Idosos fizeram mais compras online na pandemia, segundo estudo

Por Nathan Vieira | 03 de Fevereiro de 2021 às 18h40
Edu carvalho/Pexels

Ao longo de 2020, 85% dos idosos conectados à internet a utilizaram para obter informações sobre produtos ou serviços antes da realização de uma compra, e 75% efetivamente adquiriram algo online. As informações são de um levantamento que a Kantar IBOPE Media fez para o conteúdo temático Data Stories, que reúne dados de diversos estudos da empresa que ajudam a analisar cenários, perspectivas e tendências relevantes sobre audiência, publicidade, planejamento de mídia e comportamento do consumidor.

Principal faixa etária afetada pela pandemia do novo coronavírus, os idosos acima de 60 anos precisaram reinventar seu relacionamento com a tecnologia. Segundo o estudo da Kantar, a maioria fez atualizações constantes de seus conhecimentos e aumentou o tempo de permanência em redes sociais e na Internet. Além disso, aumentou o consumo de streaming e alterou hábitos de compras.

O levantamento realizado durante a pandemia, intitulado Target Group Index Flash Pandemic, indica que 62% dos idosos conectados à internet disseram que a COVID-19 contribuiu para a adoção da tecnologia no cotidiano, e 49% que ela fez com que plataformas como Instagram e Facebook se tornassem mais importantes para eles, enquanto 48% proporcionou tempo para o aprendizado de novas habilidades.

COVID-19 contribuiu para a adoção da tecnologia no cotidiano dos idosos, de acordo com pesquisa da  Kantar IBOPE Media (Imagem:  rupert B. / Pixabay)

A análise aponta, ainda, que o público idoso está cada vez mais conectado: 64% dos idosos acessaram a Internet nos últimos 30 dias, o que representa um crescimento de 101% em comparação com os últimos cinco anos. Já quanto às redes sociais, 91% têm cadastro em alguma delas, 79% acessaram no último mês e 66% aumentaram a frequência de uso durante a pandemia.

A rede social favorita entre o público idoso é o Facebook, acessada por 98% deles, com direito a 2.541 minutos (cerca de 42 horas) de navegação nos últimos 30 dias. Em seguida estão o WhatsApp, com 95%, Messenger do Facebook (93%) e Instagram (78%). O smartphone é o dispositivo utilizado para acessar a Internet por 82% dos idosos, seguido de perto por notebook ou computador (77%) e por tablets (12%).

Idosos e compras pela internet

O levantamento menciona que 42% dos idosos conectados declaram se manter atualizados sobre desenvolvimentos tecnológicos e 40% gostam de comprar com frequência novos aparelhos e eletrodomésticos. No que se refere ao streaming durante a pandemia, entre os Masters que usaram os serviços, 92% aumentaram/mantiveram o consumo de vídeos gratuitos, 90% de streamings de música e 89% de vídeos pagos.

O público acima de 60 também usou a Internet para entender mais sobre suas compras: 85% declarou ter acessado a Internet para obter informações sobre produtos ou serviços antes da compra e 75% efetivamente adquiriu algo online. O estudo cita que as cinco principais categorias em que eles aumentaram/mantiveram os hábitos de compra foram produtos para limpeza doméstica, citados por 80% dos entrevistados; mercado/alimentos (75%); remédios (74%); contratos de telefonia móvel (59%); e contratos de serviços de Internet (58%).

A equipe do Canaltech conversou com o Dr. Natan Chehter, geriatra membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, para entender se essa relação entre o idoso e a internet é saudável ou não.

85% dos idosos conectados à internet a utilizaram para obter informações sobre produtos ou serviços antes da realização de uma compra (Imagem:  Nataliya Vaitkevich / Pexels)

"A questão do idoso na internet pode ser vista como benéfica se você considerar que é uma forma de tecnologia e que as pessoas estão fazendo uma participação maior na sociedade, e por outro lado ela pode ser vista de forma negativa quando isso tem um abuso. Então tem idosos que são viciados em internet, e a internet só serviu para alimentar um comportamento de risco. A compra compulsiva também acontece entre os idosos, mas se encararmos que é uma forma maior de integração na sociedade, a gente pode enxergar isso de maneira benéfica", analisa o profissional.

Para o especialista, um ponto da internet é o perigo de o idoso ser ludibriado com informações que venham a prejudicá-lo mais para frente. "Então a recomendação é que realmente haja o cuidado, e o tempo que se é gasto na internet. Se o idoso só faz compras online, eventualmente é preciso observar se isso não está sendo prejudicial. A internet tem outros usos, como fazer o contato com parentes e amigos, se informar. Há inúmeros benefícios. O estímulo ao idoso deve ser utilizar a internet de forma positiva", observa. E em relação a esses benefícios da internet, o estudo também diz que 38% dos idosos acreditam que a tecnologia melhorou a qualidade do contato humano.

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