Fornecedora de componentes para Face ID também prevê baixa nas vendas de iPhones

Por Felipe Demartini | 16 de Novembro de 2018 às 10h52
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A empresa austríaca AMS é o mais novo nome a se unir à lista de fornecedoras que reduziram suas expectativas de ganhos em antecipação a uma queda nas vendas do iPhone. Em seu mais recente relatório financeiro, a empresa anunciou uma redução de 15% em sua previsão de faturamento por conta de “mudanças recentes na demanda de um de seus principais clientes”.

A Apple não é citada nominalmente, é claro, mas resta pouca dúvida de que a AMS está falando dela. Isso se deve ao fato não apenas de a Maçã já ter falado que as vendas da temporada de Natal devem ser mais baixas do que o esperado originalmente, um anúncio que chamou a atenção dos investidores negativamente, mas também pela fornecedora ser mais uma entre tantas que também reduziram as projeções de lucro.

Entre os nomes que demonstraram esse tipo de sensação estão a inglesa IQE, especializada em chips; a Japan Display, que fornece telas para os dispositivos da Maçã; e a Lumentum, que, assim como a AMS, é responsável pelo fornecimento de componentes para a tecnologia Face ID. Todas emitiram alertas a seus investidores e acionistas sobre uma queda no faturamento nos próximos trimestres por conta de uma desaceleração em um de seus principais parceiros.

A Dialog Semiconductor é a única exceção a essa regra, tendo afirmado, em relatório recente, que mesmo com uma queda de demanda por parte da Apple, seus negócios não serão afetados. A empresa citou seu grande portfólio de clientes como razão para isso, mas, na visão de analistas, o acordo recente com a Maçã, firmado no mês de outubro, também já pode ter sido feito com números atualizados e dentro da previsão de redução, fazendo com que, nessa negociação, especificamente, não exista queda.

Na visão dos especialistas, a forte competição com modelos mais baratos e arrojados, como os fabricados por empresas como HTC e Xiaomi, é a principal razão por trás da queda nas vendas dos iPhones. A velha balança entre preço e unidades, compensando baixas nas prateleiras com um aumento no valor dos celulares, parece não estar mais equilibrada e, com isso, os investidores começam a ficar céticos quanto à continuidade no domínio da Apple sobre o mercado de topo de linha no longo prazo.

A empresa de Cupertino em si, porém, cita lucros de mais de US$ 14 bilhões no último trimestre, mas evitou falar sobre totais específicos de vendas de aparelhos, em mais um indício de que algo está errado. Se a Apple não falou nesse assunto, por outro lado, a AMS cita uma expectativa de 11 a 18 milhões de iPhones a menos sendo produzidos no trimestre anual, abaixo da previsão de cerca de 80 milhões de dispositivos que estava vigente para o período.

As relações entre a Apple e seus fornecedores costuma ser amplamente discutidas na imprensa justamente por revelar informações que a própria companhia nem sempre gosta de ver sendo ventiladas por aí. É justamente por isso que, como sempre, a empresa não comentou os desenvolvimentos recentes nem falou sobre as expectativas mornas de seus fornecedores.

Fonte: Reuters

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