Esta startup brasileira tem o sonho de criar órgãos usando bioimpressoras 3D

Esta startup brasileira tem o sonho de criar órgãos usando bioimpressoras 3D

Por Márcio Padrão | Editado por Claudio Yuge | 18 de Outubro de 2021 às 21h20
Ali Hajiluyi/Unsplash

A TissueLabs, healthtech brasileira com apenas dois anos de vida, mantém conversas com quatro fundos de investimento — três deles brasileiros, segundo O Globo — para levantar US$ 2,5 milhões em um aporte do tipo seed, para startups em começo de carreira. A rodada deve acontecer nos próximos meses e deverá ser um grande reforço para a grande ambição da empresa: criar um coração humano em laboratório, usando bioimpressoras 3D.

Não será o primeiro dinheiro investido na TissueLabs. Já rolou um aporte de R$ 1,5 milhão em investimento anjo em junho do ano passado, liderado pelo economista Eduardo Zylberstajn, além de cerca de R$ 2 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) através do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe). Esta última verba financiou um projeto para industrializar a manufatura das biotintas — combinações de hidrogéis com células em altíssima resolução.

Outra conquista foi a abertura de um escritório em Lugano, na Suíça. Este passo permitiu a obtenção, no mês passado, de uma bolsa de cerca de 15 mil francos suíços (R$ 89,7 mil) da InnoSuisse, agência de inovação do país. 

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Hoje, a startup oferece à comunidade científica os meios para fabricar órgãos e tecidos em laboratório. Ao mesmo tempo, desenvolve suas próprias linhas de pesquisa mirando na fabricação futura de órgãos e tecidos para serem vendidos. Um de seus produtos é uma bioimpressora chamada de TissueStart, que permitirá a impressão 3D de órgãos usando as tais biotintas.

Mas a tecnologia ainda está em desenvolvimento. O objetivo será "imprimir" órgãos transplantáveis, mas hoje só produz poucos centímetros de tecido. "Ainda há muitos gargalos. Não conseguimos células em escala suficiente para produzir grandes tecidos. A criação de sistemas de microvascularização é uma dificuldade ainda maior. Mas acreditamos que em 15, 20 anos, conseguiremos a escala que procuramos", explicou o cofundador Gabriel Liguori a O Globo.

Médico de 32 anos, Liguori fundou a healthtech ao lado do engenheiro Emerson Moretto. Eduardo Zylberstajn, investidor anjo da empresa, tem uma motivação pessoal por trás da ajuda. 

"Quando conversei pela primeira vez com ele, ele me contou que sua filha, assim como eu, foi diagnosticada com uma malformação cardíaca ao nascer, exigindo operação ainda quando criança. Na época, eu já desenvolvia projetos de pesquisas, objetivando a fabricação de órgãos e tecidos em laboratório e a esposa de Eduardo, Fernanda, liderava uma ONG de suporte às famílias de crianças cardiopatas", disse Liguori à Agência Fapesp.

Enquanto os órgãos impressos não se tornam realidade, a TissueLabs segue com outras conquistas. Uma delas é a plataforma MatriWell, que mimetiza em culturas de células o microambiente dos pulmões para que cientistas estudem o avanço da covid no organismo com fidelidade. Outra foi o prêmio de um dos jovens inovadores abaixo de 35 anos para o cofundador Gabriel Liguori, concedido pela MIT Technology Review no final do ano passado.

Fonte: O Globo, Fapesp, MIT Technology Review ES

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