PlayStation 4 está entrando em sua “fase final”, afirma Sony

Por Felipe Demartini | 22 de Maio de 2018 às 12h09
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Em uma reunião com investidores realizada nesta terça-feira (22), no Japão, a Sony colocou em palavras aquilo que muita gente já esperava: o PlayStation 4 está entrando na “fase final” de seu ciclo de vida. A afirmação foi de Kenichiro Yoshida, CEO da fabricante, alertando investidores para uma queda nas vendas de jogos e do faturamento geral da divisão de games que deve começar a acontecer já no atual ano fiscal.

Essa redução, porém, não tem a ver com uma queda de interesse ou um abandono, mas sim uma mudança de foco. Com a aproximação do fim da vida do PS4, a ideia é que o setor reduza a atenção dada ao hardware para dar mais amor aos softwares e serviços, de olho nem tanto nas vendas de milhões de unidades, mas sim no aumento do tempo de utilização e do total de usuários mensais das plataformas.

Com isso em pauta, Yoshida revelou alguns dos planos da companhia para os próximos três anos: eles estão relacionados a uma intensificação no campo dos jogos exclusivos e também no fortalecimento do PlayStation Plus. A PlayStation Network, inclusive, tem um crescimento que é transferível para a próxima geração de plataformas, ainda não anunciada pela Sony, mas para a qual seus usuários podem muito bem realizar a migração, assim como aconteceu do PS3 para o PS4.

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Até março de 2021, a perspectiva é de um faturamento total que varie entre ¥ 130 bilhões e ¥ 170 bilhões, algo entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,5 bilhão. A plataforma PlayStation deve continuar a ser um dos pilares das finanças globais da Sony, mas agora a empresa sabe que é hora de mudar o foco, já que a base instalada já é bastante grande e deve ter seu desempenho reduzido a cada ano, principalmente na medida em que uma nova família de plataformas estiver no horizonte.

A expectativa é de uma redução de 11% já no período atual, que se encerra em março do ano que vem, por conta dessa mudança de foco e, também, do intervalo entre propostas exclusivas já lançadas e aquelas ainda em desenvolvimento. Enquanto nomes como God of War e Detroit: Become Human são as vedetes deste primeiro semestre, o segundo período de 2018 segue com um único título forte, Homem-Aranha, que chega em setembro.

A ideia, então, é aumentar o total de assinantes da PlayStation Plus e entregar mais jogos exclusivos, com sequências de marcas conhecidas e novas franquias, aos jogadores. Tudo para aumentar o índice de permanência dos usuários e manter o domínio do mercado, já que, hoje, o console de mesa está à frente dos concorrentes na guerra da atual geração.

A atenção aos softwares e serviços também decorre de números abaixo do esperado para o PlayStation VR. Os óculos de realidade virtual jamais foram vistos pela Sony como uma espécie de compensador dos números relacionados ao videogame em si, mas a expectativa era de vendas maiores na onda da inovação desse segmento, algo que não aconteceu. No relatório da empresa, o aparelho aparece ao lado do serviço de televisão PlayStation Vue e da ForwardWorks, plataforma focada na jogatina mobile, como “áreas desafiadoras que precisam melhorar”.

Ainda assim, as três são vistas como motores do crescimento no número de usuários e no engajamento deles com as plataformas. A única dúvida, aqui, foi demonstrada quanto ao Vue, cujo “modelo de negócios permanece incerto”, nas palavras da própria Sony. A empresa, entretanto, aponta essa como uma característica mercadológica não ligada diretamente ao desempenho do serviço, mas que o afeta diretamente.

A mudança de rumo faz todo sentido quando se leva em conta o mercado ocidental, mas não caiu tão suavemente no Japão. Por lá, as ações da Sony tiveram queda de 1,97%, principalmente devido à previsão de queda no faturamento já no atual ano fiscal. Algo que já se esperava, mas que, aparentemente, surpreendeu negativamente alguns investidores, apesar de a redução não ser um motivo de preocupação e ter sido antecipada pela própria fabricante.

Fonte: Games Industry

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