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Destruição de cidade bíblica é confirmada pelo campo magnético da Terra

Por| Editado por Luciana Zaramela | 11 de Janeiro de 2024 às 14h37

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Dr. Yoav Vaknin/CC-BY-4.0
Dr. Yoav Vaknin/CC-BY-4.0

Quase 3.000 anos depois do relato da destruição de uma antiga cidade dos Filisteus, a ciência conseguiu comprovar que a causa de sua queda realmente foi um ataque deliberado, e não uma simples erosão por abandono. O local em questão é Gate, que surge no Antigo Testamento da Bíblia, que agora teve a destruição proposital corroborada por uma técnica de detecção de campos magnéticos.

No Segundo Livro dos Reis, é descrito que a “grande cidade de Gate” foi capturada e saqueada pelos exércitos de Hazael, rei de Arã-Damasco. Há muito tempo, arqueólogos já haviam encontrado restos das construções bíblicas no sítio de Tel es-Safi, que tem uma camada bem definida de destruição comprovadamente antiga por datação via radiocarbono.

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Já em 2011, análises de um muro derrubado em Tel complicaram as definições científicas, já que pesquisadores determinaram que a estrutura teria caído ao longo de décadas ao invés de ter sido derrubada em um único evento violento. Sinais da exposição dos tijolos ao fogo poderiam, segundo eles, vir do seu cozimento em fornos antes da construção. Para sanar essa dúvida, métodos mais modernos tiveram de ser utilizados.

Fogo e magnetismo no Levante

Um ponto que gerou discordância com a teoria de 2011 é o consenso de que tijolos cozidos em fornos só se disseminaram no Levante na época romana, e, antes disso, eram postos para secar no sol antes do uso em construções. Cientistas da Universidade de Tel-Aviv criaram um novo método para determinar em qual situação os tijolos foram queimados através de partículas ferromagnéticas.

A argila usada nos artefatos contém milhões de partículas desse tipo, minerais com propriedades magnéticas que funcionam como mini bússolas ou ímãs. Quando são aquecidas a 200 ºC ou mais, como em um incêndio, os sinais magnéticos das partículas são liberados, tendendo a se alinhar com o campo magnético da Terra na época e local em que estão. Ao contrário de um tijolo secado ao sol, um tijolo cozido obtém um campo magnético forte e uniformemente orientado, o que conseguimos medir com um magnetômetro.

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Pela lógica, caso um muro seja destruído em um incêndio, todos os tijolos ficariam voltados na direção do campo magnético da Terra no exato momento do evento. Um tijolo cozido em forno também ficaria com o campo magnético alinhado, mas, como cada tijolo é colocado em uma orientação aleatória durante a construção, a orientação do muro teria diversos campos magnéticos apontando para direções diferentes.

Uma técnica chamada desmagnetização termal pode descobrir se os campos magnéticos estão alinhados ou não ao esquentar a argila em um forno especial que neutraliza o campo magnético da Terra. O material só se desmagnetiza nesse forno quando é exposto à mesma temperatura que causou sua magnetização — assim, é possível saber se os tijolos foram queimados juntos e se seus campos magnéticos apontam para a mesma direção.

Os resultados indicam um aquecimento e arrefecimento in-situ, ou seja, no mesmo local, causando um colapso de toda a estrutura em poucas horas. Além de confirmar o relato bíblico de destruição da cidade, a técnica também determinou que os tijolos haviam sido fabricados e secados no sol e não em fornos. Segundo os cientistas, na época dos Reis de Judá e Israel no Levante, o cozimento de tijolos não era uma prática popular, como indicado pela pesquisa.

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Fonte: PLOS One, EurekAlert!