Quanto a bateria de um celular perde por ano?
Por André Leonardo • Editado por Léo Müller |

Um celular pode acompanhar os usuários por muito tempo, mas com o passar dos anos, você nota que o seu aparelho já não aguenta um dia inteiro longe da tomada? Esse fenômeno afeta todos os aparelhos e a culpa não é apenas sua. Entenda ciência por trás deste processo e quanto o seu celular perde de bateria por ano.
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O desgaste que acontece nas baterias é natural e esperado. Afinal, as baterias de íons de lítio funcionam como pequenos tanques de combustível químico.
A cada recarga, uma fração desse tanque se perde para sempre. O processo é irreversível e dita a validade do componente.
Especialistas da área não medem essa vida útil em meses ou anos de uso. A métrica adotada pelas fabricantes é chamada de "ciclo de carga". Entender essa regra ajuda a mudar sua relação com aparelhos.
Um ciclo completo ocorre quando você gasta cem por cento da energia do celular. Isso pode acontecer em um único dia ou de forma fracionada ao longo da semana. Cada ciclo consome um pouco da saúde da bateria.
Empresas como a Apple revelam que as baterias tradicionais suportam até 500 ciclos. Após essa marca, o componente costuma reter apenas 80% da capacidade original de fábrica. O que gera uma queda de autonomia.
A matemática por ano
O usuário médio descarrega e recarrega o smartphone quase todos os dias. Na ponta do lápis, isso representa cerca de 365 ciclos ao final de doze meses.
Se 500 ciclos roubam vinte por cento da vida útil do componente, a conta básica aponta uma perda de aproximadamente 0,04% por cada ciclo realizado. O desgaste diário parece minúsculo e imperceptível.
No entanto, ao multiplicar esse pequeno índice pelos 365 dias do ano, as coisas mudam. O celular perde entre dez e quinze por cento da sua capacidade total de energia anualmente.
Pense em uma garrafa de água de um litro. Após um ano de uso intenso, ela encolhe e passa a comportar apenas 850 mililitros. O visor ainda mostra a carga em cem por cento, mas o volume real diminuiu bastante.
Algumas fabricantes tentam melhorar esse cenário com novas tecnologias. Modelos mais caros e recentes já suportam mil ciclos antes da queda abrupta de desempenho. Mas a regra dos 500 ciclos ainda domina o mercado.
O que desgasta mais a bateria
Embora os 500 ciclos reflitam um cenário ideal de uso. A realidade, por sua vez, acelera a morte química do componente. O maior inimigo do lítio é a temperatura extrema, muito comum no verão brasileiro e o ano inteiro em algumas cidades.
O calor acima dos trinta graus Celsius "cozinha" os componentes internos do smartphone. Atitudes como ceixar o celular no painel do carro sob o sol ou jogar games pesados com o brilho alto reduzem a saúde da bateria.
É recomendável manter a energia sempre entre vinte e oitenta por cento. Esse intervalo confortável evita a fadiga do material. Carregar o aparelho várias vezes ao dia em pequenas doses faz bem ao sistema.
A Samsung, por exemplo, oferece um bloqueio de software que interrompe a carga aos oitenta por cento. Essa trava serve para dobrar os anos de vida do componente e atrasar a ida à assistência técnica.
O fim da bateria é inevitável, assim como o Thanos em Vingadores. Contudo, você como usuário, tem o poder de ditar o ritmo desse declínio. Evitar o calor excessivo e a bateria zerada são passos simples para garantir a sobrevida do smartphone.