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O que a ciência diz sobre o impacto de uma casa bagunçada na saúde

Por| Editado por Luciana Zaramela | 05 de Setembro de 2023 às 16h41

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Por algum motivo, a sua casa já deve ter ficado bagunçada pelo menos por alguns dias. Dependendo do nível de desorganização, é possível que você tenha olhado o tanto de louça na pia, roupa suja e gordura no azulejo do banheiro, sem saber por onde começar uma boa faxina. Para além da questão da limpeza, a desorganização pode gerar impactos psicológicos e acionar gatilhos de ansiedade nos moradores, afetando a saúde como um todo.

Dentro de casa, "a desordem e a bagunça são mais do que apenas incômodos visuais. Eles podem ter um impacto profundo no bem-estar mental, na produtividade e nas nossas escolhas", explica Erika Penney, professora de psicologia clínica na University of Technology Sydney, em artigo para a plataforma The Conversation. Nestes casos, o morador pode sentir elevados níveis de estresse e de ansiedade, por exemplo.

Por que uma casa bagunçada gera ansiedade?

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“Quando estamos cercados por distrações [como a cama desarrumada, a pia suja, a geladeira com comida estragada e o xixi do pet no meio da sala], nossos cérebros se tornam um campo de batalha de elementos que buscam atenção. Tudo compete pelo nosso foco”, pontua a professora Penney.

A questão é que, na maioria das vezes, as pessoas não são naturalmente multitarefas, mesmo quem se diz ser. Dessa forma, ter várias tarefas pendentes, como as de limpeza, equivale a deixar inúmeras abas abertas na internet ou solicitações de trabalho incompletas. É difícil seguir antes de colocar tudo em ordem, considerando que o cérebro gosta de ordem e de realizar uma única tarefa por vez.

"A ordem ajuda a reduzir a competição pela nossa atenção e reduz a carga mental. Embora algumas pessoas possam ser melhores do que outras em ignorar distrações, ambientes distrativos podem sobrecarregar nossas capacidades cognitivas e de memória”, reforça a especialista em mente humana.

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No contexto de quem trabalha remotamente, em casa, a desorganização do ambiente pode se desdobrar em problemas de produtividade, questões de saúde e mesmo dificuldade em dormir.

Gatilhos com a bagunça são mais comuns em mulheres

Publicado na revista Personality and Social Psychology Bulletin (PSPB), um recente estudo descobriu que, quando se analisam casais, a tendência é que a desordem do lar afete majoritariamente as mulheres. Inclusive, elas podem apresentar níveis mais elevados de cortisol, ou seja, o hormônio do estresse, quando falta ordem no lar.

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A principal hipótese é de que, historicamente, as mulheres são responsáveis pela manutenção e limpeza da casa, e que isso gere um peso na mente delas mesmo quando trabalham fora e têm as suas próprias carreiras em um contexto onde dividiram as tarefas domésticas com os companheiros.

Atenção a outros problemas de saúde mental

Em alguns casos, a bagunça da casa pode refletir e ser o sintoma de algum distúrbio ou problema de saúde mental dos próprios moradores. Por exemplo, a desorganização pode ser relacionada com:

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No entanto, a relação entre um problema maior de saúde mental e a desorganização da casa só pode ser estabelecida após a investigação clínica. Nestes casos, a busca por um profissional, como um psicólogo, é fundamental para que a pessoa reconheça a questão, e possa modificá-la gradualmente.

Perfeccionismo pode ser tão problemático quanto desordem

Outro ponto importante: é impossível evitar em todos os níveis a desordem dentro de uma casa, um mecanismo vivo onde todas as tarefas precisam ser refeitas com alguma regularidade.

Se viver em uma casa bagunçada traz impacto na saúde mental, ser perfeccionista — este é um traço de personalidade associado aos comportamentos compulsivos e ao TOC — na limpeza pode ser igualmente ou mais problemático. Afinal, o perfeccionismo também gera sensações negativas, como ansiedade.

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Como evitar os gatilhos mentais de uma casa bagunçada?

Para ajudar pessoas que sofrem com ansiedade provocada pela desorganização em casa, a psicóloga Penney compartilha três importantes estratégias para impedir este tipo de angústia:

  • Tenha o dia da limpeza: a ideia é separar um dia da semana para limpar a sua casa ou mesmo contratar alguém para fazer essa faxina pesada. Para aliviar o momento, vale escutar músicas ou podcasts;
  • Faça pequenas limpezas: durante a semana, o ideal é fazer a manutenção da limpeza com pequenas atividades, como lavar os pratos depois de usar ou limpar todos os dias, em um horário fixo, o espaço dos pets;
  • Compartilhe a carga da limpeza: se a pessoa mora com mais gente, é importante que todos contribuam com a organização e tenham os seus papéis estabelecidos.

"A bagunça não define se você é uma pessoa ’boa’ ou ‘má’ e, às vezes, pode até estimular a sua criatividade”, pontua a professora. “Lembre-se de que você merece sucesso, bons relacionamentos e felicidade, tendo bagunça ou não no seu escritório, na sua casa ou no seu carro”, completa.

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Vale observar que todos os pontos de impacto da desorganização da casa consideraram apenas a mente. No entanto, morar em ambientes com alto grau de bagunça ou mesmo de lixo, em casos de acumuladores, podem ter outros impactos para a saúde, já que favorece a disseminação de doenças, incluindo a bactéria potencialmente mortal da leptospirose — os materiais em decomposição podem atrair ratos e estes transmitem a bactéria potencialmente mortal. Alguns tipos de bolores também provocam doenças. Então, se possível, limpe com frequência.

Fonte: The Conversation e PSPB