Homem-Aranha: Sem Volta para Casa | 10 referências aos quadrinhos no filme

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa | 10 referências aos quadrinhos no filme

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 06 de Janeiro de 2022 às 15h00
Sony Pictures

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa conseguiu o grande feito de ser uma grande festa para os fãs do herói. Mais do que ser um emaranhado de referências e piadas relacionadas aos filmes anteriores do personagem, ele conectou tudo aquilo que vimos nos sete filmes anteriores de forma bastante coesa de modo que o encontro dos três Peter Parker funcionasse de forma bastante natural.

Só que ainda estamos falando de um filme de super-herói e, como não poderia deixar de ser, é óbvio que o longa traz uma infinidade de referências e menções a eventos que somente os fãs mais apaixonados pelos quadrinhos vão entender. São aqueles easter eggs que passam despercebidos no roteiro para a maior parte do público, mas que sempre faz o nerd sorrir.

E, no caso de Sem Volta para Casa, não faltam momentos assim. De eventos importantes para a história que refletem momentos marcantes dos gibis até citações bobas, o mais recente Homem-Aranha é um prato cheio para os caçadores de referências. Confira algumas e veja se a sua leitura de HQ está em dia.

10. Aquela morte e Um Dia a Mais

Marvel pode não admitir, mas uma das piores histórias do Aranha inspiraram Sem Volta para Casa (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Vamos começar nossa lista pela referência mais óbvia: a menção ao gibi Um Dia a Mais. O arco é um dos mais criticados do Homem-Aranha até hoje, sendo lembrado como uma das saídas mais controversas para restabelecer o status quo do personagem. Afinal, o que esperar do pacto que Parker fez com Mefisto para fazer com que o mundo esquecesse de sua identidade secreta?

A gente já tinha notado a referência a esse quadrinho no primeiro trailer de Sem Volta para Casa, quando ficou claro que a bagunça no multiverso também se originaria de uma solução mágica para fazer o mundo esquecer quem é Peter Parker. Só que ninguém se atentou à época que isso significaria também colocar em risco a vida de uma personagem importante para o herói.

A pobre idosa acabou pagando o preço da revelação da identidade do sobrinho (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Nos quadrinhos, Parker não quer apenas o sossego de ser um anônimo, mas salvar a sua tia May. Isso porque a revelação da sua identidade faz com que vilões como o Rei do Crime tentem matar pessoas próximas ao herói e a pobre idosa acaba sendo alvo de um tiro que a deixa entre a vida e a morte. E é aí que Peter aceita fazer o pacto com o diabo da Marvel.

E por mais que as coisas não tenham saído exatamente dessa maneira no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês), a tia May (Marisa Tomei) também se torna alvo dos vilões após o mundo descobrir quem é o Homem-Aranha (Tom Holland) e, no fim das contas, o jovem também apela à magia para resolver as coisas e evitar que episódios assim se repitam. A única diferença é que o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) não é tão bondoso quanto Mefisto e não foi capaz de salvar a idosa.

9. A Morte de Gwen Stacy

Falando em morte, tem outra perda muito importante para o herói que é referenciada no filme: a morte de Gwen Stacy. A gente já viu isso acontecer em O Espetacular Homem-Aranha 2, mas é a primeira vez que isso é mencionado dentro do MCU. E, mais do que ser apenas citado, uma das cenas mais emocionantes de todo o longa é um espelho desse momento tão dramático.

A morte de Gwen Stacy ainda é um dos momentos mais icônicos da mitologia do Aranha (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Nos quadrinhos, o Duende Verde nunca matou a tia May, mas foi responsável por tirar a vida da primeira namorada de Peter. É ele quem joga Gwen do alto da ponte George Washington de modo que o Homem-Aranha é incapaz de resgatá-la a tempo.

Isso foi retratado no segundo filme de Andrew Garfield, quando a personagem vivida por Emma Stone morre da mesma maneira. Essa perda é citada em Sem Volta para Casa e essa versão do herói encontra sua redenção quando consegue resgatar MJ (Zendaya), que estava caindo do alto da Estátua da Liberdade depois de ser atacada por ninguém menos que o Duende Verde (Willem Dafoe).

Além disso, na luta entre Peter e o Doutor Octopus (Alfred Molina) na ponte, é possível ver uma das placas indicando justamente a direção para a ponte George Washington, quase como um indicativo de que uma perda estava a caminho. Afinal, na falta de uma Gwen, o Duende acabou ceifando a pobre tia May.

