Arqueólogos voluntários encontram templo romano de 2.000 anos nos Países Baixos

Arqueólogos voluntários encontram templo romano de 2.000 anos nos Países Baixos

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 23 de Junho de 2022 às 11h20
Bernard Gagnon/CC BY-SA 3.0

Arqueólogos descobriram um santuário romano de 2.000 anos atrás nos Países Baixos, relativamente intacto, o que é considerado excepcional nesse tipo de achado. Quem identificou o lugar pela primeira vez foram voluntários de arqueologia em março de 2021, em uma cidade próxima ao Patrimônio Mundial da UNESCO, o Limes — ou seja, a fronteira do império romano, que atingiu seu tamanho máximo no século 2 d.C.

Segundo os cientistas, havia diversos templos no local, que abrigava restos de ídolos, relevos e gesso pintado. Já foram encontrados outros santuários romanos nos Países Baixos, mas este é o primeiro tempo e complexo completos do país. O local do achado foi Zevenaar, na província de Gelderland, no centro-leste do país.

Os templos e seus objetos

Pedras votivas inteiras e altares dedicados a diversos deuses e deusas cultuados à época foram encontrados no local, que, segundo a Agência do Patrimônio Cultural do país, foi utilizado por séculos. Todo o complexo abriga ruínas de pelo menos dois templos, identificados como sendo do século I ao IV d.C. Um deles, maior, fica no alto de uma colina. Outro, menor, fica a alguns metros do primeiro.

Os templos abrigam pedras e poços com restos de sacrifícios, além de fragmentos de esculturas em calcário, em uma preservação inédita até então. Especula-se que os locais eram utilizados primariamente por soldados, que provavelmente oravam, agradeciam e faziam oferendas aos deuses.

Dezenas de pedras votivas de fins ritualísticos foram erguidas por oficiais de alta patente do exército romano, o que é indicado por partes de arreios, restos de armaduras e pontas de lanças no local. Segundo a Agência do Patrimônio Cultural, o achado é altamente incomum nos Países Baixos, mas também é importante internacionalmente.

Certas pedras locais faziam homenagem a Hércules Magusanus, ser híbrido entre o Hércules romano e um herói mítico chamado Magusanus, adorado entre as tribos germânicas que ocupavam a área antes e durante a época romana. Objetos semelhantes também homenageiam deuses romanos como Júpiter Serapis e Mercúrio.

Entre outros achados dos arqueólogos, há resquícios de poços profundos onde os soldados romanos acendiam fogueiras de sacrifício, além de telhas com inscrições. A partir do dia 24 de junho deste ano, vários dos artefatos encontrados no complexo estarão sendo exibidos no Museu Valkhof, em Nijmegen.

Fonte: Reuters, Ancient Origins

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