Mais de 3,8 bilhões de pessoas não possuem internet, aponta estudo

Mais de 3,8 bilhões de pessoas não possuem internet, aponta estudo

Por Felipe Ribeiro | 26 de Fevereiro de 2019 às 11h42
Cushman & Wakefield

Um estudo encomendado pelo Facebook Connectivity à The Economist Intelligence Unit trouxe dados de extrema importância sobre a conectividade mundial. Segundo o documento, ainda há cerca de 3,8 bilhões de pessoas ao redor do mundo sem acesso a uma internet rápida e confiável.

O Índice de Internet Inclusiva (3i) que avalia o nível de inclusão na internet de um país é dividido em quatro categorias: disponibilidade, acessibilidade, relevância e rapidez. Este ano, o índice foi expandido para incluir 100 países, representando 94% da população mundial e 96% do PIB mundial. Além disso, o estudo 3i traz informações do Value of the Internet Survey, que entrevistou 5.069 pessoas de 99 países para medir as percepções sobre como o uso da internet afeta o modo de vida das pessoas.

Resultados mistos

Como no índice do ano passado, que concluiu que apesar de haver motivos para o otimismo, ainda estávamos longe de atingir uma total inclusão na internet, o estudo deste ano mostra um resultado misto.

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Este ano foi revelada uma estagnação no progresso para superar as barreiras digitais. Em contraste com anos anteriores, a diferença entre os países com menor e maior renda aumentou. Apesar da diferença geral entre aqueles com acesso à internet e aqueles sem restrições — por conta do progresso no acesso, qualidade da cobertura e acessibilidade de preço —, os países com menor renda ficaram para trás, pois a melhora foi inferior a de outros países e muito mais lenta que a do último ano. As conexões de internet nos países de baixa renda aumentaram apenas 0,8% em comparação com 65,1% no ano passado.

No lado Positivo, o estudo 3i deste ano mostrou que houve melhora na inclusão de mulheres e deficientes, com países de baixa renda e média-baixa renda impulsionando o progresso. No entanto, a acessibilidade do preço está diminuindo em relação à renda mensal em muitos países, afetando desproporcionalmente mulheres e pessoas no geral em países de baixa renda, os quais são mais dependentes de dispositivos móveis como principal meio de acesso à internet.

O índice deste ano e a pesquisa apontaram o seguinte:

- Progresso estacionado e crescimento lento da conectividade em países de baixa renda:

Embora a porcentagem global de residências conectadas à internet tenha aumentado de 53,1% para 54,8%, a taxa de crescimento das conexões de internet desacelerou para 2,9% em 2019, de 7,7% em 2018. Os maiores aumentos anuais foram de Camarões (106,7%), Quênia (34,3%) e Kuwait (28,3%).

- Os serviços de internet móvel melhoraram, mas muitos países de baixa renda consideram o progresso lento:

Em alguns países, o acesso à internet por linha fixa é muito caro ou inacessível — é por isso que os serviços móveis são primordiais. Enquanto os países de média-baixa renda tiveram uma melhora significativa de 66% na cobertura 4G, os países de baixa renda tiveram uma melhora moderada de 22%.

- Os padrões de acessibilidade na Web melhoraram globalmente, liderados por países de renda baixa e média-baixa:

Problemas de acessibilidade impediram que muitas pessoas com deficiência acessassem a internet. Contudo, as barreiras de acessibilidade, medidas pelo padrão global da W3C Web Content Accessibility Guidelines (WCAG), estão diminuindo. A pontuação média de acessibilidade na web melhorou 9,7% em comparação a 2018. Nos países de renda baixa e média-baixa, a pontuação melhorou 29,4% e 23,5%, respectivamente.

- Países de renda baixa e média baixa reduziram a lacuna entre gêneros:

Os homens estão mais propensos a ter acesso à internet do que as mulheres em 84% dos países analisados. No entanto, seguindo uma tendência positiva de 2018, países de baixa renda e média-baixa renda progrediram, reduzindo a lacuna entre os gêneros. Embora ainda exista muito a ser feito, foram demonstrados benefícios de políticas que envolvem a inclusão digital feminina, programas de habilidades digitais e metas para mulheres e meninas estudarem ciências, tecnologia, engenharia e matemática. O Reino Unido, a Namíbia e a Irlanda, seguidos pela Áustria, Chile e África do Sul, estão entre os países com melhor desempenho do ano, todos com planos de treinamento de habilidades digitais para mulheres.

- Apesar de preocupações com a privacidade, a internet é crucial para a geração de emprego e melhoria na qualidade de vida:

Com base nas conclusões do ano passado, mais da metade dos entrevistados (52,2%) disse não estar confiante sobre sua privacidade na internet. Por outro lado, a maioria dos entrevistados (74,4%) acha que a internet tem sido a ferramenta mais eficaz para encontrar emprego. Além disso, 60,2% dos pesquisados dizem que as plataformas de educação online e as tecnologias de educação digital os ajudaram a buscar uma educação, e 76,5% usaram a internet para melhorar suas habilidades em meio a um mercado de trabalho dinâmico. Empreendedores, subempregados e pessoas vivendo em países de baixa renda são limitados pela falta de conectividade de qualidade, o que os prejudicará ainda mais.

Como a Value of the Internet Survey constatou benefícios extremamente positivos do uso da internet, particularmente por melhorar a qualidade de vida, as implicações dos países de renda mais baixa ficarem para trás em termos de conectividade são preocupantes. A falta de conectividade de qualidade pode prejudicar ainda mais a capacidade dos países de baixa e média renda de melhorar suas economias em relação aos seus vizinhos.

Fonte: Facebook Newsroom

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