Novos Mutantes | 8 maiores diferenças entre o filme e as HQs da Marvel
Por Claudio Yuge |

Depois de um caminho bastante tortuoso, Novos Mutantes finalmente foi lançado lá fora e tem previsão de exibição no Brasil no dia 8 de outubro — entre outros vários adiamentos, a última data estabelecida para cá era 10 de setembro, mas, como sabemos, grande parte das salas ainda estão interditadas por conta da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Muita gente já viu o longa, que trouxe algumas diferenças importantes em relação ao material original o qual foi inspirado.
- A “maldição” dos Novos Mutantes: veja a trajetória do filme mais zoado da Marvel
- Jovens, problemáticos e divertidos: As 10 melhores histórias dos Novos Mutantes
- Crítica | Novos Mutantes teria sido melhor com a ajuda da franquia X-Men
A trama vai de encontro com a fase clássica de Chris Claremont e Bill Siekiewicz, no arco do Urso Místico, publicado originalmente nos quadrinhos em 1984. E o que mudou da obra impressa à conversão para as telonas? Abaixo estão algumas das alterações mais relevantes para o último filme da franquia X-Men produzido pela Fox Films.
Atenção: o texto abaixo contém spoilers de Novos Mutantes!
1. Ambientação
Em suma, toda a configuração do cenário e do enredo é bem diferente dos quadrinhos. No filme, cinco adolescentes são mantidos em cativeiro em um hospital psiquiátrico abandonado, que, aparentemente, trata-se de uma instalação “alternativa” da Escola Xavier para Jovens Superdotados — posteriormente ficamos sabendo que é um prédio da organização Essex, do vilão geneticista Senhor Sinistro. A Dra. Cecilia Reyes tenta manter, sozinha, o controle da situação, mas tudo desanda quando Danielle Moonstar evoca seus poderes dormindo, o que atrai a atenção do Urso Místico.
Nas HQs, o evento acontece enquanto os Novos Mutantes estão oficialmente na Escola para Jovens Superdotados de Xavier, onde não são prisioneiros. E, ao passo que o antagonismo das revistas gira em torno do Urso Místico, no filme as ameaças são a própria Reyes e o manicômio.
2. Ainda em aprendizado
Nos quadrinhos, a saga do Urso Místico começa em um momento quando os Novos Mutantes já sabem como usar bem seus poderes. No filme, eles ainda estão “crus” e sofrem para utilizar suas habilidades.
Por exemplo, no longa, Míssil ainda se sente muito inseguro e Mancha Solar sequer tem ideia da extensão de sua força. Eles são simplesmente adolescentes que querem ficar isolados, mas são obrigados a agir em equipe para lutar — bem diferente das HQs, em que, embora os aprendizes tenham lá seus problemas de relacionamento, já sabem como utilizar suas habilidades, inclusive em grupo.
3. Magma
Uma das maiores diferenças que os fãs dos quadrinhos vão notar é a ausência de Magma, uma dos integrantes originais dos Novos Mutantes. Embora posteriormente ela não tenha participado ativamente do grupo, como outros integrantes, a heroína tem grande relevância na saga do Urso Místico.
Segundo o diretor Josh Boone, há um motivo para essa decisão. Magma é de um antigo mundo romano que existe na Amazônia. E como isso não havia sido estabelecido no universo dos X-Men na Fox, ficaria difícil explicá-la em meio à já congestionada narrativa da trama.
4. Lockheed
O carismático dragão alienígena roxo é famoso por ser o ajudante de Kitty Pryde nos quadrinhos. Já no filme, ele está ao lado de Illyana, e aparece, inicialmente, como um boneco de pano que ela usa na mão, como mecanismo de defesa mental. A criatura só ganha vida quando a mutante vai para o Limbo. E sua forma real, como conhecemos nas revistas, aparece apenas na batalha final.
5. Illyana Rasputin
Aqui está outra mudança substancial. Nos quadrinhos, Illyana Rasputin é russa e é irmã de Colossus. Quando ela tinha seis anos, foi sequestrada e levada para o reino do Limbo, onde permaneceu por sete anos. Na realidade das revistas, a mutante retorna apenas alguns segundos depois, já com 13 anos, como a Rainha do Limbo, apresentando habilidades poderosas e magia sombria.
No filme, Illyana foi violentada por homens mais velhos, que também se aproveitaram de seus poderes. Como resposta, ela criou a dimensão alternativa do Limbo, que é para onde se teletransporta para esconder sua dor. Sua presença constante nesse plano eventualmente o concretiza em algo real — o que é uma caracterização bem distinta da localidade pré-existente nas revistas.
Além disso, a personagem não tem o sotaque carregado que Colossus apresentou em suas várias participações na franquia X-Men, inclusive como coprotagonista de Deadpool — aliás, Illyana sequer cita o irmão.
6. Dani Moonstar
Em Novos Mutantes, ela é uma nova prisioneira/paciente da Dra. Cecilia Reyes e não tem ideia de quais são seus poderes mutantes. Dani está sozinha, depois que sua família e vizinhos morreram em um ataque misterioso.
Já nos quadrinhos, ela é um membro pleno da equipe e desempenha um papel bem diferente, com uma personalidade mais proativa e até de liderança. Enquanto no filme a Dra. Reyes tenta matá-la para impedir os ataques do Urso Místico, o que a deixa fora de ação, nas revistas ela luta com o vilão e quase é morta, após ser espancada.
7. Romance entre Dani e Rahne
Nos quadrinhos até existe uma certa conexão entre Lupina e Miragem, entretanto, o relacionamento amoroso entre ambas nunca foi explícito. Já no filme, isso acontece naturalmente e faz parte da jornada de descoberta das personagens.
Essa talvez seja a melhor mudança, pois os X-Men lidam, basicamente, com questões envolvendo diferenças e representatividade — veja bem, isso faz parte do DNA das revistas; e as equipes mutantes sempre tiveram integrantes de etnias e nacionalidades de todas as partes do globo. Então, em tempos em que o Marvel Studios e o mundo buscam mais diversidade, essa foi uma ótima adição ao material original.
8. O Urso Místico
Aqui está a maior alteração que o filme fez em relação aos quadrinhos. Nas revistas, o vilão é uma entidade que se alimenta dos sentimentos ruins das pessoas. Rahne descobre, ao entrar na mente de Dani, que a equipe precisa aprender a trabalhar em conjunto para detê-lo.
Contudo, ainda que hajam semelhanças desses dois aspectos na comparação com o longa, o Urso Místico dos cinemas é, na verdade, a personificação do “lado ruim” que todos temos — neste caso, é uma faceta de Dani, alimentada pela sua própria capacidade de criar ilusões sólidas.
A solução de Josh Boone para um filme de baixo orçamento (quando comparado com toda a franquia) é razoável e faz sentido, mas muda toda a dinâmica da batalha final e do próprio antagonismo. No final das contas, com isso, Novos Mutantes fica sem o peso de um grande vilão e o confronto de encerramento se torna completamente diferente e bem inferior aos quadrinhos.
A ideia talvez fosse que essa dualidade de Dani pudesse ser explorada em possíveis sequências, o que soaria mais interessante. Porém, na visão sobre a trama em arco completo, essa alteração soa como uma história inacabada, com uma conclusão sem grande impacto.
Fonte: Com informações do CBR