Xiaomi pode ter entrado para lista restrita dos EUA por receber prêmio da China

Xiaomi pode ter entrado para lista restrita dos EUA por receber prêmio da China

Por Renan da Silva Dores | Editado por Wallace Moté | 10 de Março de 2021 às 19h00
Felipe Junqueira/Canaltech

Desde o mandato de Donald Trump, EUA e China tem protagonizado uma guerra comercial entre Ocidente e Oriente. Sanções econômicas foram aplicadas, especialmente por parte do governo norte-americano, com diversas companhias chinesas sofrendo gravemente com as restrições. A Huawei é sem dúvida o caso mais popular, especialmente por ter perdido o topo do ranking das maiores empresas de tecnologia do mundo, mas outras gigantes chegaram a sofrer consequências, como a Xiaomi.

No início de janeiro deste ano, a famosa fabricante de smartphones e produtos inteligentes, reconhecida pelas linhas Mi, Redmi e POCO, foi adicionada à lista de restrições do Departamento de Defesa (DoD) dos EUA. À época, o órgão norte-americano não chegou a dar explicações para a medida, mas relatórios obtidos pelo periódico Wall Street Journal nesta semana podem ter revelado as razões.

Um prêmio concedido pela China ao CEO Lei Jun seria a razão para entrada da Xiaomi na lista suja dos EUA (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)

De acordo com a reportagem do veículo norte-americano, o governo de Joe Biden teria decidido restringir a Xiaomi em virtude de um prêmio concedido pelo governo chinês ao CEO da fabricante, Lei Jun. O executivo foi condecorado com a premiação "Grande Construtor do Socialismo com Características Chinesas" (em tradução livre) pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) da China, o que teria acendido alertas nos EUA.

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Ainda segundo o Wall Street Journal, esse prêmio “é dado a cada cinco anos aos principais empresários do setor privado. O último prêmio, em 2019, foi dado a 100 pessoas. Outros CEOs notáveis que também foram premiados incluem os chefes da companhia de internet e games NetEase Inc, Ding Lei, da rede social chinesa Weibo, Wang Gaofie, e da montadora de automóveis BYD Co., Wang Chuanfu”.

O relatório do periódico também indica que investimentos da Xiaomi no 5G e em Inteligência Artificial seriam outro motivo. As ambições da fabricante em combinar IA com o 5G e a Internet das Coisas (IoT) teriam despertado preocupações no governo norte-americano, que considera ambas as tecnologias como componentes centrais na estratégia de fusão cívico-militar do governo chinês, uma "ameaça aos EUA".

Huawei, Xiaomi e as restrições

Como vimos, a presença da Huawei na lista de restrições do DoD resultou em uma série de sanções econômicas que, por exemplo, impediram a gigante chinesa de estabelecer acordos comerciais com empresas norte-americanas como Qualcomm e Google. A entrada da Xiaomi na lista levantou dúvidas sobre se a fabricante também sofreria com sanções semelhantes. Até o momento, nenhuma medida restritiva foi posta em prática, mas é sabido que há grande pressão por parte de parlamentares dos EUA para que isso ocorra.

Fonte: Android Authority, PocketNow

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