Cinco lições de empreendedorismo de Bruce Dickinson

Por Stephanie Hering | 28 de Janeiro de 2014 às 17h07

O vocalista da banda Iron Maiden, Bruce Dickinson, abriu os magistrais da Campus Party nesta terça-feira (28). Dickinson, que também é piloto de avião, dono da Cardiff Aviation, empresa de manutenção de aeronaves, e empreendedor na escola de formação Real World Aviation, deu dicas sobre empreendedorismo para os campuseiros e também contou algumas de suas experiências pessoais.

O Canaltech esteve presente na palestra e separou algumas das dicas que Bruce deu. Confira:

É preciso se destacar

Com auxílio do telão, Bruce mostou uma foto de um show do Iron Maiden e disse que as pessoas que o assistiam não eram só seus fãs, mas também consumidores. Segundo o empresário, isso pode ser ruim se você não souber administrar seu negócio. "Odeio clientes, porque eles têm escolha e eles podem ir para outro lugar", explica.

Dickinson ainda comparou empreendedores com peixes e tubarões. "O mundo dos negócios é igual à vida no oceano. Peixe tem guelras, eles conseguem ficar na água e respirar tranquilamente, nadando sem pressa. Tubarões, por outro lado, não tem guelras, eles precisam se mover, do contrário eles se afogam. Quanto mais se mexem, maiores ficam e precisam comer. O que eles comem?", questiona. "O peixe, que estava lá parado. Esse é o mundo dos negócios, quer você goste ou não. Se você ficar parado, alguém vai te comer", afirma.

Valor e relacionamento com o cliente

Para não ser engolido pela concorrência, Bruce acredita que é preciso criar valor para o que você está oferecendo, seja uma ideia, serviço ou um produto. Segundo o palestrante, trata-se de apresentar algo "único e especial" e poder dizer "eu criei isso".

Ao criar valor, ainda de acordo com o palestrante, você passa a vender não mais um item, mas está vendendo relacionamento, o que gera confiança. Para ilustrar, Dickinson deu o exemplo de um um cliente que, ao comprar um carro e dirigir com ele pela primeira vez, perdeu uma porta. "A fabricante provavelmente vai oferecer um carro novo, mas o consumidor não vai mais querer aquele modelo. Ele vai pensar 'O que vai cair da próxima vez? O motor?'".

Exemplo maior disso é, segundo Bruce, a Apple. "Quando começaram, tinham mais do que fãs. Era uma religião. Você não comprava um Mac, se juntava ao culto". Segurando uma almofada da poltrona do palco, o vocalista do Iron Maiden lembrou como era ter um Mac no começo e o burburinho que isso causava. "As pessoas passavam, viam o Mac naquele estojo bonito e perguntavam 'Isso é um Mac?' e eu respondia: 'Você quer carregar?'", conta.

Mas como lembra Dickinson, muitos impérios acabam ou perdem força. A própria Apple tem disputado fãs cada vez mais com a Samsung, principalmente quando não agrada com uma novidade, como o design ou um aplicativo que não deu certo (vide Apple Maps).

Pensando fora da caixa

Muito se fala em pensar fora da caixa. Mas nem sempre isso presume algo novo. Usando novamente o telão, Dickinson mostrou um modelo antigo de celular da Nokia, conhecido aqui como o famoso "tijolão". Ele lembrou como as pessoas reclamam da bateria de smartphones hoje em dia e que modelos como aquele são vistos até agora como "o melhor telefone". Contudo, ninguém oferece algo similar.

"As pessoas não mudam, só os smartphones", explica. Segundo o palestrante, nossas mudanças são muito mais lentas do que um modelo de smartphone, principalmente quando elas se referem às nossas vontades.

Outros exemplos de empreendedorismo "fora da caixa" foram dados usando a banda de Bruce, o Iron Maiden. Desses, o que sem dúvidas merece mais destaque é a Trooper, cerveja criada pensando nas pessoas que gostam do Iron Maiden, mas veem shows de casa, pelo YouTube e baixam música ilegalmente. Segundo Bruce, a maioria deste público consome cerveja quando faz essas atividades, o que, querendo ou não, ajuda a gerar conversação sobre a banda, mesmo indiretamente.

Aproveitando o revés

Bruce também questionou o jeito como a indústria fonográfica lida com downloads ilegais de músicas. No início dos anos 2000, o próprio Iron Maiden achava que o certo era prender seus fãs por "roubar suas músicas". Atualmente, a banda prefere aproveitar o revés de baixas nas vendas de discos de outra forma. Exemplo disso é a recente parceria com a MusicMetric, empresa que ficou responsável por levantar estatísticas de países com maior número de downloads ilegais de músicas do Iron Maiden. Com base nisso, a banda escolheu os locais de sua turnê.

Imaginação é crucial

Dickinson também falou diversas vezes da importância da imaginação, que é geralmente esquecida e substituída por um diploma ou outro papel simbólico. "Conhecimento sem imaginação não é nada", opinou. Para encerrar, Bruce incentivou os campuseiros a anotarem suas ideias quando forem picados pelo "mosquito da criatividade".

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.