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JLR faz aporte milionário em startup de reciclagem de baterias

Por| Editado por Jones Oliveira | 01 de Fevereiro de 2024 às 10h30

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Divulgação//Energy Source
Divulgação//Energy Source

João Oliveira, presidente da JLR (Jaguar Land Rover) no Brasil e na América Latina, anunciou um aporte de US$ 1,2 milhão (R$ 5,94 milhões) na Energy Source, startup brasileira com sede em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo.

Segundo o executivo da montadora de carros de luxo, a nova parceira foi escolhida por sua capacidade de colocar um ponto final em uma das principais preocupações que ainda rondam o segmento dos veículos eletrificados: o destino das baterias que, em teoria, “não servem mais”.

“A Jaguar Land Rover encontrou algo praticamente único no mundo, que é uma empresa ter os três erres da economia circular em um mesmo lugar: reparo, reuso e reciclagem. Estou encantado com o potencial global deste investimento, que promove a adoção de soluções inovadoras de baterias projetadas no Brasil", avisou Oliveira.
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Segundo o executivo, apesar de a JLR ter se tornado sócia minoritária da startup, o dinheiro aplicado na empresa não implica que as novas tecnologias precisarão ser utilizadas exclusivamente pela marca. Com isso, BMW, Renault, Audi e Toyota, que também são clientes da Energy Source, poderão desfrutar das futuras descobertas.

“Nosso objetivo com esse aporte é fazer com que essa solução brasileira alcance o mundo. O dinheiro será usado da forma como a empresa desejar para desenvolver tecnologias, e a JLR será uma das beneficiadas a desfrutar dessas inovações”.

A Jaguar Land Rover também reforçou o compromisso de atingir carbono líquido zero até 2039 e de lançar 9 carros elétricos no Brasil até 2030. Por isso, de acordo com João Oliveira, "abordar o impacto e o ciclo de vida das baterias é essencial para as ambições de sustentabilidade da JLR".

O que a parceira da JLR faz com as baterias?

A Energy Source nasceu em 2016, em uma garagem de apenas 10 metros quadrados, em São João da Boa Vista, cidade do interior paulista. Hoje, a empresa especializada em reparo, reuso e reciclagem de baterias conta com 57 funcionários em seu quadro e ocupa uma área de 4,5 mil metros quadrados no Distrito Industrial da cidade.

Dentro dessa enorme infraestrutura, a Energy Source recebe não apenas baterias de carros eletrificados, mas também de tablets, smartphones e outros aparelhos eletrônicos. Todas passam por um processo de análise inicial e, dependendo das condições, são encaminhadas para um determinado “erre”: reparo, reuso ou reciclagem.

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A reportagem do Canaltech conheceu as instalações da startup em São João da Boa Vista, e teve a oportunidade de ver de perto parte do processo do chamado “refino dos metais críticos” que são retirados das baterias recicladas para serem reaproveitados futuramente.

A empresa explicou que as baterias que chegam por lá podem ser realocadas para a instalação de estações de carregamento renováveis alimentadas por bateria, enquanto as operações de reciclagem “permitem a recuperação de materiais de alto valor das células gastas, aumentando a circularidade e reduzindo a necessidade de novas atividades de mineração”.

CEO prevê fim do “mito das baterias”

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Segundo David Noronha, CEO e fundador da Energy Source, a startup é a única da América Latina a oferecer soluções para uma série de problemas que, até hoje, são tratados como mito no segmento dos carros eletrificados.

O executivo revelou que, em certa ocasião, um cliente de uma locadora de veículos se envolveu em uma colisão com um carro elétrico e, por conta dos danos causados às baterias, foi orientado pela fabricante a “trocar tudo”.

Noronha explicou que a solução apresentada pela marca faria o consumidor gastar R$ 226 mil em um carro que custava R$ 290 mil, algo inviável. A história mudou quando a Energy Source soube do caso, entrou no circuito e reparou a bateria “inutilizável”, por um custo de cerca de 10% do projetado pela montadora.

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Segundo o CEO da Energy Source, “por enquanto” a startup não abrirá esse tipo de serviços para o cliente final (B2C), mas é algo que “está no radar” e, futuramente, poderá dar um impulso significativo para o mercado de carros eletrificados usados, hoje ainda incipiente, até por conta do medo dos clientes com relação à durabilidade das baterias.