7 melhores filmes de guerra inspirados em histórias reais

Por Laísa Trojaike | 22 de Novembro de 2019 às 07h45
Malcolm Browne

As guerras nunca são boas: destruição, traumas e vidas perdidas. Vidas perdidas mesmo para aqueles que permaneceram vivos. Infâncias roubadas, mulheres violadas, corpos mutilados. Não há beleza na guerra, mas no cinema há. E talvez haja um grande desconforto em ver o belo no terrível, mas é justamente isso que os melhores filmes fazem.

Alguns diretores criaram obras primas sobres os horrores que os seres humanos são capazes, sobre o que há de pior em cada um de nós. A lista abaixo busca fugir um pouco dos títulos mais comentados quando se trata do gênero: Apocalypse Now (1979, Francis Ford Coppola), Nascido para Matar (1987, Stanley Kubrick), Além da Linha Vermelha (1998, Terrence Malick), Platoon (1986, Oliver Stone) e A Lista de Schindler (1993, Steven Spielberg), entre outros que, se você ainda não viu, vale a pena conferir.

1. Beasts of No Nation (2015, Cary Joji Fukunaga)

Imagem: Netflix

Fatos: Baseado no livro homônimo do nigeriano Uzodinma Iweala, o filme não localiza o país da guerra civil na qual os personagens estão inseridos, mas nem por isso torna-se completamente ficcional. Embora não seja a adaptação direta e biográfica da vida de um sujeito em especial, a história de Agu (Abraham Attah) é uma referência a cada uma das crianças-soldado das guerras civis que se espalham por países como Uganda, Nigéria, Serra Leoa, entre outros.

O primeiro longa-metragem de ficção produzido pela Netflix (ainda disponível no catálogo) foi um tremendo soco no estômago. Beasts of No Nation trouxe uma verdade crua com uma estetização da violência que não agradou muitos espectadores. Alguns filmes de guerra abordam os traumas que esses conflitos geram nas crianças e, aqui, temos o conhecimento de uma realidade pouco explorada nas mídias e filmes mais comerciais, afinal a Segunda Guerra Mundial não foi a única que existiu.

Beasts of No Nation mostra como a infância é roubada por conflitos armados que absorvem toda a realidade ao seu redor. A sensação de que não há escapatória, de que as únicas opções são o mal ou a morte, é uma opressão constante durante o filme e respinga com força no espectador.

2. Dunkirk (2017, Christopher Nolan)

Imagem: Warner Bros.

Fatos: Inspirado nos eventos da Operação Dínamo, durante a Segunda Guerra Mundial, quando centenas de milhares de soldados aliados foram evacuados da cidade de Dunquerque para a Inglaterra através do Canal da Mancha, em uma das estratégias de guerra mais famosas da história.

Christopher Nolan, que já tem um histórico de filmes com noções temporais complexas, entrelaça três linhas do tempo distintas: os eventos que se passaram em terra, no ar e no mar. Som e montagem são elementos essenciais para causar uma sensação de urgência no espectador, ou seja, esse não é um filme para relaxar.

Dunkirk (disponível no Telecine) tem uma importância maior para o cinema de guerra que para a história em si. A direção, somada ao trabalho dos demais departamentos, cria uma atmosfera única e característica do diretor. Quando se trata de imersão, poucos filmes de guerra são realmente capazes de angustiar o espectador com algo que não seja o terror das ações. Transmitir a sensação de que na guerra cada segundo é importante é algo que poucos conseguiram e Nolan certamente entrou para essa lista.

3. Guerra ao Terror (2008, Kathryn Bigelow)

Imagem: Imagem Filmes

Fatos: O título em português faz referência à campanha de guerra dos EUA em resposta aos ataques de 11 de setembro. O título em inglês, The Hurt Locker, descreve o sentimento no qual estavam mergulhados os soldados enviados ao Iraque. Ainda que não faça referência a uma situação específica, o roteiro foi escrito pelo jornalista Mark Boal, um ex-correspondente na Guerra do Iraque.

Dirigido por Kathryn Bigelow, que esteve também à frente de A Hora Mais Escura (2012), Guerra ao Terror (disponível no Amazon Prime Video) é um filme que exalta o soldado americano sem exaltar tanto assim o governo que o colocou lá. Há o entendimento de que existe uma guerra travada entre estados, mas Bigelow é uma diretora sensível o suficiente para ressaltar a pressão psicológica sofrida pelos indivíduos que estão em campo, enfrentando a realidade da guerra.

