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Arte rupestre com 2 mil anos retrata música "psicodélica" de ritual

Por| Editado por Luciana Zaramela | 09 de Abril de 2024 às 17h05

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Andrzej Rozwadowski/Cambridge Archaeological Journal
Andrzej Rozwadowski/Cambridge Archaeological Journal

No Peru, grandes painéis de arte rupestre intrigam os paleontólogos há anos. Com figuras humanas em movimento e estranhos padrões geométricos, estes desenhos, feitos há 2 mil anos, podem representar a música “psicodélica” que era tocada em rituais xamânicos. Toda a experiência ocorria sob o efeito de plantas alucinógenas.

Esta é uma nova “chave” para interpretar e descobrir os significados por trás das gravuras rupestres, encontradas em Toro Muerto, no sul do Peru. O local é conhecido por preservar uma das maiores coleções de arte rupestre da América do Sul, com cerca de 2,5 mil gravuras feitas em pedras vulcânicas.

Antes do novo estudo, liderado por pesquisadores da Universidade Adam Mickiewicz e da Universidade de Varsóvia, ambas na Polônia, os padrões geométricos eram interpretados de outras formas. Por exemplo, foram classificados como símbolos da chuva (água), de raios ou até mesmo de serpentes.

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Gravura milenar representa música “alucinógena”

Os pesquisadores fundamentam a nova hipótese para interpretar essas gravuras rupestres, a partir da comparação com a arte feita pelos Tukanos, um dos primeiros povos humanos a viver na região amazônica da Colômbia

Segundo os autores da pesquisa publicada na revista Cambridge Archaeological Journal, os integrantes deste povo pintavam figuras geométricas, a partir do que eles haviam visto e sentido enquanto experimentava a ayahuasca, uma bebida alucinógena feita com o cipó de uma planta nativa. 

Entre os traços mais comuns, estão: círculos concêntricos, pontos, linhas onduladas e zigue-zagues. Estes mesmos elementos são recorrentes na arte rupestre do Peru.

Viagem para outro mundo?

A partir dessa analogia, os paleontólogos sugerem que "os padrões geométricos do Toro Muerto, com os quais as figuras dos danzantes  [figuras humanas com o corpo em movimento] são justapostas, podem ter sido representações de canções”, no artigo.

"Uma extensão desta hipótese é a sugestão de que algumas das composições mais complexas, constituídas por danzantes e motivos geométricos lineares, eram metáforas gráficas da uma viagem para outro mundo”, acrescentam os pesquisadores. Em outras palavras, representações visuais das viagens psicodélicas.

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"A conjectura lógica a seguir é que o danzante central, cercado por linhas onduladas, está, na verdade, 'cercado' por música, que — incorporando energia e poder simultaneamente — foram a fonte de transferência para outro mundo", detalham os autores sobre a nova interpretação.

Além disso, os desenhos poderiam servir como "uma espécie de guia multissensorial para descobrir e explorar este outro mundo", como sugerem os autores. Se toda a hipótese for verdadeira, ainda não se sabe quais plantas alucinógenas eram usadas nesses rituais.

Fonte: Cambridge Archaeological Journal