Os 10 melhores filmes de guerra disponíveis na Netflix

Por Sihan Felix | 22 de Janeiro de 2020 às 10h12
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Com 1917, o favorito ao Oscar de Melhor Filme – ao menos avaliando pelo termômetro das premiações de reta final –, entrando em cartaz no Brasil oficialmente nesta próxima quinta-feira (23 de janeiro), listar os melhores filmes de guerra disponíveis na grade da Netflix foi um trabalho bem intenso. E foi interessante perceber como a identificação está presente até mesmo em situações que jamais eu, pessoalmente, passei ou passarei. Isso porque as relações humanas sempre falam mais alto do que a situação imediata. O trato com o outro vem antes da percepção da situação de guerra.

Dito isso, a ideia das minhas listas de cinema geralmente é indicar. Sem a menor pretensão de criar algo exato, definitivo ou qualquer coisa do tipo, os filmes citados e brevemente resenhados abaixo servem como indicações para quem não os assistiu ou para quem gostaria de reassisti-los. Para mim, é óbvio que, dentro do catálogo da Netflix, podem ser encontrados outros tão bons quanto, mas isso sempre vai depender de questões subjetivas e, claro, do gosto pessoal (até por isso a lista é bem diversa).

Sem mais demora e dentro dessa abordagem sem verdades absolutas, vamos à lista dos 10 melhores filmes de guerra disponíveis na Netflix.

10. Alerta Lobo

É interessante como o diretor Antonin Baudry concebe seu filme: enquanto as cenas subaquáticas são de uma tensão de se tremer, alimentadas pela claustrofobia óbvia das dependências de um submarino, a vida em terra passa com uma tranquilidade quase contemplativa. O desenho de som auxilia esse contraste imersivo, podendo dar a impressão que, na verdade, são dois filmes em um. O elenco, por outro lado, garante a unidade, transformando todo o cenário de dualidade em uma experiência realista. Alerta Lobo é um filme pouco comentado, mas que vale a conferida.

9. Cães de Guerra

Hoje, dizer que um filme é dirigido por Todd Phillips pode ser o suficiente para muitos o assistirem, visto que o diretor de Coringa, sem dúvida, já provou que consegue trabalhar com situações das mais diversas e extrair qualidade em todas elas. Em Cães de Aluguel, a ideia é aproveitar o “passeio”. Phillips está, obviamente, alheio a verdades (por mais que seja baseado em uma história real). Ele quer divertir o espectador. Se é diversão que você procura com um filme que tem alguma guerra como suporte, este pode ser o de hoje.

8. Aliados

Tudo em Aliados é tão eficiente que parte da diversão do filme é apreciar todas as peças se encaixando de uma forma sem esforço aparente algum. A direção de Robert Zemeckis ainda é corajosa o suficiente para homenagear clássicos sem maculá-los. Assim, Casablanca é costurado dentro da história com uma sutileza impecável guiada pelas atuações quase hipnotizantes de Brad Pitt e Marion Cotillard e por uma cena que inclui a música La Marseillaise. Filmaço que destoa dos demais da lista no tom empregado... típico de um filme guiado em direção ao sempre bom entretenimento de Zemeckis.

7. O Cerco de Jadotville

Talvez um dos filmes menos conhecidos da lista, O Cerco de Jadotville (ou somente Jadotville como consta na Netflix) é um filme que discute muito além da guerra em si. O que nos cega? Quantos segredos nossos próprios governos escondem? E, quando escondem, é por orgulho? É porque, simplesmente, permitem? Somos omissos demais? Um filme a ser descoberto.

6. Invencível

Dirigido por Angelina Jolie e roteirizado pelos irmãos Coen, Richard LaGravenese e William Nicholson, Invencível (baseado em livro de Laura Hillenbrand) é um filme dirigido claramente com uma paixão intensa. Jolie, no desenvolvimento de sua visão – sempre muito clara –, transborda uma combinação rara de amor pelo ofício e desejo de construir algo válido para o público. E, de fato, ela consegue. Invencível é um filme de superação, de força e que é capaz, também, de inspirar.

5. Corações de Ferro

O diretor David Ayer consegue, com Corações de Ferro, capturar os sentimentos mais introspectivos dos seus protagonistas em combate. Com planos que ora engrandecem a personagem de Brad Pitt, ora revelam a fragilidade do seu olhar trêmulo, Ayer despe os homens da guerra enquanto ainda estão em combate. Logan Lerman, inclusive, é de uma ingenuidade quase palpável, causando uma sensação de simpatia quase que imediata. E quando se percebe essa mesma inocência sendo corrompida pela situação, a dor é real. É um filme que prende o espectador desde a primeira cena e não solta mais.

