Clássicos do cinema: 10 dos melhores filmes dos anos 1950

Clássicos do cinema: 10 dos melhores filmes dos anos 1950

Por Sihan Felix | 10 de Janeiro de 2021 às 20h30
Divulgação

Sabemos da diversidade do nosso público e, pensando nisso, resolvemos resgatar clássicos do cinema. Muitos deles, claro, não precisam ser exatamente resgatados — afinal, permanecem presentes no imaginário de quem os assistiu ou, ainda, fazendo parte de nossas formações. Acontece que, nos streamings mais populares, proporcionalmente, pouco há do catálogo de antes da década de 1990. Então, comecemos pelos anos 1950, década na qual a televisão se popularizou e os estúdios buscavam atrativos para trazer o público de volta para as salas de exibição.

Por causa disso, foi nessa década que passou a se usar com frequência a técnica de filmagem em widescreen, passando pelo Cinemascope, pelo VistaVision e pelo Cinerama, além de termos os primeiros trabalhos com a utilização do 3D — em 10 de Abril de 1953, estreou Museu de Cera (de André De Toth), o primeiro filme em três dimensões, a cores e com som estéreo. Produções épicas, históricas ou fictícias passaram a ter muita popularidade, como os clássicos Os Dez Mandamentos (de Cecil B. DeMille, 1956) e Ben-Hur (de William Wyler, 1959).

É verdade, porém, que a nossa lista poderia ser bem maior, pois sabemos que deixamos de fora alguns filmes muito queridos e gigantescos para o cinema, como Cantando na Chuva (de Stanley Donen e Gene Kelly, 1952) e Juventude Transviada (de Nicholas Ray, 1955). De todo modo, no campo para comentários, toda indicação será bem-vinda! Podemos ir fazendo uma espécie de corrente. Assim, mais e mais bons filmes poderão ser citados e chegar a todos.

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Vamos, então, à primeira lista do Canaltech de clássicos do cinema, com 10 dos melhores filmes dos anos 1950.

10. A Palavra

Talvez o filme mais pesado e menos assistido de nossa lista, A Palavra é um das produções que melhor trabalham a religião na história cinema, fazendo isso a partir de uma visão ultraformal do diretor Carl Theodor Dreyer. É um trabalho para ser experenciado, seguindo uma família que lida com conflitos internos tanto consigo mesmo quanto com o resto da cidade.

 9. A Estrada da Vida

Acompanhando uma moça que é vendida para um artista em viagem, Federico Fellini constrói uma relação entre o íntimo, representado por ela, e o viver. O caminho, assim, cheio de dores físicas e emocionais, edifica para a eternidade A Estrada da Vida. Essa eternidade, aliás, não está presa em si, é uma eternidade saltimbanco. Ela existe por transgredir qualquer tela de exibição. Seu foco no quanto o imprescindível está próximo e não raramente deixamos de enxergar é o que fará, sempre, com que preenchamos nossos hiatos emocionais.

8. A Marca da Maldade

Se Cidadão Kane, o incontestável das listas, é da década anterior e a estreia do ainda muito jovem Orson Welles, A Marca da Maldade pode ser visto como seu trabalho mais potente em termos de maturação de conceitos. Welles sedimentou muito da linguagem cinematográfica que conhecemos hoje e, aqui, ele parece firme, potente e consolidado. A história do filme é dura e, de certa forma, perversa, trazendo assassinato, sequestro e corrupção policial em uma cidade fronteiriça mexicana.

7. O Batedor de Carteiras

Michel é libertado da prisão após cumprir uma pena por roubo. Sua mãe morre e ele recorre aos furtos como meio de sobrevivência. Com esse pano de fundo, a verdade é que O Batedor de Carteiras está diretamente ligado ao romance Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, mas, claro, com a visão única de Robert Bresson. Ressignificando a obra russa de acordo com suas próprias regras e sua forma única, Bresson economiza na construção dramática para realizar um cinema autoral que potencializa sua própria escola — já bem sedimentada com outros filmes que poderiam estar na lista, como outra obra-prima: Um Condenado à Morte Escapou (1956).

6. Crepúsculo dos Deuses

Billy Wilder é um diretor — como outros da lista — que facilmente poderia ter mais de um filme por aqui. Quanto Mais Quente Melhor (1959), por exemplo, é uma obra-prima da comédia que não faria nada feio completando nossos 10. Acontece que Crepúsculo dos Deuses deve ser o mais incontestável da carreira de Wilder, que fazia da simplicidade, da decupagem esperta e sempre certeira e da agilidade suas ferramentas autorais. É um diretor que sempre esteve preocupado em promover, além de sua arte autoral, um espetáculo para o público, independente de que público é esse e do gênero do filme. Nesse sentido, ele deve ser o mais versátil da lista. Na história de Crepúsculo dos Deuses, um roteirista desenvolve uma relação perigosa com uma estrela de cinema decadente, determinada a fazer um retorno triunfante. É, de fato, um espetáculo.

5. Os Incompreendidos

O filme de estreia de François Truffaut é, geralmente, tido como o primeiro passo da Nouvelle Vague. A verdade é que, apesar de não ter sido, de fato, o primeiro — posto que pertence ao Nas Garras do Vício (de Claude Chabrol, 1958) —, Os Incompreendidos popularizou o movimento francês e inspirou muitos cinemas ao redor do planeta. Com impacto praticamente imediato em sua época, é, talvez, o filme que mais tenha influenciado realizadores e espectadores a enxergarem o cinema com um olhar mais libertador.

4. Rashomon

Nós somos falhos. Desejamos o que não nos pertence; não nos envergonhamos de muitas das nossas falhas – algumas nem julgamos como falhas; pregamos honestidade ao mesmo tempo em que pendemos a uma vida fraudulenta; dizemo-nos cristãos e julgamos (julgamos muito) sem querer que sejamos julgados –; até matamos com as próprias mãos quem não se comporta em um determinado padrão (gênero, cor, credo…). Rashomon é, dessa forma, um estudo intricado sobre a humanidade em seu contexto mais íntimo: o que é, afinal, ser um humano? Para responder uma pergunta tão complexa, Akira Kurosawa cria cada plano e situação com uma quase infinitude de alegorias metafóricas. No filme, o estupro de uma noiva e o assassinato de seu marido samurai são relembrados das perspectivas de um bandido, da própria noiva, do fantasma do samurai e de um lenhador. A verdade...

3. O Sétimo Selo

Recentemente eleito como o melhor filme de todos os tempos pela Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Norte (ACCiRN), essa que é uma das obras mais conhecidas de Ingmar Bergman conta a história de um homem que busca respostas sobre a vida e sobre a existência de Deus... enquanto isso, joga xadrez contra a morte em seu país devastado pela Peste Negra. Bergman, aqui, potencializa todo o seu cinema existencialista, construindo um filme eterno.

 2. Era uma Vez em Tóquio

Um casal de idosos visita seus filhos e netos, mas recebe pouca atenção. A partir dessa premissa, Yasujirô Ozu desenvolve uma relação tão absoluta entre imagens e situações que é quase impossível não colocar esse filme entre os melhores da história do cinema. Era uma Vez em Tóquio fecha a trilogia iniciada com Pai e Filha (1949) e Também Fomos Felizes (1951), comentando sobre relações familiares a partir da interação entre jovens e idosos em uma dura época pós-guerra. Trata-se de um filme de fácil assimilação e tão profundo quanto a potência de Ozu, que é considerado o pai dos realizadores asiáticos por muitos.

1. Um Corpo que Cai

Encabeçando muitas das listas de melhores filmes de todos os tempos, esta obra-prima de Alfred Hitchcock é algo monumental em cada detalhe. A facilidade do mestre do suspense em passear da intimidade à profunda desorientação é algo hipnótico. Um Corpo que Cai é o auge da linguagem hitchcockiana em muitos aspectos e, por si só, um auge do próprio cinema. Na história, um ex-detetive de polícia luta contra seus demônios pessoais, ficando obcecado por uma mulher assustadoramente bonita. Mas um resumo tão simples é pouco para a importância deste filme.

Agora, ficam aí os comentários para que vocês acrescentem filmes e possamos criar uma lista de obras-primas cada vez maior e construída por todos nós!

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