Quem é a Feiticeira Escarlate e por que ela é tão importante para a Marvel?

Por Claudio Yuge | 11 de Fevereiro de 2020 às 12h34
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Durante o último Super Bowl, a grande final do futebol americano, a Disney liberou um teaser com mais detalhes sobre suas novas séries do Disney+ baseadas em atrações conectadas ao Universo Cinematográfico Marvel (MCU, em inglês). O grande destaque da prévia foi WandaVision, atração que reúne os Vingadores Wanda Maximoff e Visão. Nos quadrinhos, ela também é conhecida como Feiticeira Escarlate e conta com um passado um tanto quanto confuso. Mas quem é realmente essa heroína e por que ela é tão importante para o Marvel Studios?

Primeiramente, é preciso falar um pouco sobre suas raízes controversas, tanto nas revistas quanto no próprio cinema. Wanda e seu irmão Pietro apareceram pela primeira vez em X-Men #4, em 1964, como vilões, membros da Irmandade de Mutantes. Naquela época, as personagens femininas se limitavam a papéis coadjuvantes e ela meio que passou despercebida.

Somente dez anos mais tarde é que o roteirista Steve Englehart daria a Wanda mais proeminência, introduzindo seus poderes mágicos e o romance com o sintozóide Visão. Com mais visibilidade, ela e seu irmão tiveram suas origens recontadas algumas vezes e a versão mais aceita, por mais absurda que possa parecer, é que, após dar luz aos gêmeos, Magda, esposa de Magneto (sim, o mesmo dos X-Men), deixou-os aos cuidados de uma criatura chamada Bova — uma espécie de mulher com corpo de uma vaca, resultado de experimentos do cientista Alto Evolucionário.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A história é bem mais complicada do que isso e envolve também magia negra, mas, resumidamente, ambos teriam tanto trauma do que ocorreu que se esqueceram exatamente de onde vieram. No final das contas, os elementos que ficaram dessa trama rocambolesca foram as conexões com bruxaria e com Magneto.

No MCU, se vocês se lembrarem, o passado de Wanda e Pietro também é um pouco nebuloso. Como as duas propriedades fazem parte tanto dos X-Men quanto dos Vingadores, eles não puderam ser chamados de mutantes ou ter ligações com Magneto, pois na época os irmãos também estavam aparecendo nos filmes dos Filhos do Átomo na Fox. Então, até hoje, a Feiticeira Escarlate possui origens confusas, inclusive no cinema.

Ascensão e queda

Após a fase inicial sem muita relevância e a reformulação com Steve Englehart nos anos 70, a personagem ganhou mais destaque nos anos 80. É verdade que seu traje sempre foi chamativo e passou a ser mais explorado de forma lasciva. Contudo, o que deu mais proeminência à heroína foi a passagem do lendário John Byrne pelos Vingadores da Costa Oeste, em meados dos anos 80.

Wanda e Visão já tinham um romance e protagonizaram sua própria série limitada, em que vemos essa pegação improvável resultar em algo ainda mais surpreendente: o nascimento de dois filhos gêmeos, Thomas e William — que, vejam só, vieram ao mundo com a ajuda de um certo cirurgião chamado Stephen Strange.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Englehart passou o bastão para Byrne, que, logo em sua estreia, escreveu uma das melhores histórias dos Vingadores, a “Busca pelo Visão”. Quando seu marido é desmantelado em pedaços, a heroína fica possessa e parte em uma jornada para reconstruir o sintozóide. Esse arco não somente aumentou sua importância como também construiu melhor sua personalidade e mostrou a extensão de seus incríveis poderes de manipulação de realidade — e alimentou um triângulo amoroso com o vingador Magnum. Pode ser que ainda vejamos alguma referência a isso no MCU, afinal o Visão precisa ser reconstruído.

Depois disso, Wanda passou por maus bocados nos anos 90, assim como todos os heróis, pois foram anos de decadência para a Marvel Comics e a DC Comics. Somente nos anos 2000 é que ela voltaria a ter status de primeira grandeza nas mãos do escritor Brian Michael Bendis, fã de personagens femininas — ele é o criador de Jessica Jones, por exemplo.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Em Vingadores: A Queda vemos a mansão do grupo ser destruída com um ataque Kree, a Mulher-Hulk enlouquecendo e agindo como seu primo e as mortes do Gavião Arqueiro, Homem-Formiga e do próprio Visão. O grupo é despedaçado e, surpreendentemente, isso aconteceu do lado de dentro: Wanda havia enlouquecido e perdido o controle de seus poderes depois de saber que tinha perdido seus dois filhos — algo que posteriormente foi desmentido.

