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Crítica Godzilla e Kong: O Novo Império | O gigante poder da amizade

Por| Editado por Durval Ramos | 28 de Março de 2024 às 14h00

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Divulgação/Legendary
Divulgação/Legendary

Uma das maiores batalhas já enfrentadas pela dupla de monstros mais consagrada do cinema — mas só porque o roteiro disse isso. É essa a premissa básica de Godzilla e Kong: O Novo Império, longa que chega aos cinemas neste 28 de março e obriga as criaturas e deixarem as rivalidades de lado em prol de um bem maior do que eles mesmos.

Em mais uma adição ao MonsterVerso, que vem sendo tocado nos últimos anos pelo diretor Adam Wingard (Bruxa de Blair), damos um passeio pelo lado inexplorado da Terra Oca e pelas origens do macacão, que segue como o foco das atenções pela sua parceria com o lado humano da história. Acredite, todos esses conceitos são colocados no longa como se fossem perfeitamente normais, até porque, nesse universo, efetivamente são.

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Há, porém, uma contínua dificuldade em convencer quem está do lado de cá da tela, ainda que O Novo Império seja o filme que mais próximo chega de atingir esse ideal. Na maior parte do tempo, porém, a maior força não está no bafo nuclear do Godzilla ou no machado com manopla portados por Kong, mas sim, no argumento, que tenta ser a cola que liga um combate épico ao outro.

Construir para destruir

Não nos entenda mal, monstros gigantes lutando sempre serão divertidos, principalmente quando a pancadaria acontece em cidades conhecidas como Roma, na Itália, ou o nosso Rio de Janeiro. Mas, também, sabemos que elas não são suficientes para sustentar um longa de quase duas horas e, principalmente, um universo inteiro como o que a Legendary e a Warner Bros. vêm entregando.

Seguindo a tendência de toda essa saga, aliás, o elemento humano acaba sendo o mais fraco de toda a aventura. Em uma sequência direta de Godzilla Vs. Kong, O Novo Império nos coloca ao lado de Ilene Andres (Rebecca Hall), a pesquisadora da Monarch que, agora, é a principal responsável por Jia (Kaylee Hottle).

Enquanto a megacorporação monitora a movimentação dos Titãs ao redor do globo e faz pesquisas na Terra Oca, a especialista também se volta ao sentimento de não pertencimento da filha adotiva. Com a destruição da Ilha da Caveira, Jia é o que restou dos Iwi, uma tribo ancestral; ou não, já que ecos do passado logo voltam para indicar o caminho.

Enquanto Godzilla segue viajando pelos oceanos do mundo em busca de adversários, Kong segue sozinho, também como o último sobrevivente de sua espécie. É dessa aproximação entre macacão e garotinha que saem os conflitos de O Novo Império, além da descoberta do que está por trás do próprio subtítulo, em partes ainda inexploradas do subterrâneo de nosso planeta.

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O roteiro, mais uma vez escrito por Terry Rossio (Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar), transforma o drama humano pouco interessante em uma série de exposições durante o filme. Em diferentes momentos da projeção, o que acontece com Kong entre grunhidos e violência é transformado em palavras pelos especialistas do time de Ilene.

É algo que acaba depondo um bocado contra as personalidades únicas que a história deseja construir, junto das conveniências e das diferentes medidas para situações semelhantes que enfraquecem ainda mais a amizade. Em uma cena de pouco mais de um minuto, por exemplo, Ilene cita os riscos da missão à Terra Oca e reluta em levar consigo o podcaster Bernie Hayes (Brian Tyree Henry), com quem até já trabalhou para salvar o mundo, mas não titubeia quando o mesmo pedido vem da filha adolescente.

Esse aspecto raso do aspecto humano de O Novo Império se torna ainda mais complicado de engolir quando vem destes personagens a tentativa de convencer que as ameaças recém-encontradas são grandes o bastante para motivar a união entre Kong e Godzilla. Este último, aliás, chega a ser poupado durante a projeção, justamente por ter um caráter implacável sempre que aparece, passando a impressão de ser capaz de fazer tudo sozinho.

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O velho problema

A direção de arte de Godzilla e Kong: O Novo Império segue merecendo elogios, cada vez mais se distanciando da escuridão do início do MonsterVerso para apostar em um uso interessante de cores e elementos visuais. Os efeitos também chamam a atenção, nem sempre trazendo o tradicional aspecto plastificado de longas que investem pesado em CGI.

Por outro lado, a direção de Wingard não faz um bom trabalho em transmitir a dimensão das criaturas. Aqui, aliás, não estamos falando de mudanças de tamanho durante a produção, um problema sempre presente em filmes assim, mas da simples e inexplicável falta de referencial para ajudar a reforçar o elemento central da fantasia.

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A escolha de situar o filme praticamente inteiro dentro da Terra Oca contribui diretamente com isso, mas a narrativa visual é o que faz esse aspecto falhar de verdade. Kong, aliás, é quem mais sofre com isso; ele tem a jornada mais completa de todas, passando por sua origem e a sobrevivência da própria raça, mas só tem sua força demonstrada de verdade na última cena do filme.

Momentos carismáticos tentam reforçar o quanto estas criaturas são gigantescas, como a cena em que o macacão passa por um tratamento dentário ou o momento em que Godzilla elege o Coliseu Romano como seu bercinho. Sim, o filme traz tudo isso.

Talvez tenha sido uma decisão consciente guardar a magnitude dos dois para o confronto final, mas ao chegar lá, o espectador já pode ter perdido o interesse.

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Vale a pena ver Godzilla e Kong: O Novo Império? 

O novo longa do MonsterVerso repete o principal problema de todo o universo: não empolgar. É uma (falta de) capacidade que chega a ser incrível, afinal de contas, estamos falando de um filme com monstros gigantes lutando violentamente e devastando grandes cidades do mundo como se fossem feitas de papel.

Nestes momentos, inclusive, Godzilla e Kong: O Novo Império brilha muito. As falhas estão em tudo o que está relacionado a isso, com mais um roteiro cheio de conveniências e personagens desinteressantes. Dessa vez, eles acabam mais relegados a seu papel de justificar as brigas e entregar o contexto por trás dos Titãs, o que é um ponto positivo, mas nem tanto.

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Todos falham, porém, em entregar a magnitude das criaturas e, principalmente, da ameaça que faz com que os rivais Kong e Godzilla se tornem amigos. Seria mais um longa daqueles que você não vai mais se lembrar em uma semana, não fosse a batalha final no Rio de Janeiro, marcante pelas cenas de locais conhecidos de todos nós sendo destruídos. Mas é basicamente isso, com um final acelerado que reflete a falta de empolgação proporcionada pela película inteira.

Godzilla e Kong: O Novo Império estreia no Brasil em 28 de março. O filme é dirigido por Adam Wingard (Godzilla Vs. Kong) e tem Rebecca Hall (Christine), Brian Tyree Henry (Homem-Aranha: No Aranhaverso), Dan Stevens (Downton Abbey) e Kaylee Hottle (Godzilla vs. Kong) no elenco principal.