Crítica | Sob Suspeita: O Caso Wesphael traz mais dúvidas do que solução

Por Natalie Rosa | 20 de Março de 2021 às 22h00
Divulgação: Netflix

Trazendo mensalmente novas histórias de crimes reais para a plataforma de streaming, é possível observar que a Netflix aposta na tendência de série documental como formato, talvez como uma forma de prender ainda mais o espectador no serviço. Porém, muitas vezes, um caso é contado de forma extensa e desnecessária, se prolongando em um assunto que poderia ser breve, e é isso o que acontece com Sob Suspeita: O Caso Wesphael.

A série documental de cinco episódios debate um caso polêmico que aconteceu na Bélgica em 2013, no dia 31 de outubro. O político Bernard Wesphael fez uma viagem com a sua esposa, Véronique Pirotton, como forma de reconciliação do casal, que vinha passando por momentos conturbados. Porém, ao passarem a noite em um hotel, ele diz ter acordado durante à noite e visto ela morta no banheiro, sendo ele então o único acusado, justamente por ser a única pessoa que estava com ela e por relatos de testemunhas afirmarem terem ouvido barulhos suspeitos.

Imagem: Divulgação/Netflix

Atenção: esta crítica pode conter spoilers da série documental Sob Suspeita: O Caso Wesphael!

Quando vemos que o próprio acusado do crime, Bernard Wesphael, aparece na série documental fazendo seus depoimentos e com uma aparência de quem está saudável e com a consciência tranquila, fica claro que ele foi absolvido do crime, o que talvez já não seja uma surpresa para quem conhecia o caso. Estando tranquilo em 100% do tempo em relação ao que pode ter acontecido naquele quarto de hotel, o político não apresentou qualquer intenção de discrição para falar sobre o assunto, mesmo anos depois, o que traz vantagem para a sua inocência.

A intenção da série, então, não é contar uma história de crime real, pois a absolvição de Wesphael aconteceu por haver dúvidas quanto à morte de Véronique, ainda que ele tenha passado um tempo preso. Então, ao menos do lado da justiça, não há provas suficientes que comprovem que ele a matou, muito menos de que a morte aconteceu por suicídio. As provas dessas duas hipóteses são apresentadas ao longo dos episódios, mas trazendo mais oportunidades para o próprio político se explicar do que para outras pessoas relatarem seus achismos.

Sendo assim, o documentário destaca o relacionamento dos dois, fazendo questão de apontar o quanto ele a amava e o quanto Véronique sofria com seus traumas que podem ter levado ao fim da sua vida. Sob Suspeita: O Caso Wesphael não deixa de ouvir, no entanto, amigos e familiares da vítima, que mesmo com vários registros de tentativa de suicídio por parte dela, acreditavam fielmente que o político a matou. Ainda assim, nenhum relato acaba sendo útil para a investigação do caso.

Imagem: Divulgação/Netflix

A série acaba frustrando por não trazer soluções para o crime, nem mesmo apresentando fatos que acertam em fazer o espectador tirar a sua própria conclusão. Nada faz muito sentido na investigação, desde a forma em que ela foi encontrada morta, com um saco plástico na cabeça, ingestão de álcool e remédios, além de contar com vários hematomas pelo corpo, até a reação de Wesphael quando viu o corpo e o que ele vez para tentar reanimá-la, o laudo das autópsias e as observações feitas para a polícia na cena do crime, ou suicídio.

Durante a apresentação dos eventos, o político acaba sendo mostrado como uma vítima dos comportamentos de Véronique, com ela sendo exposta de uma forma que até pode ser considerada desrespeitosa. A trama mostra como ela foi abusada na infância por um professor, o quanto ela se apegava ao álcool para se manter viva e os diversos adultérios que cometia. É como se esse comportamento tivesse submetido Wesphael a essa situação, tendo ele então presenciado ações autodestrutivas que o levaram a passar por isso.

Imagem: Divulgação/Netflix

Assim como é difícil usar as provas que a investigação teve em mãos para definir o que aconteceu, tirando o fato de que a busca por provas deixou a desejar, a série também é uma incógnita sobre a mensagem que ela quis passar. Em alguns momentos, parece que a produção escolhe um lado e que Bernard Wesphael foi o criador da série, pensando em contar o seu lado da história, deixando a questão investigativa de lado. Ainda que o documentário seja retratado dessa forma, ele consegue prender o espectador pela curiosidade, indo até o fim dos episódios, que são curtos, para tentar entender o que aconteceu, mesmo que pareça impossível.

Sob Suspeita: O Caso Wesphael está disponível na Netflix em cinco episódios.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.