CEO da Volkswagen ironiza busca por combustíveis sintéticos: “Delírio coletivo”
Por Paulo Amaral • Editado por Jones Oliveira |

Thomas Schäfer, CEO da Volkswagen, mostrou que nem todas as empresas do grupo falam a mesma língua quando o assunto em discussão é o futuro dos carros com motores a combustão.
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Enquanto a Porsche e a Audi, marcas pertencentes ao Volkswagen Group, não escondem que pretendem prolongar a vida dos carros movidos a combustão e, para isso, correm no desenvolvimento de combustíveis sintéticos, Schäfer tratou o assunto com desdém.
Em entrevista ao Automotive News Europe, o chefão da Volkswagen pendeu favoravelmente à eletrificação ao afirmar que os motores a combustão “são obsoletos” e que essa busca frenética por combustíveis sintéticos, sem o uso do petróleo, mais parece “delírio coletivo”.
“Preferimos colocar nosso dinheiro em eletrificação durante os anos finais do motor de combustão do que fazer uma última versão dele que seria proibitivamente cara”, avisou o CEO, descartando focar as energias da montadora em algo que, para ele, não prorrogará a existência dos carros a combustão.
“Até 2035 os motores a combustão acabarão de qualquer maneira. Dissemos que em 2033 teríamos terminado. Até 2030 planejamos que 80% dos nossos veículos vendidos na Europa sejam elétricos a bateria, então por que gastar uma fortuna em tecnologia antiga que realmente não lhe dá algum benefício?”, questionou.
Volkswagen ressalta papel dos motores a combustão
Apesar de descartar investir em combustíveis sintéticos e focar na eletrificação, Schäfer deixou claro que os motores a combustão ainda têm um papel importante a cumprir até o dia em que forem definitivamente aposentados. Principalmente no aspecto financeiro.
“É assim que nós ganharemos o dinheiro que precisamos para a transformação”, admitiu, ressaltando, porém, que não faz parte da estratégia traçada lançar carros completamente novos com motores a combustão, e sim atualizar os que já existem em linha.
“Levaremos esses veículos até 2030.À medida que eliminamos motores a combustão na Europa, não faz mais sentido lançar veículos com motores deste tipo completamente novos”, concluiu.