Dinastia M

Obviamente que, após essa treta toda, o mundo se voltou contra Wanda, pedindo punição contra a vingadora. Os X-Men entraram na jogada e Pietro, ao lado de seu pai, Magneto, também intervêm, tentando salvá-la. Quando as equipes vão ao encontro dela, a Feiticeira Escarlate simplesmente recria toda a realidade.

Nesse novo mundo, vemos diferentes versões dos mesmos heróis e uma sociedade controlada pelos mutantes, que também possuem soberania sobre a ilha de Genosha. E daí o nome Dinastia M, pois é lá que Magneto mantém seu reinado, com seus dois filhos. É claro que Wanda não consegue criar tudo à perfeição e vários “bugs” começam a se manifestar, especialmente por conta das memórias de Wolverine, que se misturam com o universo anterior, e com o Sentido de Aranha de Peter Parker, que, aos poucos, também vai notando que alguma coisa está errada.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

No final, um grupo de rebeldes liderado por Luke Cage vai aos poucos “despertando” as pessoas e, na batalha contra a Dinastia M, Wanda simplesmente decreta o fim do nascimento dos mutantes — algo que duraria muitos anos. A realidade volta a ser o que era, mas a um alto preço, com sequelas que também resultaram na morte do Professor Xavier em um futuro conflito entre os X-Men e os Vingadores.

E aqui vale um adendo: nessa época, Ike Perlmutter, o presidente da Marvel Entertainment, emitiu uma ordem para que todos os criadores parassem de explorar os X-Men e o Quarteto Fantástico nos quadrinhos. Era uma "estratégia" para que a Fox não tivesse mais propriedades para usar em seus filmes. Então esse "no more mutantes" é emblemático, pois foi a maneira como os autores conseguiram disfarçar essa ordem de uma maneira orgânica dentro das histórias. Já contamos melhor essa treta nesta matéria.

Jovens Vingadores

Bem, como dá para notar a história toda de Wanda é bem zoada. E a de seus filhos também. Inicialmente, ninguém questionava muito o fato dela ter tido o filho com um robô sem DNA. Mas, na fase de Byrne, ficamos sabendo que ela criava as crianças quando estava por perto — e elas desapareciam quando ela estava em uma batalha com os Vingadores, por exemplo.

Em mais um plot twists daqueles, vemos um vilão revelar que Wanda na verdade conseguiu gerar os dois filhos, a partir de fragmentos de almas do reino do diabão Mephisto. Mais tarde, conseguiram explicar que essas essências reencarnaram em duas crianças reais, criadas em cidades e com pais diferentes nos Estados Unidos.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Thomas Shepherd desenvolveu supervelocidade, assim como seu tio, Mercúrio, e passou a usar o nome de Célere. Já William “Billy” Kaplan se torna o Wiccano, um bruxo com habilidades de alteração de realidade e poderes mágicos sobre o caos de forma muito semelhante ao de sua mãe. Ambos são personagens muito importantes do grupo Jovens Vingadores — e Wiccano foi quem protagonizou o famoso beijo gay com o alienígena Hulkling.

E agora… WandaVision

Bem, depois de toda essa trajetória, que remonta nada menos do que quase 50 anos de quadrinhos da Marvel Comics, dá para entender melhor por que WandaVision é tão importante para o MCU, certo? É bem provável que vejamos o nascimento dos gêmeos Thomas e William, assim como a reconstrução do Visão e a alteração da realidade por parte de Wanda.

Ao que tudo indica, isso deve abrir as portas para o Multiverso e também para a Magia do Caos e até mesmo pode sugerir conexões com o lado “infernal” da Marvel Comics, com uma possível introdução de Mephisto — que, naturalmente, conecta-se também com Doutor Estranho, Blade e Motoqueiro Fantasma. Além disso, vários rumores indicam a iminente chegada dos Jovens Vingadores, pois Estatura (filha do Homem-Formiga) já apareceu nos longas anteriores e Kate Bishop (personagem aprendiz do Gavião Arqueiro) foi confirmada para a série do herói. Então, a introdução de Wiccano e Célere cairia como uma luva.

Imagem: Reprodução/Disney+

Para completar, WandaVision e, posteriormente, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura poderiam estender suas conexões com os próprios X-Men. Isso seria um plano ainda mais ousado, mas como os mutantes costumam trocar uns tapas com os Vingadores nos quadrinhos, estaria aí mais uma relação que torna a Feiticeira Escarlate ainda mais importante no MCU.

Agora, resta aguardar e torcer para que consigam traduzir isso tudo de uma forma legal nas telinhas e nas telonas.

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