Por que tantas pessoas estão desinstalando o ChatGPT? Entenda o caso
Por André Lourenti Magalhães • Editado por Bruno De Blasi |

O ChatGPT vive um momento de oscilação: poucos dias após a OpenAI confirmar a marca de 900 milhões de usuários ativos por semana, a ferramenta passa por uma queda abrupta de instalações após anunciar um novo acordo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
- Tudo sobre o ChatGPT: conheça os modelos e recursos da IA da OpenAI
- O ChatGPT Go vale a pena? Tudo o que você precisa saber sobre o plano de IA
Dados da consultoria Sensor Tower revelam que as desinstalações aumentaram em 295% de um dia para o outro no sábado (28), logo após a empresa confirmar a parceria com o governo estadunidense. A média diária no mês de fevereiro era de apenas 9%.
As disputas por trás da queda
Os primeiros atritos começaram no final da semana passada. A Anthropic, desenvolvedora do Claude, se recusou a remover algumas restrições de segurança em contrato com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, incluindo mecanismos para evitar o uso de inteligência artificial (IA) para vigilância em massa e criação de armas autônomas.
Mesmo com pressão do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, a empresa manteve a postura, não mudou os termos e o presidente do país, Donald Trump, baniu o uso da ferramenta nas agências federais.
Poucas horas depois, a OpenAI confirmou um acordo para ceder acesso à tecnologia em redes das Forças Armadas do país. A medida já tinha rendido críticas à criadora do ChatGPT e a repercussão negativa se intensificou após o anúncio dos ataques dos Estados Unidos ao Irã, na madrugada de sábado.
Curiosamente, o veículo Wall Street Journal aponta que a defesa dos EUA usou a tecnologia do Claude para planejar a ofensiva — o serviço foi banido, mas as agências federais ainda teriam um prazo de seis meses para remover a tecnologia.
ChatGPT em baixa, Claude em alta
O acordo, portanto, afetou a popularidade do aplicativo da OpenAI. Quem se saiu bem foi o Claude: a ferramenta atingiu o topo da App Store dos EUA no último final de semana e ainda registrou picos de acessos.
Além disso, o serviço concorrente lançou uma ferramenta para importar históricos de chats de outras plataformas, incluindo o ChatGPT, e favoreceu a migração.
Vale reforçar que ambas as empresas já tiveram uma rusga anteriormente. A Anthropic publicou uma série de comerciais no começo de fevereiro ironizando o uso de anúncios no ChatGPT e o CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que a ação foi "desonesta". Em post no X, Altman ainda provocou ao dizer que existem mais usuários gratuitos do ChatGPT no estado do Texas do que assinantes do Claude em todo o país norte-americano.
E no Brasil?
A situação não aparenta ter efeito no Brasil: por aqui, o ChatGPT ainda figura entre os mais populares na App Store e na Google Play Store.
A ferramenta lidera o ranking da loja da Apple e ocupa a segunda posição na loja do Google. No caso do Android, o assistente ainda é o terceiro no ranking dos softwares mais rentáveis, o que indica alto volume de compras no app.
Leia também: