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Centenas de fortes romanos na Síria surgem em fotos de satélite da Guerra Fria

Por| Editado por Luciana Zaramela | 27 de Outubro de 2023 às 10h25

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Casana et al./Antiquity/CC-BY-4.0
Casana et al./Antiquity/CC-BY-4.0

Imagens da Guerra Fria liberadas recentemente mostram que satélites espiões registraram centenas de fortes romanos há muito tempo perdidos na Síria e no Iraque. Elas vêm de documentos desconfidencializados, ou seja, tornados públicos após anos sendo considerados confidenciais por razões políticas, por exemplo.

Os antigos fortes foram documentados pela primeira vez no Oriente Próximo nos anos 1920, quando o padre jesuíta Antoine Poidebard fez uma das primeiras buscas arqueológicas aéreas da história. No trabalho, foi contada uma linha de 116 fortalezas, e o estudioso sugeriu que teriam sido usadas na proteção da fronteira romana da província síria de invasões vindas da península arábica e da Pérsia.

Agora, pesquisadores da Faculdade Darmouth resolveram analisar a região por meio do estudo de imagens de satélite do século XX, tornadas públicas recentemente. Marcas na paisagem indicaram a presença de 396 novos fortes da era romana nas estepes da Síria, no Oriente Próximo.

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Os cientistas identificaram as construções por conta das sombras características geradas pelas ruínas romanas, o que as diferencia de construções modernas. Geralmente, os muros e paredes de sítios arqueológicos já foram derrubados, gerando imagens bastante reconhecíveis, como o clássico retângulo de 50 m por 80 m feito pelos romanos.

Contestando a arqueologia antiga

A pesquisa conseguiu localizar 38 dos fortes originais do padre Poidebard, o que pode indicar que a intensa agricultura e urbanização da região no último século escondeu muitas das estruturas registradas por ele. Curiosamente, as centenas de novas fortalezas estavam espalhadas do leste ao oeste, indicando que não necessariamente seriam parte de uma fronteira reforçada em norte-sul para a proteção contra invasores vindos do leste.

Isso gerou a teoria de que o complexo de fortificações servia, na verdade, para ajudar na movimentação de tropas ou de bens pela região, protegendo caravanas comerciais viajando pelas províncias orientais e territórios não-romanos da região. Caso isso esteja correto, nossa visão sobre essa parte do mundo romano pode mudar drasticamente.

Primeiramente, seria revelado que a fronteira leste do império não tinha limites muito bem definidos ou restritos, além de que a região era mais focada no comércio e escambo do que guerras. Segundo um comunicado publicado pelos pesquisadores, desde os anos 1930 há debates acerca das estratégias e propósitos políticos desse sistema de fortificações, mas poucos acadêmicos desafiaram a noção de Poidebard de que as fortalezas delimitavam uma fronteira romana oriental estrita.

A análise de fotos de satélite como essas poderá ajudar em mais descobertas, como as tiradas por aviões espiões U-2, dos Estados Unidos, entre os anos 1950 e 1960 e desconfidencializadas em 1997. Análises indicam que elas têm melhor resolução do que as do Google Earth e podem revelar diversas relíquias arqueológicas do passado.

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Fonte: Science, Antiquity