguém capaz de se tornar tão gigante quanto os monstros que enfrentava.

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Se o Godzilla era essa ameaça tão icônica da cultura pop japonesa, os seriados tinham finalmente apresentado um adversário à altura. Além disso, ele trazia toda a dinâmica clássica do super-herói, como a identidade secreta e o desafio de equilibrar essa vida dupla enquanto alienígenas invadem a Terra.

Só que o que conquistou o público foi ver esse herói prateado ficar gigante e descer a porrada no monstro da semana. E tudo isso com esses efeitos que marcaram o cinema e que foram se aperfeiçoando e evoluindo ao longo dessa primeira década. Adicione o fato de ser uma das primeiras produções do tipo a cores e você tem o produto perfeito.

Não por acaso, o lançamento de Ultraman consolidou o surgimento de um novo subgênero dentro dos tokusatsus — os Kyodai Hero. Eles são justamente esses personagens que crescem na luta final para resolver tudo o que podiam ter feito já nos primeiros minutos do episódio.

Esse sucesso todo também se repetiu em outros países, tanto que Ultraman chegou a ser exibido até mesmo no Brasil já nos anos 1970 pela TV Tupi. Além disso, a franquia passou a receber outros derivados e segue viva até hoje.

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A transformação dos mascarados

Só que o fenômeno Ultraman não impediu que outros heróis também surgissem e se tornassem tão icônicos quanto ele. Kamen Rider (1971) trouxe os heróis mascarados de volta ao centro da ação e ajudou a popularizar os Henshin Hero.

O termo está ligada à expressão que literalmente significa transformar, em japonês, e corresponde a esse estilo de história do herói que passa por esse processo para vestir seu traje especial e ir à luta. E embora seja algo que Ultraman já tinha, se tornou muito forte nos tokusatsus a partir do gafanhoto motociclista.

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Isso inclui produções como Lion Man, Machine Man e Patrine. Contudo, foi com Kamen Rider que essa estrutura ganhou força a ponto de a franquia se tornar quase sinônimo desse subgênero. Ora enfrentando alienígenas invasoras, ora acabando com organizações do mal, o herói se tornou uma franquia muito importante também para manter levar esse tipo de produção para fora do Japão.

Os heróis de metal

O curioso é que, embora Kamen Rider tenha sido muito popular aqui no Brasil, quem abriu as portas para a invasão japonesa foram os chamados Metal Heroes, outro subgênero dentro dos tokusatsus.

Como o próprio nome diz, são aqueles heróis com armadura metálica que você deve conhecer muito bem pelo fantástico Jaspion. O herói prateado foi o primeiro Metal Hero a chegar às terras tupiniquins e virou um verdadeiro fenômeno, fazendo com que as emissoras corressem atrás de outras produções dentro do mesmo estilo.

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Foi assim que, entre as décadas de 1980 e 1990, tivemos séries como Jiban, Jiraya, Gavan, Sharivan e Metalder chegando por aqui. E um caso que traduz muito bem a influência de Jaspion nisso tudo é que Spielvan foi lançado no país com o nome Jaspion 2, mesmo não tendo nada a ver com o policial espacial.

Outro destaque dentro dessa categoria foi a dobradinha Winspector e Solbrain. Isso porque, ao invés de combaterem esse grande vilão alienígena, eles eram heróis voltados para questões mais imediatas da Terra. Nos dois casos, as histórias eram focadas em equipes de resgate que caçavam bandidos, lidavam com incêndios e prendiam organizações que atacavam o meio ambiente.

E os Super Sentais?

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Embora a gente tenha convencionado a tratar os Super Sentais como algo à parte, a verdade é que os heróis de lycra colorida nada mais são do que um tipo de tokusatsu. Até porque, na essência, também estamos falando dessas aventuras de ficção científica que brincam com efeitos visuais para criar os monstros e robôs gigantes.

Tanto que Super Sentai é, na verdade, uma franquia de tokusatsu que se tornou tão grande e popular que passou a caminhar com suas próprias pernas e a gerar suas próprias tendências. Ainda assim, conceitualmente, os rangers e derivados seguem dentro do grande guarda-chuva dos tokusatsus.