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Cientistas criam 1º embrião humano sintético usando células-tronco

Por| Editado por Luciana Zaramela | 14 de Junho de 2023 às 19h29

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iLexx/Envato Elements
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Em um extraordinário avanço científico, pesquisadores conseguiram criar embriões humanos sintéticos utilizando células-tronco, dispensando o uso de óvulos ou espermatozoides. Lembrando os embriões nos primeiros estágios de desenvolvimento natural, estas versões artificiais poderão permitir estudos inéditos acerca de distúrbios genéticos e causas biológicas de aborto espontâneo recorrente, por exemplo. Alguns cientistas citam planos de usar os embriões sinéticos para doação de órgãos.

O trabalho, realizado por cientistas da Universidade de Cambridge e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, também acaba levantando questões éticas e legais, já que as entidades laboratoriais ficam de fora da legislação atual da maioria dos países, como o Reino Unido, onde a pesquisa foi realizada. As estruturas não possuem um coração pulsante ou sequer o início de um cérebro, mas há, nelas, células que normalmente formarão a placenta, como o saco vitelino e o próprio embrião.

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Em uma conferência na última quarta-feira (14), a pesquisadora Magdalena Żernicka-Goetz descreveu como o trabalho foi feito. Não há, ainda, previsão de uso clínico para os embriões sintéticos, e seria ilegal implantá-los no útero de qualquer paciente. Os cientistas também não sabem se as estruturas têm o potencial de continuar amadurecendo para além dos primeiros estágios de desenvolvimento embrionário.

Motivações e avanços da pesquisa com embriões sintéticos

Uma das motivações dos cientistas é estudar o período conhecido como “caixa preta” do desenvolvimento humano, chamado assim por ser permitido o cultivo de embriões em laboratório pelo limite de 14 dias. Os próximos estágios possíveis são estudados apenas em imagens de tomografia e ressonância em grávidas e embriões doados para pesquisa, muito mais à frente no desenvolvimento.

Modelar esse desenvolvimento com células-tronco poderia permitir estudar esse período crítico do nosso crescimento, sem usar embriões “reais” na pesquisa.

Em investigações anteriores, tanto a equipe de Żernicka-Goetz quanto outra rival, no Instituto Weizmann, em Israel, conseguiram fazer células-tronco de camundongos se reorganizar para criar estruturas semelhantes a embriões, chegando até a desenvolver trato intestinal, o início de um cérebro e de um coração pulsante. Isso desencadeou uma corrida para repetir o feito com células humanas, o que se mostrou ser possível na mais recente pesquisa.

Um estudo detalhando a novidade ainda está para ser publicado, mas os cientistas já descreveram ter cultivado os embriões para um estágio pouco além do equivalente a 14 dias de desenvolvimento para um embrião natural.

Cada modelo estrutural, criado a partir de uma célula-tronco embrionária única, chegou ao início de um marco chamado de gastrulação, quando o embrião passa de uma folha de células para a formação de linhas celulares distintas, formando os eixos básicos do corpo. Embora os órgãos não tenham iniciado o desenvolvimento nesse estágio, já podem ser vistas células primordiais, as precursoras dos óvulos e espermatozoides.

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Questões legais

O trabalho deixa claro que a ciência tem corrido, ao menos neste campo, mais rápido que a legislação. Cientistas de todo o mundo já buscam traçar orientações voluntárias para governar o trabalho sobre os embriões sintéticos — se a intenção é, afinal de contas, criar modelos iguais aos de embriões normais, então eles deveriam ser tratados de maneira semelhante, segundo especialistas. Na legislação atual, eles não são, e isso gera preocupações.

Um dos principais questionamentos — e que ainda não tem resposta — é se as estruturas poderiam, teoricamente, se tornar um ser vivo. Os embriões de camundongo, por exemplo, apesar de ser quase idênticos a embriões naturais, não se tornaram seres vivos ao serem implantados em úteros de fêmeas.

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Em abril, pesquisadores implantaram embriões sintéticos de símios no útero de fêmeas adultas, na China, mostrando os primeiros sinais de gravidez, mas não passando dos primeiros dias. Não sabemos, ainda, se a barreira para o desenvolvimento é técnica ou biológica. Esse desconhecimento, segundo os cientistas, coloca mais pressão ainda para legislação restrita em pesquisas como essas.

Fonte: ISSCR via The Guardian