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Beber não deixa as pessoas mais atraentes, mas reduz medo de rejeição

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  |  • 

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Twenty20photos/Envato Elements
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Um estudo mostrou que a “visão de cerveja” ou “óculos de cerveja”, lenda popular de que ingerir álcool torna pessoas mais atraentes aos olhos do bêbado, pode não ser verdade — mas indica que bebidas alcoólicas podem, no final das contas, dar mais coragem para se aproximar de quem já era considerado atraente.

Segundo os cientistas responsáveis, estudos anteriores sobre o fenômeno mostraram efeitos pequenos e inconsistentes, geralmente testando a ideia com os voluntários bebendo sozinhos, ou seja, em um ambiente distante da realidade. Analisar os efeitos do álcool no organismo e nas relações sociais precisaria de testes mellhores.

Álcool e a vida social

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Para descobrir como a bebida afeta as relações sociais, uma equipe de pesquisadoras da Universidade de Stanford e de Pittsburgh recrutou 18 duplas de amigos, todos homens heterossexuais. Na primeira etapa, eles deveriam elencar quão atraentes eram 16 mulheres desconhecidas a partir de fotos e vídeos. Em seguida, tiveram de escolher quatro das que mais gostariam de encontrar — e foram informados de que isso poderia ocorrer em um estudo futuro.

Os voluntários receberam, então, suco de oxicoco (cranberry) sem álcool, e, meia hora após a ingestão, passaram pelo mesmo processo de escolha. O experimento foi repetido em um outro dia, com os mesmos homens julgando outro grupo de 16 mulheres, mas bebendo um coquetel com suco de oxicoco misturado com vodka, o suficiente para aumentar a concentração de álcool no sangue a 0,08%, limite legal para se dirigir sob o efeito da substância nos Estados Unidos.

A quantidade, segundo as pesquisadoras, é equivalente a beber cerca de três drinks de nível alcoólico comum baseados em vodka. A ingestão não mudou a maneira com que os homens julgavam quão atrativas eram as mulheres, mas, mesmo só com o suco, alguns disseram preferir encontrar as mulheres que não consideraram, necessariamente, as mais bonitas. Após o coquetel alcoólico, as chances de dizer que queriam encontrar as que consideraram mais atraentes duplicaram.

A conclusão é que o consumo de álcool livra os sujeitos da preocupação com a rejeição. Para alguns, interagir com pessoas muito atraentes pode ser muito intimidador, medo que pode ser reduzido ao beber. O estudo, no entanto, só incluiu homens e mulheres brancos, diminuindo a abrangência dos resultados. Está nos planos dos pesquisadores testar a ocorrência em voluntários mais etnicamente diversos, além de mulheres heterossexuais e outras orientações que não sejam a hétero.

No futuro, também serão pesquisadas as influências de doses maiores de álcool e do tempo entre a ingestão e o efeito de embriaguez no corpo. O estudo já inovou, segundo especialistas, ao convencer os voluntários de que as fotos mostradas eram de pessoas com as quais teriam chance de se encontrar, adicionando realismo aos testes — algo ausente em investigações anteriores.

Fonte: Journal of Studies on Alcohol and Drugs