Novo posicionamento pode levar Sony a abandonar mercado de smartphones

Por Felipe Demartini | 23 de Maio de 2018 às 13h25
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH
TUDO SOBRE

Sony

Que a Sony passa por uma grande revolução ao longo dos últimos anos, isso todo mundo já sabe. Nesta semana, porém, a empresa anunciou os passos de tais mudanças para os próximos três anos, demonstrando acreditar que seu futuro está nos serviços, no mercado de componentes e no recebimento de royalties, o que, para alguns especialistas, pode acabar resultando em uma tão comentada saída do mercado de smartphones.

Os rumores sobre esse assunto não vêm de hoje – na verdade, se fala nesse assunto desde 2015. Na época, o então CEO da empresa japonesa, Kaz Hirai, disse que o futuro não apenas do setor de celulares, mas de qualquer outra divisão da companhia, depende de um “cenário de equilíbrio financeiro”, caso contrário, “alternativas” podem ser consideradas. Boatos também apontavam para uma venda do portfólio da companhia, como ela já fez, no passado, com a linha Vaio de notebooks.

Essa possibilidade nunca se confirmou, só o oposto, com a Sony mantendo seu fluxo anual de lançamentos de smartphones. Também se manteve a noção de que esse setor estaria gerando rendimento abaixo do esperado, com a continuidade do movimento sempre na berlinda. Agora que, segundo Yoshida, o foco está na redução da dependência de setores sazonais em prol de um fluxo contínuo de caixa, os olhos se voltam, novamente, para um possível abandono.

Participe do nosso GRUPO CANALTECH DE DESCONTOS do Whatsapp e do Facebook e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Em reunião com investidores e a imprensa, realizada nesta terça-feira (22), o CEO falou sobre os pilares que guiarão os negócios da companhia ao longo dos próximos três anos. Os esforços estao concentrados nos serviços, principalmente no fortalecimento da PlayStation Network, a rede online do PS4, no fornecimento de componentes fotográficos para fabricantes parceiras no mercado mobile e no recebimento de royalties oriundos, principalmente, do segmento fonográfico.

Uma prova dessa aposta foi a aquisição da EMI que, por um valor estimado de US$ 2,3 bilhões, transformou a Sony no maior conglomerado musical do mundo. O crescimento cada vez maior do mercado de streaming e das plataformas gratuitas ou por assinatura gerará um belo fluxo de caixa para a companhia japonesa, agora que nomes consagrados como Drake, Pharrell Williams, Alicia Keys, Calvin Harris e Sia fazem parte de seu portfólio.

Veio também uma constatação que entristeceu os gamers e gerou discussão – o PlayStation 4, na visão da Sony, se aproxima do fim de seu ciclo de vida. A visão da fabricante para o console lançado em 2013 é de que o ápice, principalmente da venda de hardware, já passou, e o foco agora deve estar no aumento da utilização mensal, bem como em vendas melhores por meio das plataformas digitais, dois elementos que permitem a transição quando uma nova geração chegar às lojas, algo que, também, deve acontecer em cerca de três anos.

Enquanto isso, os sinais de encolhimento são mais do que evidentes quando o assunto são os smartphones. No primeiro trimestre de 2018, a Sony vendeu cerca de 10 milhões de aparelhos, uma redução incrivelmente significativa quando se leva em conta que, no mesmo período de 2017, foram 22,5 milhões. A queda livre acontece diante de todos, apesar de lançamentos recentes como a linha XZ2 estarem sendo amplamente elogiados.

O futuro nesse sentido, entretanto, não é sabido. Em suas declarações, Yoshida deu a entender a intenção de se afastar do mercado de gadgets para o consumidor, mas nenhuma decisão mais drástica quanto a isso foi informada aos investidores ou à imprensa. Assim como agiu nos últimos anos, a Sony permanece com um enigmático silêncio quando o assunto é o sempre incerto futuro de sua família de smartphones.

Fonte: Bloomberg

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.