4. Beasts of No Nation

O primeiro filme original da Netflix continua sendo um dos mais badalados da empresa. Não é por menos. Dirigido por Cary Joji Fukunaga (do ótimo Jane Eyre), Beasts of No Nation é um estudo de personagem que, em paralelo, reflete muito de um mundo socialmente controverso e hipócrita. Ao acompanhar a trajetória do pequeno Agu (Abraham Attah), Fukunaga não só constrói a vida daquela criança, mas a destrói, valendo-se da transformação causada pelo meio. Do menino que brincava com a imaginação através da carcaça de uma televisão a um veterano de guerra que, aos 10 anos de idade, já carrega o peso de um trauma. Além da atuação convincente do pequeno Attah, Idris Elba é incontestável no papel do Comandante, um sujeito que mescla carisma e dominação, recaindo em fraquezas e canalhices que o tornam um dos personagens mais complexos entre as produções da Netflix.

“Sol, por que está brilhando neste mundo? Eu estou esperando para pegar você com as minhas mãos e te espremer tanto que não poderás brilhar mais. Assim, tudo será escuro e ninguém terá que ver todas as coisas terríveis que estão acontecendo aqui”, dessa citação, extraída do próprio filme (que é adaptado por Fukunaga do romance homônimo escrito pelo nigeriano Uzodinma Iweala), um resumo do sentimento pós-filme pode ser extraído. É um filme forte, sofrido, mas necessário.

3. Até o Último Homem

Mel Gibson tende a buscar uma verossimilhança exagerada (e isso pode ser elogioso) em seus filmes. Tanto no que diz respeito às imagens quanto no que é reflexo biográfico do mundo real. Em Até o Último Homem, ele leva sua abordagem para a guerra e transforma o seu filme em algo de uma potência única, instigante. A direção de uma unidade sempre adepta de uma crueza estilizada – e constantemente próxima do protagonista interpretado por Andrew Garfield – cede imersão ao mesmo tempo em que não afeta em exagero. Talvez seja o filme mais equilibrado da carreira de Gibson.

2. A Hora Mais Escura

Kathryn Bigelow é uma diretora de intensidade única. Por mais que esteja guiando uma cena mais contemplativa – como várias das que Jessica Chastain protagoniza em A Hora Mais Escura –, há sempre uma sensação de urgência. Ao trazer a guerra para um âmbito mais íntimo, Bigelow acaba por transformar seu filme em um estudo de personagem que vai muito além da ação (que ela sempre dirige com uma competência absurda). Um filme a ser sempre lembrado.

1. Falcão Negro em Perigo

Dirigido por Ridley Scott, Falcão Negro em Perigo é daqueles filmes que conseguem criar uma empatia quase que imediata junto ao espectador e ajuda o público a compreender o que pode ser uma experiência real de tropas em combate sem jamais banalizar a guerra e transformá-la em entretenimento. Ainda, o roteiro de Ken Nolan (baseado em livro de Mark Bowden) discute os porquês de soldados arriscarem as vidas em situações como as que são retratadas. E a resposta é simples, mas de um calor e de uma sensibilidade praticamente inquestionáveis: “É sobre os homens ao seu lado. E isso é tudo.”

Menções honrosas:

  • A Estrada 47: porque é um inusitado e interessante encontro entre três desertores de diferentes nacionalidades (Brasil, Alemanha e Itália) durante a Segunda Guerra Mundial.
  • O Fotógrafo de Mauthausen: porque é baseado em fatos reais sobre um preso espanhol em um campo de concentração nazista que tenta, ao seu modo, salvar evidências dos horrores.
  • Máquina de Guerra (na Netflix com o título original War Mchine): porque Brad Pitt em filme de guerra já é um clássico... e porque não se leva a sério – e isso é fundamental aqui.
  • Operação Final: porque é mais um filme inusitado, sobre uma equipe de agentes secretos que começa a rastrear o oficial nazista que planejou o Holocausto. Uma espécie de retorno às origens do mal.
  • Sequestro no Mar Vermelho: porque é um filmaço de ação sem pés biográficos produzido entre China, Hong Kong e Marrocos.

Agora, ficam aí os comentários. Vocês podem complementar e enriquecer tudo. Ficaram filmes de fora, claro, então vamos conversando, debatendo... e, de repente, aumentando a lista.

Bons e ruins filmes para nós!

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