8. O Aranhaverso

O Aranhaverso já existia nos quadrinhos antes de virar modinha nos cinemas (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

A gente se acostumou a dizer que foi a animação Homem-Aranha no Aranhaverso que introduziu esse conceito de realidades alternativas e de diferentes versões do Amigão da Vizinhança. Contudo, essa é uma ideia que há tempos já existia nas HQs do herói.

A primeira vez que essa ideia do aranhaverso deu a cara nos gibis foi em 2014 em uma saga escrita pelo autor Dan Slott. Na história, o vilão Morlun viaja por entre dimensões caçando diferentes versões do Homem-Aranha, já que elas estavam ligadas a um tipo de poder totêmico relacionado a uma profecia antiga.

É a partir disso que o Homem-Aranha Superior — o Doutor Octopus no corpo de Peter Parker — acaba sendo levado para uma dessas realidades e descobre o que está acontecendo e decide montar um time composto só por variantes do Aranha. Isso faz com que tenhamos desde a participação do Homem-Aranha 2099, da versão Noir, da Gwen-Aranha e até de um Homem-Aranha de seis braços.

Assim, quando a gente vê essas três versões de Peter Parker se encontrando e lutando juntos em Sem Volta para Casa, nada mais é do que o florescer de uma ideia plantada nos gibis há quase uma década. Não por acaso, Slott é creditado no final.

7. Um Aranha negro por aí

Miles até já protagonizou um videogame e nada de aparecer no cinema (Imagem: Reprodução/Insomniac Games)

A referência a Miles Morales é o easter egg mais aparente de todo o filme — tanto que o público sempre reage muito bem quando o vilão Electro (Jamie Foxx) fala que deve existir um Homem-Aranha negro em algum canto do multiverso.

Caso você não tenha percebido a referência, o diálogo entre Electro e o Aranha de Andrew Garfield é uma menção a Morales, um jovem negro criado dentro do universo Ultimate da Marvel que também ganha os poderes do Homem-Aranha e segue em aventuras originais bem diferentes daquelas que vimos com Peter Parker.

O personagem talvez tenha sido a maior criação deste selo Ultimato, que foi desenvolvido pela Marvel justamente para atrair novos leitores e apresentar seus heróis fora da complicada cronologia de décadas da editora. O herói deu tão certo que sobreviveu ao fim do selo, foi integrado às histórias regulares e protagonizou seu próprio filme — e ganhou um Oscar por isso.

6. O Electro que a gente merece

A estrela de energia na cara do Electro remete diretamente aos gibis antigos (Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

Falando no Electro, o vilão finalmente teve a redenção que ele merecia depois de ter sido tão maltratado em O Espetacular Homem-Aranha 2. Tanto que Sem Volta para Casa dá um novo visual para o personagem, abandonando a ideia de transformá-lo em energia pura e ficando bem longe da estética abobalhada.

Na verdade, o visual adotado no novo Homem-Aranha é uma clara referência aos quadrinhos. O uniforme clássico do vilão elétrico também é bem ridículo e chegou a ser remodelado recentemente nos gibis, ficando mais próximo daquilo que vimos no videogame, por exemplo. Contudo, Sem Volta para Casa presta a devida homenagem àquilo que a gente viu por tanto tempo nas HQs e dá um jeito de colocar uma estrela de energia na cara de Jamie Foxx.

5. O Demolidor defendendo o Aranha

A parceria entre os dois heróis vai muito além de trocar vilões (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Outro momento muito celebrado em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa foi a aparição de Matt Murdock (Charlie Cox), o bom e velho Demolidor. O personagem aparece com sua identidade civil muito rapidamente em uma única cena como advogado da família Parker para resolver todas as acusações criminais feitas contra Peter — e nos lembrar que ele é um excelente advogado.

E ver essa interação entre os dois personagens nos cinemas é incrível, até porque eles, volta e meia, se encontram nos quadrinhos. Embora o MCU tenha apresentado o Homem-Aranha como esse salvador do mundo, a verdade é que o herói sempre foi muito mais urbano, o que o coloca sempre lado a lado do Demolidor para enfrentar uma gangue ou coisa do tipo. Aliás, o Rei do Crime é originalmente um vilão do Aranha e o Electro do Demolidor, mas eles costumam fazer esse intercâmbio de inimigos.

Por causa dessa parceria, não foram poucas as vezes em que Murdock teve que deixar o uniforme de lado e ajudar Peter com a carteirinha da OAB ao invés dos sentidos aguçados. Em Amazing Spider-Man #584, por exemplo, Murdock teve de defender o Aranha de uma acusão de assassinato e até já vimos essa dobradinha à la Law & Order também no desenho clássico do Homem-Aranha dos anos 1990.

4. Ned e o vilão do futuro

O Ned Leeds dos quadrinhos é bem diferente (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Ao longo de toda a trilogia do Homem-Aranha no MCU, Ned (Jacob Batalon) nunca foi muito mais do que um alívio cômico. Sem Volta para Casa até tenta dar um jeito nisso e transforma o personagem em parte importante para fazer com que o roteiro avance, mas o tom cômico ainda permanece. Por isso mesmo, um comentário que ele faz ao longo do filme pode ter passado despercebido por muita gente.

Quando o jovem pergunta para Maguire e Garfield se eles tinham algum melhor amigo em suas realidades e descobre que o Peter Parker da primeira trilogia viu seu companheiro ficar louco, se transformar em um vilão e tentar matá-lo, o garoto entra em choque e vai até Tom Holland dizer que isso nunca vai acontecer.

Só que há uma referência por trás dessa piadinha! Existe um Ned Leeds nos quadrinhos que é bem diferente do amigo do herói e que tem um desenvolvimento bem próprio também. No caso, ele é o alter ego do vilão Duende Macabro, que também enlouquece e tenta matar Peter.

3. O F.E.S.T.A.

O F.E.S.T.A. é parte importante da história do jogo do Homem-Aranha (Imagem: Reprodução/Insomniac Games)

Se você não faz ideia do que é o F.E.S.T.A. e nem em que ponto de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa ele está, não tem problema. Realmente trata-se de uma referência bem rápida e que o roteiro não dá tanta atenção, mas que está diretamente ligada aos quadrinhos e ao papel da tia May.

Trata-se da organização que a personagem comanda, ajudando desabrigados e moradores de rua. É graças ao seu trabalho no F.E.S.T.A que ela recebe o desorientado Norman Osborn enquanto ele ainda é só um idoso perdido.

Nos quadrinhos, o grupo apareceu pela primeira vez em 2008 e serviu para dar mais destaque à tia, que sempre foi retratada como essa idosa indefesa que existia apenas para ser colocada em perigo. Foi a partir da criação da organização que ela passou a ser mais ativa e a mostrar que os Parkers ajudam os outros mesmo sem poderes.

2. O Duende no lixo

Essa é uma das artes mais icônicas da Marvel (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Muita gente comemorou que Homem-Aranha: Sem Volta para Casa abandonou o visual Power Ranger do Duende Verde adotado na trilogia original. Só que o modo com que os roteiristas decidiram fazer essa mudança de uniforme foi tão bom que deu mais profundidade ao vilão ao mesmo tempo em que faz referência a um dos momentos mais icônicos do Homem-Aranha.

No filme, Osborn tem uma nova crise de identidade e a persona do idoso se sobrepõe à do maníaco homicida. Assim, ele para em um beco qualquer e tenta se livrar da armadura. E para simbolizar essa ruptura com a identidade do Duende, ele destrói a máscara e joga tudo em uma lata de lixo. A cena acaba com Norman indo embora e o traje descartado em primeiro plano.

Essa cena replica de maneira quase idêntica a capa de Amazing Spider-Man #50, que trouxe a icônica história Homem-Aranha Nunca Mais, em que Peter desiste de ser herói e joga seu uniforme fora — só para voltar a vesti-lo pouco tempo depois.

1. Flashpoint

Marvel deu uma bela sacaneada na saga que vai inspirar o futuro do universo DC nos cinemas (Imagem: Reprodução/DC Comics)

Para finalizar, a referência mais inteligente e sacana de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa não faz menção a nenhuma história da Marvel, mas da DC. Afinal, o livro escrito por Flash Thompson (Tony Revolori) chama-se Flashpoint, que nada mais é do que o nome de uma saga da editora rival sobre realidades alternativas e heróis encontrando variantes para resolver a bagunça criada.

Por aqui, o arco ficou conhecido como Ponto de Ignição e, até onde se sabe, é a base do roteiro de The Flash, uma das principais apostas da Warner para 2022. Tanto que já sabemos que o Velocista Escarlate vai encontrar uma outra versão sua, além de heróis do passado.

E por mais que, em Sem Volta para Casa, o nome tenha sido usado muito rapidamente e de forma bem superficial, não há como não parabenizar os roteiristas pela ótima maneira encontrada de sacanear a rival.

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