Godzilla vs Kong e Duna podem “melar” plano de estreias híbridas da Warner

Por Claudio Yuge | 07 de Dezembro de 2020 às 19h20
Legandary

Na semana passada, noticiamos por aqui que a Warner Bros deve manter a estratégia aplicada com Mulher-Maravilha 1984 e lançar todos os seus 17 grandes filmes de 2021 no chamado modelo híbrido, que contempla a estreia simultânea nas salas de exibição e no streaming HBO Max. O anúncio pegou de surpresa a todos e deixou as grandes redes de cinema com muitas dúvidas sobre a manutenção dessa distribuição no período pós-pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2). E, agora, um dos estúdios que é considerado chave para as bilheterias do próximo ano também questiona essa novidade.

Só para resumir como anda a situação, a AMC, maior rede de exibição dos Estados Unidos, inicialmente rejeitou esse tipo de lançamento com Tenet, que estreou em outubro somente nos cinemas. No final, com muitos dos locais ainda fechados internacionalmente, a receita global não chegou aos US$ 357,8 milhões e, mesmo diante do atual cenário, não foi considerado um sucesso, pois o orçamento foi de US$ 205 milhões.

Imagem: Reprodução/Warner Bros

Mulan, que teve estreia híbrida nos cinemas e como oferta premium no Disney+, aparentemente teve melhor desempenho, pelo menos para a distribuidora, que, no caso, é a mesma companhia dona do estúdio por trás do longa, a Disney. Isso fez com que os executivos da Warner revissem a estratégia e propusessem esse modelo à AMC, oferecendo uma fatia maior sobre a receita vinda com os ingressos.

A AMC até aceitou e apoiou a inicialmente, especialmente porque se tratava apenas de um acordo relacionado à estreia de Mulher-Maravilha 1984 — e não de todos os próximos filmes. Contudo, após o “anúncio-bomba” da Warner na semana, passada, a própria AMC parece estar mudando de ideia novamente; e a Cinemark, a terceira maior dos Estados Unidos, também aderiu aos questionamentos sobre essa nova distribuição.

E onde Godzilla vs Kong e Duna entram na história?

Bem, ambos os filmes foram produzidos pela Legendary Entertainment, que possui o uso dos direitos das histórias. A Warner Bros é quem vai distribuir somente, diferente do caso de Mulher-Maravilha 1984, realizado pela própria companhia. E, segundo o Deadline, fontes quentes de bastidores afirmam que a Legendary vai acionar legalmente a Warner para questionar o lançamento dos títulos no modelo híbrido.

Imagem: Divulgação/Warner Bros

No caso específico da Legendary, havia uma proposta da Netflix veicular Godzilla vs Kong após o filme sair de cartaz nos cinemas. O negócio, contudo, teria sido barrado pela WarnerMedia devido aos planos de estreia conjunta com o HBO Max no dia 21 de maio de 2021. E nada disso teria sido avisado previamente pela Warner Bros.

E a Legendary ganha ainda mais poder de questionar essa estratégia da Warner porque ela bancou 75% do orçamento de produção de Duna, que teria custado entre US$ 165 milhões a US$ 200 milhões. Uma participação semelhante teria acontecido no caso de Godzilla vs Kong. Ou seja, o estúdio quer proteger o investimento, que teria mudado para um modelo de negócios nada rentável para seu lado, sem aviso.

Outros estúdios podem fazer o mesmo

Antes mesmo de sua estreia no dia 1º de outubro de 2021, o Duna de Denis Villeneuve vem sendo alardeado como um dos grandes sucessos da próxima temporada. A aposta é tão grande que uma sequência e um derivado para a TV já estão em desenvolvimento. Mas, caso a Warner endureça, pode ser que o futuro da franquia, que teria um total de seis filmes nos cinemas e mais spin-offs nas telinhas, torne-se incerto.

Imagem: Divulgação/Warner Bros

E, assim como a Legendary, outros estúdios mantêm acordos semelhantes com a Warner Bros, pagando parte da produção de títulos que serão distribuídos pela Warner. E como nenhum deles foi avisado de antemão sobre os lançamentos híbridos, a expectativa é de que todos, ou pelo menos a maioria, também levem o caso para os tribunais.

O assunto promete esquentar com a virada de ano e aguarde por mais disputas no setor nas próximas semanas — especialmente se as vacinas contra a COVID-19 chegarem mais cedo do que o previsto e o mercado enxergar uma volta às salas de cinema antes do que muitos esperavam.

Fonte: ScreenRant  

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