Não se trata de um filme de guerra de defenda valores propagandistas (ainda que isso possa ser explorado pelo espectador), mas de entender que falar de luta entre nações é apenas um eufemismo diante da existência de soldados e civis morrendo ou vivendo situações limítrofes.

4. A Queda! As Últimas Horas de Hitler (2004, Oliver Hirschbiegel)

Imagem: Europa Filmes

Fatos: Baseado em documentações históricas e nas memórias de Traudl Junge, a última secretaria pessoal de Adolf Hitler.

Muito além do meme, A Queda! As Últimas Horas de Hitler tem uma abordagem mais intimista da figura de Hitler. Nesse filme, vemos muito mais o lado humano e estratégico de uma liderança, assim como a sua ruína.

Hitler é, provavelmente, uma das personalidades mais amplamente conhecidas (e odiadas) da história e o ator Bruno Ganz conseguiu dar ao personagem diversas facetas distintas daquela de terrível ditador. Em A Queda!, Hitler é também sensível, amável, falível e vulnerável, humano enfim, e justamente por isso passível de erro e sujeito à morte (ainda que por suicídio no conforto do seu bunker).

5. Alemanha Ano Zero (1948, Roberto Rossellini)

Imagem: Versátil

Fatos: Tendo a Segunda Grande Guerra terminado em 1945, as filmagens em Berlim mostram a cidade destruída por bombardeios e ocupações aliadas.

A guerra acabou, mas as consequências terão ecos por muitos anos nas vidas dos moradores desses locais. Roberto Rossellini cria um filme absolutamente impactante ao acompanhar uma criança que vaga pela cidade vivenciando toda espécie de desgraças com as quais uma infância não deveria ter contato.

O filme faz parte de uma trilogia que conta ainda com Roma, Cidade Aberta (1945) e Paisà (1946), que são obras ainda mais próximas temporalmente dos acontecimentos da guerra. A trilogia é, além de um registro histórico, uma das produções mais importantes da história do cinema.

6. Túmulo dos Vagalumes (1988, Isao Takahata)

Imagem: Versátil

Fatos: Baseado no livro parcialmente autobiográfico "Haturo no Haka", de 1967, escrito por Akiyuki Nosaka, que viu suas irmãs morrerem de desnutrição em consequência da guerra.

Não se deixe enganar pelo formato de animação japonesa fofa, porque esse é provavelmente um dos filmes mais tristes que você verá na sua vida.

Túmulo dos Vagalumes também explora as consequências da guerra para a geração de crianças. Um pouco diferente de outros títulos citados nessa lista, essa animação foca mais na relação entre os irmãos e em como, apesar de toda a destruição, dor e tristeza, uma pessoa é capaz de tentar encontrar o bem e o belo para fazer a vida de alguém melhor (ou menos ruim).

7. Vá e veja (1985, Elem Klimov)

Imagem: Lume Filmes

Fatos: O roteiro é escrito por Ales Adamovich, que também escreveu um livro com suas memórias. Quando adolescente, juntou-se aos Partisans Soviéticos, trabalhando como mensageiro e soldado no período em que os nazistas incendiaram sistematicamente centenas de aldeias da Bielorrússia e exterminaram seus habitantes.

Vá e Veja (disponível no Looke)parece empenhado em causar no espectador todos os sentimentos de uma guerra: ódio, dor, desespero, tristeza... e faz isso não somente com a história trágica que relata, mas também direcionando olhares para fora da tela, com inquietantes quebras da quarta parede.

Esse é um filme que consegue ser cru, cruel, incômodo e ainda assim poético com as imagens. Aqui, a guerra invoca sentimentos com os quais não queremos lidar, mas, em situações-limite, somos obrigados a abraçar. Embora adolescente, o protagonista ainda não é um adulto e também carrega a ideia de uma, se não infância, fase roubada.

Bônus: Band of Brothers

Imagem: Warner Bros.

Essa minissérie de dez episódios (disponível no HBO GO) mescla ficção e documentário para contar a história de veteranos da Segunda Grande Guerra: eles mesmos contam partes das histórias e comentam uns sobre os outros. Como o próprio nome indica, essa é uma história de companheirismo: não há heróis completamente solitários na guerra.

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