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Palácio em Benin foi realmente construído com sangue humano

Por| Editado por Luciana Zaramela | 04 de Junho de 2024 às 07h00

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Karalyn Monteil/Unesco
Karalyn Monteil/Unesco

Em Benin, na África Ocidental, há inúmeras lendas por trás dos 12 Palácios Reais de Abomey, construídos na época do Reino do Daomé (durante os anos de 1600 e 1904). Entre essas histórias, está a de que a construção de um desses edifícios envolvia sangue humano, obtido durante sacrifícios. De fato, a história é verdadeira como demonstra um estudo recém-publicado na revista Proteomics.

As evidências do sangue humano estão relacionadas às estruturas erguidas durante o reinado do nono dos 12 reis do antigo império africano, Ghezo. Ele ocupou o trono de 1818 a 1858 e era conhecido por seu poder e brutalidade militar, além das expedições contra os iorubás — outro grupo étnico da região.

Esse passado sangrento de Ghezo entrou para a história, definitivamente, como algo verdadeiro, já que as paredes não deixam mentir. Mas há tempos o local não está mais relacionado aos sacrifícios humanos.

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Atualmente, todo o complexo foi transformado em um museu e, desde 1985, é reconhecido como um patrimônio mundial da Unesco.

Palácio de sangue humano

Nas lendas envolvendo o rei Ghezo, fala-se de que os caminhos que levavam até o seu trono foram pavimentados com crânios e mandíbulas de inimigos derrotados. Inclusive, o próprio trono continha ossos dos derrotados — até o momento, essas alegações não foram investigadas pelos pesquisadores da Université Paris-Saclay (UVSQ). 

A atual análise se concentrou na argamassa das paredes das estruturas funerárias do palácio de sangue, erguidas com materiais nem um pouco convencionais. 

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Nesse processo de comprovação, a equipe precisou recorrer a um tipo de análise conhecida como Espectrometria de Massas de Alta Resolução, o que permitiu a identificação das proteínas presentes nas amostras e, com isso, determinar as suas origens.  

"Vários indicadores atestam a presença de vestígios de sangue humano e de aves no material coletado”, afirmam os autores, no artigo. Isso apenas confirma as lendas locais. Muito provavelmente, esse sangue era proveniente de escravos ou de inimigos, obtidos durante rituais da religião vodu. 

Parades também contêm trigo

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Fato inesperado na descoberta é que a argamassa com sangue humano também contém trigo. O aparente problema é que o trigo não era um cereal comum na região durante a construção do palácio de Benin e nem o consumo de pão estava estabelecido.

A principal hipótese é de que esse trigo “alienígena” tenha sido um presente fruto das relações entre o rei Ghezo e o imperador francês Napoleão III. Talvez, as baguetes e o trigo, como bens valiosos, tenham sido incluídos nessas misteriosas construções.

Fonte: Proteomics e Unesco