Cientistas encontram evidências do evento que extinguiu os dinossauros

Por Rafael Arbulu | 16 de Setembro de 2019 às 21h50

Uma equipe de cientistas da Universidade do Texas encontrou evidências do primeiro dia da Terra após ter sofrido o impacto de um asteroide gigante há 66 milhões de anos — esse mesmo evento levou à extinção mais de 70% da vida no planeta na época, incluindo os dinossauros. Liderados por Sean Gulick, um professor do Instituto de Geofísica da universidade, os cientistas encontraram o material no ponto mais alto e central da cratera Chicxulub, localizada sob a Península de Iucatã, no México.

Os dados encontrados estão sendo catalogados pela equipe e vêm sendo referidos como “o primeiro dia do Cenozóico”, nome atribuído ao período iniciado imediatamente após o fim dos dinossauros (era Mesozóica) e que perdura até hoje, contemplando a era moderna humana.

Embora a cratera em si tenha sido alvo de pesquisas e coletas de amostras antes, ninguém até então havia chegado ao que se convém chamar de “anel de pico” (um tradução literal para “peak ring”, em inglês). A equipe de Gulick suspeitava que a região ainda não tivesse passado pela erosão comum causada por choques de terremotos que vieram posteriormente, o que faria dela um sítio de pesquisas praticamente intocado. Eles estavam certos.

Sean Gulick, cientista que liderou equipe geológica na cratera originada pelo impacto do asteróide que matou os dinossauros, há 66 milhões de anos (Foto: Divulgação/Universidade do Texas)

"É um registro expandido dos eventos que pudemos recuperar do ponto zero [do choque]”, disse Gulick em um comunicado emitido pela Universidade do Texas. “Isso diz muito sobre os processos de impacto do ponto de vista de uma testemunha ocular”. A evidência encontrada inclui pedaços de carvão e outros tipos de rocha mineral, além de uma evidente ausência de enxofre. A liberação da substância química é comum nesse tipo de evento. Segundo Gulick, isso tudo é parte de “um registro mineral que oferece a mais detalhada visão do pós-evento relacionado à catástrofe que levou ao fim dos dinossauros”.

A maior parte do material encontrado foi gerado no momento do impacto ou no primeiro dia após ele, com partes sendo preservadas dentro da cratera em si, enquanto outras acabaram levadas pelo mar do Golfo do México. O primeiro dia do impacto, sozinho, depositou cerca de 425 pés (aproximadamente 130 metros) de material geológico — um volume tido como um dos maiores já encontrados na história da Geologia. Esse índice significa que as formações rochosas da época registraram as transformações ocorridas no ambiente meros minutos e horas após o choque, trazendo pistas sobre os efeitos mais duradouros do evento.

Impacto também gerou mega tsunami

Outra equipe que também realizava pesquisas na cratera de Chicxulub retirou rochas enterradas na região, em profundidades que variavam entre 500 e 1,3 mil metros, identificando compostos moleculares como hidrocabonetos policíclicos aromáticos (“aromáticos” referindo-se ao seu formato anelar e não ao cheiro), em especial um chamado “perileno”, muito comum em pigmentos expelidos por fungos que desgastam madeira.

A presença desse composto sugere que um tsunami de vários metros de altura inundou a cratera meros dias após o impacto do asteroide. "Esta pesquisa ajuda a responder a questão de o que exatamente teria acontecido no momento imediato após um dos eventos mais significativos da história da Terra", disse Kliti Grice, do Instituto de Geoquímica da Universidade de Curtin, da Austrália. “A abundância de perileno dentro da cratera é um resultado de ele ter sido transportado para ela por dejetos de solo e plantas arrastados pelo tsunami”.

Os evento de impacto do asteroide com a Terra foi responsável pela extinção de aproximadamente 75% da vida no planeta. Nisso, incluem-se não apenas os dinossauros, mas outros animais e plantas. Imediatamente após o choque, a temperatura na região elevou-se exponencialmente, seguida de um longo período de resfriamento e bloqueio da luz solar devido à formação de uma nuvem de dejetos extremamente densa. A maior parte dos animais morreu momentos depois do impacto, mas os sobreviventes não suportaram as variações climáticas. “A grosso modo, o asteroide os fritou e a Terra os congelou”, disse Gulick.

Fonte: Eureka Alert; Space.com

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