Sistemas semiautônomos podem distrair motoristas, diz estudo

Por Felipe Ribeiro | 28 de Novembro de 2020 às 10h00
Felipe Ribeiro/ Canaltech

Aqui no Canaltech nós já tivemos a oportunidade de avaliar alguns veículos que contam com sistemas inteligentes de segurança, como o piloto automático adaptativo, o assistente de permanência em faixa e outros tantos itens tecnológicos que trazem ao carro uma certa sensação de condução semiautônoma. Por mais que esses apetrechos ajudem, nada substitui a ação do motorista e isso é o que um estudo recente do Insurance Institute for Highway Safety (Instituto de Seguros para Segurança Rodoviária, em tradução livre) mostra.

Segundo os pesquisadores e o laboratório de segurança do Massachusetts Institute of Technology, à medida que os condutores adquirem mais confiança nesses sistemas, mais distrações eles têm, o que pode causar mais acidentes.

Os testes foram feitos com 20 motoristas e em dois carros diferentes: o Land Rover Range Rover Evoque e o Volvo S90. No caso do modelo britânico da Land Rover, a tecnologia presente no modelo é o ACC, o Controle de Cruzeiro Adaptativo, ou Piloto Automático Adaptativo. Já no carro sueco, além do ACC, era possível utilizar o Pilot Assist, que mantém o veículo dentro das faixas na estrada e pode fazer curvas de modo automático, tecnologia essa presente em muitos modelos da marca, como o XC40, já testado pelo Canaltech.

O Volvo XC40 é um dos carros mais seguros do mundo, mas não quer dizer que seja completamente autônomo/ Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech

Segundo o estudo, nos primeiros testes, os motoristas mal largavam as mãos do volante e pouco se distraíam em meio aos possíveis auxílios. Mas, com o passar do tempo, isso foi mudando e, depois de um mês com os motoristas utilizando os dois sistemas, houve um bom relaxo na hora de conduzir os veículos.

“Os motoristas tinham duas vezes mais chances de mostrar sinais de desligamento após um mês de uso do Pilot Assist em comparação com o início do estudo”, diz Reagan. “Em comparação com a direção manual, eles tinham 12 vezes mais chances de tirar as duas mãos do volante depois de se acostumarem com o funcionamento [do recurso] de centralização na pista", disse Ian Reagan, principal pesquisador desse estudo.

Conforme relatado pelo estudo, após um tempo de uso, muitos motoristas começaram a mexer mais nos smartphones em viagens na estrada graças ao ACC, já que e possível apenas segurar o volante e o próprio carro frena e acelera conforme o veículo à frente e com uma velocidade pré-programada. No caso do Pilot Assist, é ainda pior, pois o S90 chega a fazer algumas curvas pelo condutor.

Aqui no Canaltech nós já abordamos esses veículos e sistemas algumas vezes e sempre ressaltamos que, apesar das maravilhas que esses sistemas podem fazer em situações emergenciais, nada substitui a ação do motorista, salvo em alguns casos de extrema distração e que tecnologias anticolisão presentes em carros como o próprio S90, o Toyota Corolla e até mesmo o Volkswagen Nivus podem te ajudar bastante.

De acordo com o sistema de classificação desenvolvido pela SAE International, os níveis de automação variam de 0 (sem automação) a 5 (totalmente autônomo). Os sistemas de nível 1 podem auxiliar o motorista em uma tarefa de direção — o ACC se encaixa nesta categoria. Os sistemas de nível 2, como o Pilot Assist, podem ajudar em duas tarefas. O nível 2 é o mais alto nível de automação disponível em veículos de produção atualmente.

Com o constante investimento nessas tecnologias, é possível que, em um futuro breve, vejamos carros ainda mais seguros. E, talvez, motoristas mais relaxados. É esperar para ver.

Fonte: IIHS

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