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Como Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo resgatou a carreira de ator de Goonies

Por| Editado por Jones Oliveira | 26 de Fevereiro de 2023 às 20h00

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Além de ser um dos maiores sucessos de 2022 e o favorito do Oscar deste ano, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo traz uma história ainda mais pessoal para um de seus atores principais. O longa que concorre a 11 estatuetas, incluindo o de Melhor Filme, representa a volta do ator Ke Huy Quan depois de três décadas longe do cinema.

O ator de 51 anos vive Waymond, o bondoso marido da protagonista — um papel que lhe rendeu a indicação a Melhor Ator Coadjuvante —, mas Quan é um velho conhecido do público, tendo participado de dois grandes clássicos da infância de muita gente: Os Goonies e Indiana Jones e o Templo da Perdição.

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Só que, apesar desse começo bastante promissor, ele não conseguiu emplacar uma carreira em Hollywood e passou nada menos do que 30 anos longe da atuação, ora esperando ser chamado para um trabalho, ora abrindo mão do sonho que forjou ainda na infância.

Abandonado por Hollywood

Desde a estreia e o consequente sucesso de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, Quan não se acanhou em contar a história de superação que o longa representa para ele. “A última vez que o público me viu, eu era uma criança — e agora sou um homem de meia idade”, disse ao jornal britânico The Telegraph. “Eu achei que as pessoas tinham esquecido de mim”, desabafou durante o programa de Stephen Colbert.

E embora as pessoas não tenham se esquecido dele, parece que Hollywood sim. Embora tenha protagonizado dois grandes clássicos dos anos 1980, os estúdios rapidamente deixaram de chamá-lo para outros projetos a ponto de ele ter passado três décadas sem ter participado de um único filme.

Depois de Indiana Jones e Os Goonies, Quan chegou a participar de alguns longas e séries de TV menores no início dos anos 1990 — e só. Seu último trabalho no cinema americano foi em 1992 com O Homem da Califórnia e, desde então, nunca mais. No máximo, algumas obras chinesas em 1997 e 2002.

O próprio ator pontua o quanto isso o abalou durante todo esse tempo. Ao Telegraph, ele conta que começou a carreira quase por acaso e, aos 13, seu primeiro trabalho já tinha o levado ao que considerava o topo. O problema é que, da mesma forma que chegou a esse auge rápido demais, o ostracismo também foi acelerado.

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“É sempre difícil fazer a transição do ator mirim para o adulto. Mas quando você é asiático, isso se torna 100 vezes mais difícil”, lamenta o ator. Segundo ele, foram longos anos esperando o telefone tocar oferecendo uma oportunidade, mas que isso nunca mais aconteceu.

Foi em 1993, aos 22 anos de idade, que decidiu desistir do cinema. Ele tinha acabado de perder um papel de figurante em um filme sobre a Guerra do Vietnã e passou a acreditar que não era mais bom o bastante para isso.

Ainda assim, se negava a admitir para os outros que estava abrindo mão de seu sonho. Em uma entrevista recente, Quan conta que, quando perguntavam por que ele não voltava a fazer filmes, ele dizia que era uma opção sua, que não tinha mais interesse no caos de Hollywood — uma mentira que ele tentava também contar para si mesmo.

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O ator conta que chegou a ficar por um bom tempo preso em um limbo: desempregado, ele havia desistido de procurar novos papéis e também não recebia nenhuma proposta dos estúdios. “Eu esperava por um milagre. Um Goonies 2, um novo Indiana Jones ou uma série de TV que eu pudesse participar”, conta ao Telegraph. “Mas esse milagre nunca veio”.

A retomada de Short Round

Apesar disso, Ke Huy Quan não conseguiu ficar longe em definitivo do cinema. Sem espaço na atuação, decidiu que talvez era hora de ir para trás das câmeras. No começo dos anos 2000, passou a trabalhar como assistente de direção em filmes como O Confronto. Foi também tradutor do coreógrafo de luta do primeiro X-Men.

Só que a vontade de voltar a atuar nunca foi embora e reacendeu quando ele assistiu ao longa Podres de Ricos. Estrelado por Gemma Chan (Eternos), Awkwafina (Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis) e a própria Michelle Yeoh de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, o filme fez Quan acreditar que era possível ter um sucesso hollywoodiano com elenco asiático.

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Impactado pela representatividade, ele contratou um agente para tentar se reinserir no mercado. A ideia era começar por baixo, com figuração e pequenas pontas aqui e ali, mas foi quando recebeu o roteiro de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo para um personagem que, segundo Quan, tinha sido escrito para ele. O resto é história.

Agora, depois do sucesso do longa e do reconhecimento de sua carreira, o ator vietnamita de 51 anos parece ainda não acreditar na reviravolta de sua vida. Após ser indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, ele parece ter entrado em êxtase e sem acreditar no que está acontecendo.

Ao The New York Times, ele conta que recebeu a indicação quase como um surto. “Eu estava gritando e pulando, exatamente como eu fiz quando me chamaram para o papel”, diz. Segundo ele, foi o dia mais feliz da sua vida.

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“Assisti ao Oscar por mais de 30 anos e sempre me imaginava no tapete vermelho e dentro daquele teatro com todo mundo”, conta o ator. “Com o tempo, as chances de isso acontecer foram desaparecendo e, quando desisti de atuar, achei que esse sonho nunca iria voltar. Então, ouvir a indicação é inacreditavelmente surreal”.

Uma história digna de cinema.