Publicidade

Crítica Godzilla e Kong: O Novo Império | O gigante poder da amizade

Por  • Editado por  Durval Ramos  | 

Compartilhe:
Divulgação/Legendary
Divulgação/Legendary

Uma das maiores batalhas já enfrentadas pela dupla de monstros mais consagrada do cinema — mas só porque o roteiro disse isso. É essa a premissa básica de Godzilla e Kong: O Novo Império, longa que chega aos cinemas neste 28 de março e obriga as criaturas e deixarem as rivalidades de lado em prol de um bem maior do que eles mesmos.

Continua após a publicidade

Em mais uma adição ao MonsterVerso, que vem sendo tocado nos últimos anos pelo diretor Adam Wingard (Bruxa de Blair), damos um passeio pelo lado inexplorado da Terra Oca e pelas origens do macacão, que segue como o foco das atenções pela sua parceria com o lado humano da história. Acredite, todos esses conceitos são colocados no longa como se fossem perfeitamente normais, até porque, nesse universo, efetivamente são.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Há, porém, uma contínua dificuldade em convencer quem está do lado de cá da tela, ainda que O Novo Império seja o filme que mais próximo chega de atingir esse ideal. Na maior parte do tempo, porém, a maior força não está no bafo nuclear do Godzilla ou no machado com manopla portados por Kong, mas sim, no argumento, que tenta ser a cola que liga um combate épico ao outro.

Construir para destruir

Não nos entenda mal, monstros gigantes lutando sempre serão divertidos, principalmente quando a pancadaria acontece em cidades conhecidas como Roma, na Itália, ou o nosso Rio de Janeiro. Mas, também, sabemos que elas não são suficientes para sustentar um longa de quase duas horas e, principalmente, um universo inteiro como o que a Legendary e a Warner Bros. vêm entregando.

Seguindo a tendência de toda essa saga, aliás, o elemento humano acaba sendo o mais fraco de toda a aventura. Em uma sequência direta de Godzilla Vs. Kong, O Novo Império nos coloca ao lado de Ilene Andres (Rebecca Hall), a pesquisadora da Monarch que, agora, é a principal responsável por Jia (Kaylee Hottle).

Enquanto a megacorporação monitora a movimentação dos Titãs ao redor do globo e faz pesquisas na Terra Oca, a especialista também se volta ao sentimento de não pertencimento da filha adotiva. Com a destruição da Ilha da Caveira, Jia é o que restou dos Iwi, uma tribo ancestral; ou não, já que ecos do passado logo voltam para indicar o caminho.

Enquanto Godzilla segue viajando pelos oceanos do mundo em busca de adversários, Kong segue sozinho, também como o último sobrevivente de sua espécie. É dessa aproximação entre macacão e garotinha que saem os conflitos de O Novo Império, além da descoberta do que está por trás do próprio subtítulo, em partes ainda inexploradas do subterrâneo de nosso planeta.

Continua após a publicidade

O roteiro, mais uma vez escrito por Terry Rossio (Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar), transforma o drama humano pouco interessante em uma série de exposições durante o filme. Em diferentes momentos da projeção, o que acontece com Kong entre grunhidos e violência é transformado em palavras pelos especialistas do time de Ilene.

É algo que acaba depondo um bocado contra as personalidades únicas que a história deseja construir, junto das conveniências e das diferentes medidas para situações semelhantes que enfraquecem ainda mais a amizade. Em uma cena de pouco mais de um minuto, por exemplo, Ilene cita os riscos da missão à Terra Oca e reluta em levar consigo o podcaster Bernie Hayes (Brian Tyree Henry), com quem até já trabalhou para salvar o mundo, mas não titubeia quando o mesmo pedido vem da filha adolescente.

Esse aspecto raso do aspecto humano de O Novo Império se torna ainda mais complicado de engolir quando vem destes personagens a tentativa de convencer que as ameaças recém-encontradas são grandes o bastante para motivar a união entre Kong e Godzilla. Este último, aliás, chega a ser poupado durante a projeção, justamente por ter um caráter implacável sempre que aparece, passando a impressão de ser capaz de fazer tudo sozinho.

Continua após a publicidade

O velho problema

A direção de arte de Godzilla e Kong: O Novo Império segue merecendo elogios, cada vez mais se distanciando da escuridão do início do MonsterVerso para apostar em um uso interessante de cores e elementos visuais. Os efeitos também chamam a atenção, nem sempre trazendo o tradicional aspecto plastificado de longas que investem pesado em CGI.

Por outro lado, a direção de Wingard não faz um bom trabalho em transmitir a dimensão das criaturas. Aqui, aliás, não estamos falando de mudanças de tamanho durante a produção, um problema sempre presente em filmes assim, mas da simples e inexplicável falta de referencial para ajudar a reforçar o elemento central da fantasia.

Continua após a publicidade

A escolha de situar o filme praticamente inteiro dentro da Terra Oca contribui diretamente com isso, mas a narrativa visual é o que faz esse aspecto falhar de verdade. Kong, aliás, é quem mais sofre com isso; ele tem a jornada mais completa de todas, passando por sua origem e a sobrevivência da própria raça, mas só tem sua força demonstrada de verdade na última cena do filme.

Momentos carismáticos tentam reforçar o quanto estas criaturas são gigantescas, como a cena em que o macacão passa por um tratamento dentário ou o momento em que Godzilla elege o Coliseu Romano como seu bercinho. Sim, o filme traz tudo isso.

Talvez tenha sido uma decisão consciente guardar a magnitude dos dois para o confronto final, mas ao chegar lá, o espectador já pode ter perdido o interesse.

Continua após a publicidade

Vale a pena ver Godzilla e Kong: O Novo Império? 

O novo longa do MonsterVerso repete o principal problema de todo o universo: não empolgar. É uma (falta de) capacidade que chega a ser incrível, afinal de contas, estamos falando de um filme com monstros gigantes lutando violentamente e devastando grandes cidades do mundo como se fossem feitas de papel.

Nestes momentos, inclusive, Godzilla e Kong: O Novo Império brilha muito. As falhas estão em tudo o que está relacionado a isso, com mais um roteiro cheio de conveniências e personagens desinteressantes. Dessa vez, eles acabam mais relegados a seu papel de justificar as brigas e entregar o contexto por trás dos Titãs, o que é um ponto positivo, mas nem tanto.

Continua após a publicidade

Todos falham, porém, em entregar a magnitude das criaturas e, principalmente, da ameaça que faz com que os rivais Kong e Godzilla se tornem amigos. Seria mais um longa daqueles que você não vai mais se lembrar em uma semana, não fosse a batalha final no Rio de Janeiro, marcante pelas cenas de locais conhecidos de todos nós sendo destruídos. Mas é basicamente isso, com um final acelerado que reflete a falta de empolgação proporcionada pela película inteira.

Godzilla e Kong: O Novo Império estreia no Brasil em 28 de março. O filme é dirigido por Adam Wingard (Godzilla Vs. Kong) e tem Rebecca Hall (Christine), Brian Tyree Henry (Homem-Aranha: No Aranhaverso), Dan Stevens (Downton Abbey) e Kaylee Hottle (Godzilla vs. Kong) no elenco principal.